sábado, 27 de fevereiro de 2010

Correspondências: Fernando Pessoa e Mario de Sá Carneiro

Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa, (1888-1935)
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Lisboa, 14 de março de 1916.
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Meu querido Sá-Carneiro,
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Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental - uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto - que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.
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Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.
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Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a crianca triste em quem a Vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.
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No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.
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Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro" ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.
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Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que me sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena - chia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.
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Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.
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Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio, amanha, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no Livro do Desassossego. Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.
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As últimas notícias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.
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Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.
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De que cor será sentir?
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Milhares de abraços do seu, sempre muito seu,
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Fernando Pessoa.
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P.S. - Escrevi esta carta de um jato. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanhã, antes de lhe mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histero-neurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si-próprio que dele são tao características...
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Você acha-me razão, não é verdade?
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PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Recolha e transcricão dos textos: Maria Aliete Galhoz, Teresa Sobral Cunha; prefácio e organizacão: Jacinto Prado Coelho, Ática, Lisboa 1982.
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* Fernando Pessoa e o escritor Mario de Sá-Carneiro trocaram correspondências entre outubro de 1912 (quando se conheceram) e abril de 1916 (ano da morte de Mario). Durante esse período foram poucas às vezes em que se encontraram pessoalmente, as cartas foram seu maior canal de comunicação, além de base sobre a qual se consolidou a amizade.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Agenda: Tom e Chopin.


Frédéric Chopin, Nocturne Op. 27 No. 2, por Maurizio Pollini
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Ontem o projeto Chopiníssimo abriu as comemorações no Brasil pelo bicentenário de nascimento do compositor polonês Frédéric Chopin (1810-1849). A mostra reúne 42 painéis com fotos de pinturas, desenhos, gravuras, partituras, documentos e objetos que ficam expostos até sexta-feira.
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Chopiníssimo: Chopin, o poeta do piano
Teatro Sesi
Av. Graça Aranha, 01, Centro
De 22 à 26 de fevereiro
Das 14h às 19:30h
Entrada franca.

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Antonio Carlos Jobim, Trecho do especial "As Nascentes com Tom"
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Eventual oásis em meio ao demasiado calor do verão, o Jardim Botânico brinda os visitantes com uma exposição fotográfica em homenagem ao maestro Antonio Carlos Jobim, que se estivesse entre nós, completaria 83 anos. As fotos inéditas são de autoria do fotógrafo Januário Garcia.
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Instantes Instantâneos do Maestro Antonio Carlos JobimEspaço Tom Jobim
Rua Jardim Botânico, nº 1008, Jardim Botânico
Diariamente, das 8h às 17h
Ingresso: R$ 5,00.


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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Variações sobre um mesmo tema: a loucura.


Estamira, direção de Marcos Prado, 2005
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O cineasta Marcos Prado encontrou Estamira pela primeira vez em 2000 quando fotografava o aterro sanitário de Gramacho. A senhora de discurso irascível e filosófico, trabalhava no lixão havia duas décadas. Sua estória pareceu atrativa ao cineasta, que por alguns anos acompanhou a rotina insalubre, a doença, traumas e vicissitudes de sua vida. O documentário evoca a lucidez diante a exclusão e a esquizofrenia.
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Dom Quixote e Sancho Pança, Candido Portinari, 1956
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Miguel de Cervantes tencionava ironizar as novelas de cavalaria e o estilo de vida da fidalguia quando escreveu Dom Quixote de La Mancha. Tendo 126 capítulos, o livro é considerado um dos maiores romances de todos os tempos. Trata-se da estória de Alonso Quijano, um fidalgo decadente obcecado pela leitura de livros de cavaleiros errantes. Ao trocar a realidade pela ficção, Alonso, agora Dom Quixote, se refugia na insanidade e passa a viajar pela Espanha protegendo desafortunados, certo de que é também um nobre cavaleiro. Deixar-se dominar pela fantasia, foi a forma que o "Cavaleiro da Triste Figura" encontrou para dar sentido à sua existência.
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"O mundo da poesia não se limita às obras literárias que Dom Quixote leva na cabeça, mas se dilata até abarcar toda a capacidade humana, comum nos loucos e sensatos, de imaginar, sonhar, mentir, esperar e querer, todos os modos de ilusão e ideal que o homem leva em sua alma e que são o impulso e a razão de sua vontade de fazer e de viver."
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Miguel de Cervantes.

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Self-Portrait With Bandaged Ear, Vincent Van Gogh, 1889
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Vincent Van Gogh tem uma trajetória inquietante. Abandonou os estudos aos 15 anos de idade para trabalhar com o tio numa loja que negociava obras de arte. Com 24 anos, decidiu que sua vocação era a evangelização. Trabalhou como missionário em minas de carvão na Bélgica onde distribuiu seus bens aos pobres. Em 1880, estimulado pelo irmão Théo, dedica-se a vida artística. Deste período até meados de 1890, pinta compulsivamente, sem no entanto obter reconhecimento (vendeu apenas uma tela nos dez anos dedicados à pintura). Enquanto foi sustentado emocional e financeiramente pelo irmão, as crises de instabilidade mental se intensificaram à medida que crescia sua incapacidade de manter-se por seus próprios meios. Também notabilizavam-se os relacionamentos fracassados e a personalidade anti-social. Em 1888 após uma briga com o pintor Paul Gauguim, corta um pedaço da própria orelha. Após o episódio, passa alguns meses numa clínica psiquiátrica. Ao sair, em maio de 1890, vai morar nas proximidades da casa do irmão. Um mês antes de sua morte - quando pintava uma tela por dia - realizou "Campo de Trigo com Corvos", obra prima que exprimia, de forma contundente, toda a tristeza e a solidão de seus últimos momentos. No dia 27 de julho, deu um tiro contra o próprio peito. Dois dias depois, morreu nos braços de Théo.
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Sonhos, Akira Kurosawa, 1990
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"Aquele homem vagabundo assemelha-se a este pássaro vagabundo…
E os homens ficam frequentemente impossibilitados de fazer algo, prisioneiros de não sei que prisão horrível, horrível, muito horrível. Há também, eu sei, a libertação, a libertação tardia. Uma reputação arruinada com ou sem razão, a penúria, a fatalidade das circunstâncias, o infortúnio, fazem prisioneiros. Nem sempre sabemos dizer o que é que nos encerra, o que é que nos cerca, o que é que parece nos enterrar, mas no entanto sentimos não sei que barras, que grades, que muros. Será tudo isto imaginação, fantasia? Não creio; e então nos perguntamos: meu Deus, será por muito tempo, será para sempre, será para a eternidade?"
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Van Gogh, in: Cartas a Théo.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Laborando interrogações...

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"Nunca tive, e ainda não tenho, a percepção do sentimento da minha identidade pessoal. Apareço perante mim mesmo como um lugar onde há coisas que acontecem, mas não há o "Eu", não há o "Mim". Cada um de nós é uma espécie de encruzilhada onde acontecem coisas. As encruzilhadas são puramente passivas; há algo que acontece nesse lugar. Outras coisas igualmente válidas acontecem noutros pontos. Não há opção: é uma questão de probabilidades."
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Claude Lévi-Strauss, in: Mito e Significado.
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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Confete e serpentina...


Noite dos Mascarados, Chico Buarque, Nara Leão e MPB 4
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(...) Como esquivar-se a teu Império
que é Serrano em Vila ou Mangueira,
se em mim ri aquilo que é sério,
e séria, mesmo, é a brincadeira?
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Carnaval, já não sou tão moço
para esmilinguir-me no frevo
e sair de guizo ao pescoço
(riso, quatripétalo trevo),
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Também inda não sou tão velho
que não ouça o ronco da cuíca.
E da razão o bom conselho
(má rima) não me mortifica.
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Entre duas águas, meu caro,
meio-lá-meio-cá me sinto
como um animal semi-raro
divagando no labirinto.
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Carnaval, magia do samba!
Fígado, fiscal do consumo...
Para dançar na corda bamba
tanto faz, serpentina, o rumo.
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Não fugirei para a montanha,
nem pescarei na Marambaia,
pois ante confusão tamanha,
quedemos (Posto 6) na praia,
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perto-longe da farra, ouvindo
e vendo, imaginando, enquanto
um carnaval muito mais lindo
dentro em nós eleva seu canto;
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carnaval de delícias longas
e cabriolas arlequinais,
feito de caras songamongas
se esbaldando no nunca-mais;
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carnaval antigo e futuro,
baile de outro Municipal
ou Praça 11 acesa no escuro
da saudade do carnaval.
E é o melhor de tudo, afinal.
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Carlos Drummond de Andrade.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Correspondências: Florbela Espanca e Guido Battelli

Florbela de Alma da Conceição Espanca, 1824 - 1930
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Matosinhos, 03 de agosto de 1930.
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Meu querido amigo,
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Finalmente instalada e um pouco refeita da fadiga da viagem, venho agradecer-lhe a sua última carta recebida em Évora.
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Já tinha saudades de conversar consigo. É assim um católico tão convencido? Eu não sou católica, como não sou protestante nem budista, maometana ou teosofista. Não sou nada. E nem sequer poderá servir-me o preceito divino: "Aquele que me procura, já me encontrou" porque eu não procuro... O meu racionalismo à Hegel, apoiado numa espécie de filosofia à Nietzche, chegou-me por muito tempo. Hoje... a minha sede de infinito é maior do que eu, do que o mundo, do que tudo, e o meu espiritualismo ultrapassa o céu. Nada me chega, nada me convence, nada me enche. Sou um pobre que nenhum tesouro acha digno das suas mãos vazias. A morte, talvez... esse infinito, esse total e profundo repouso; não me queira tirar a certeza de que ela é tudo isto: seria uma maldade, quase um crime. Pense bem: eu, que não sei o que é dormir uma noite inteira, dormir muitas, dormir todas e todos os dias e todos os anos, pelos séculos dos séculos! Só esta ideia me faz sorrir. Deve ser tão bom!
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Não sei o que há em mim que me envenena todas as horas da vida. Posso dizer como Duvernois: "Ma vie c'est une promenade de prisonnier dans un chemin de ronde. Je tourne et ne vois que des murs..." Às vezes, parece que tenho qualquer missão a cumprir, qualquer coisa a fazer; mas não sei o que é, não compreendo, e esta inquietação mina-me, roi-me; esta interrogação, esta contínua busca, cada vez mais ansiosa, dentro de mim mesma, desvaira-me. Estou hoje num dos meus dias maus, não lhe devia escrever; mas, erguer todos estes fantasmas em frente da sua alma compreensiva e boa, da sua alma amiga, é um alívio e um refrigério. Perdoe o egoísmo à sua pobre Soror Saudade; hoje mais Soror Saudade do que nunca. Às vezes sinto em mim uma elevação de alma, o vôo translúcido duma emoção em que pressinto um pouco do segredo da suprema e eterna beleza; esqueço a minha miserável condição humana, e sinto-me nobre e grande como um morto. É um instante... Tudo depois é tão vago, de tal maneira solto e impreciso, de tal forma inerte e passivo, que tenho a impressão nítida de ter vindo de longe cumprir a pena do crime de ter nascido. E de todas as minhas tristezas não tenho tirado nada. Boa? Não sei... creio que não. Perdoo facilmente as ofensas, mas por indiferença e desdém: nada que me vem dos outros me toca profundamente. O amor! Ah, sim, o amor! Linda coisa para versos! A minha dolorosa experiência ensinou-me que sou só, que por mais que a gente se debruce sobre o mistério duma alma nunca o desvenda, que as palavras nada exprimem do que se quer dizer e que um grande amor, de que a gente faz o sangue e os nervos e as próprias palpitações da nossa própria vida, não passa duma pobre coisa banal e incompleta, imperfeita e absurda, que nos deixa iguais, miseravelmente iguais ao que éramos dantes, ao que continuaremos a ser. Então... para quê?...
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Tenho imensa pena de lhe não poder dizer, com verdade, que sou feliz. Lembre-se de que eu sou um canceroso: podem as várias morfinas aliviar-me, curar-me nunca. Estou doente, tenho os nervos destrambelhados. Apetecia-me agora estar longe, longe, nesse claustro de Santa Cruz da sua linda Florença. Soror Saudade sentir-se-ia ali no seu lugar; a triste monja sem fé encheria o olhar da luz suave e amortecida, toda em sedas pálidas, que a tardinha lhe trouxesse, como um divino milagre, ao seu coração chagado. Soror Saudade quereria não pensar, sobretudo não pensar, quereria pousar as mãos, devagarinho, no rebordo duma taça de mármore onde dormisse um pouco de água limpa e contemplar, entre os muros do claustro, o céu, lá no alto; em campo azul, um heráldico pombo branco, enquanto lírios muito roxos, a seus pés, inclinassem a cabeça a meditar... O meu grande amigo dirá antes que Soror Saudade precisa, indiscutivelmente, duma cela em Rilhafoles...
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Gosto imenso do seu grande Ruben Darío. Mas também são dele estes dois belos versos:
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"Pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo. Ni mayor pesadumbre que la vida consciente".
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Os meus progressos em italiano! "Si on peut dire..." Mereço não 16 mas 0, ou ainda mesmo alguns décimos abaixo de 0. É muito difícil, muito, muito difícil. Eu é que tenho que lhe dar os parabéns pelo seu ótimo português: Bravo! Muito, muito bem! Achei graça à dificuldade do burel e do mel. Que trabalhos por minha causa, e que bondade a sua em se interessar assim por um bichinho tão pouco interessante como eu sou!
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Aguardo carinhosamente a promessa da sua visita. Que não fique apenas em promessa... Depressa, sim?
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Fez muito bem em ter dormido como um anjo, pois a causa da insónia seria uma ilusão como muitas... A minha boca é isso tudo só em verso... na realidade é pálida, fria e inexpressiva como a boca duma velhinha morta.
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Tinha assim um tão grande desejo que o Cristo bizantino o remoçasse? Que ideia! Para quê? Eu quereria antes que ele me envelhecesse vinte anos num só dia. Vinte anos! Tanto tempo! Que farei eu ainda de vinte anos, meu Deus?! Tanto, tanto tempo!...
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Envio-lhe os meus dois últimos sonetos. Tenho ultimamente trabalhado bastante. Charneca em Flor está pronto, visto e revisto, e não me parece mal. Que dirá o Mestre?...
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E adeus, um adeus que eu espero seja um "até breve" muito feliz.
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Bela.
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ESPANCA, Florbela. Afinado Desconcerto (contos, cartas, diários). Coleção Vera Cruz. Organização: Maria Lúcia Dal Farra. São Paulo: Editora Iluminuras, 2002.
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* Florbela Espanca e Guido Battelli, professor de História de Literatura Italiana da Universidade de Coimbra, começaram a se corresponder em 18 de junho de 1930. Além de confidente e entusiasta, foi responsável pela tradução de seus trabalhos para o italiano e pela publicação póstuma de algumas obras, dentre elas, Charneca em Flor. No interstício entre essa carta e seu falecimento, Florbela tentou o suicídio por duas vezes. Não resistiu à terceira tentativa, arrefecendo em 08 de dezembro de 1930, dia em que completaria 36 anos.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

Um "entre-lugar"...

The Creation of Adam (Hands Details), Michelangelo Buonarroti, 1510
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A capacidade de racionalizar nos difere mais que qualquer característica. Fomos com o passar das gerações aperfeiçoando, doutrinando o raciocínio, até que o pensamento lógico o converta na categorização e conceitualização das coisas. No entanto, existem territórios de natureza libertadora, intuitiva e incognoscível. Nesses casos, a busca pela compreensão os relativiza e generaliza. A arte é um exemplo claro.
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Dentro de seus ciclos históricos que abrangem várias épocas, transformações e manifestações sócio-culturais, a arte foi continuamente mudando e datando períodos, sem no entanto, encontrar na sua dimensão artística um conceito absoluto. Dizer-se-ia que arte não tem consenso. Que é o limiar mais íntegro entre o prevísivel e o imprevísivel, entre o sólito e o insólito, entre sonho e realidade. É um "entre-lugar" da razão e da emoção.
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Partindo do fascínio que o tema exerce, mergulhemos um pouco na história da arte na pintura, na versatilidade dos artistas e seus estilos nada herméticos.
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Periodização dos estilos:
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Pré História:
▪ Arte Paleolítica
▪ Arte Neolítica
▪ Arte Rupestre
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Idade Antiga:
▪ Arte Sumérica
▪ Arte Assíria
▪ Arte Babilônica
▪ Arte Persa
▪ Arte Egípcia
▪ Arte Celta
▪ Arte Germânica
▪ Arte Cicládica
▪ Arte Minóica
▪ Arte Micénica
▪ Arte Fenícia
▪ Arte Etrusca
▪ Arte Grega
▪ Arte Helenística
▪ Arte Romana
▪ Arte Paleocristã
▪ Arte Bizantina
▪ Arte Islâmica
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Idade Média:
▪ Arte Manuelita
▪ Arte Românica
▪ Arte Gótica
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Idade Moderna:
▪ Renascimento
▪ Maneirismo
▪ Barroso
▪ Rococó
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Idade Contemporânea:
▪ Neoclassicismo
▪ Academicismo
▪ Romantismo
▪ Realismo
▪ Naturalismo
▪ Impressionismo
▪ Pós-Impressionismo
▪ Pontilhismo e Divisionismo
▪ Simbolismo
▪ Decadentismo
▪ Art Nouveau
▪ Expressionismo
▪ Fauvismo
▪ Cubismo
▪ Abstracionismo
▪ Construtivismo Russo
▪ Suprematismo
▪ Realismo Socialista
▪ Futurismo
▪ Dadaísmo
▪ Surrealismo
▪ Pós Modernismo
▪ Pop Art
▪ Op Art
▪ Minimalismo
▪ Neoconcretismo
▪ Arte Conceitual
▪ Happening
▪ Performance
▪ Instalações
▪ Land Art
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Imaginando que seria impraticável expor cada período e suas ramificações nesse post, já por demais extenso, optei pelos estilos que mais aprecio e que comumente ilustram o blog.
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RENASCIMENTO
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A arte renascentista se desenvolveu entre 1300 e 1650, tendo o ideal do humanismo como espírito. Esse ideal enaltece a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.
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Principais Características:
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▪ Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria;
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▪ Realismo: o artista do Renascimento não vê o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a sua expressão mais grandiosa. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada;
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▪ Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos;
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▪ Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é marcado pelo ideal de liberdade;
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▪ Inicia-se o uso da tela e da tinta à óleo;
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▪ Tanto a pintura como a escultura que antes apareciam quase que exclusivamente como detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes.
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The Birth of Venus, Sandro Botticelli, 1485
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The Creation of Adam, Michelangelo Buonarroti, 1510
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Madona Litta, Leonardo da Vinci, 1490-91
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The Prophet Isaiah, Raffaello Sanzio, 1511-12
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MANEIRISMO
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O Maneirismo marca a transição entre a arte renascentista e a barroca. Desenvolveu-se de 1520 até meados de 1610 e é marcado por mudanças na Europa, que envolveram os movimentos religiosos reformistas e a consolidação do absolutismo em diversos países, o que determinou um grande êxodo de artistas e intelectuais. Começa então a decadência do Renascimento Clássico e os artistas são obrigados a buscar elementos (individualização) que lhes permitissem renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas.
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Principais Características :
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▪ Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente;
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▪ Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, que exibem detalhes minuciosos e cores brilhantes;
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▪ A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo efeito de sombras impressionantes;
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▪ Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem torneados do renascimento. Os músculos fazem agora contorsões praticamente impossíveis para os seres humanos;
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▪ Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva. Mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo.

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The Martyrdom of St. Maurice, El Greco, 1580-82
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Librarian, Giuseppe Arcimboldo, 1566
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St Mark Rescuing a Saracen from Shipwreck, Tintoretto, 1562-66
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BARROCO
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A arte barroca originou-se na Itália no século XVII, e contrapunha-se ao Maneirismo e as características remanescentes do Renascimento. Traduzindo os conflitos espirituais e religiosos da época, as obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, conciliando forças antagônicas: bem e mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; paganismo e cristianismo; espírito e matéria.
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Principais Características:
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▪ Composição assimétrica, em diagonal - que se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido, substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista;
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▪ Realista, abrangendo todas as camadas sociais;
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▪ Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática;
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▪ Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos), era um recurso que visava a intensificar a sensação de profundidade.
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The Sacrific of Isaac, Rembrandt, 1635
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David with the Head of Goliath, Caravaggio, 1609-10
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The Astronomer, Johannes Vermeer, 1668
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ROCOCÓ
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O estilo Rococó desenvolveu-se na Alemanha e Áustria e principalmente na França, a partir de 1715. Refletia o comportamento da elite francesa de Paris e Versailles, empenhada em traduzir a agradabilidade da vida, predominando assim, uma alegria na decoração carregada, na teatralidade, na refinada artificialidade dos detalhes, mas sem a dramaticidade pesada, nem a religiosidade do Barroco. Esse espírito se reflete até mesmo nas obras sacras, em que o amor de Deus pelo homem assume a forma de anjinhos rechonchudos.
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Principais Características:
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▪ Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos, tais como conchas, laços e flores;
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▪ Possui leveza, caráter intimista, elegância, alegria, bizarro, frivolidade e exuberante;
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▪ Deixa de lado os afrescos a fim de dar lugar aos arrases que pendem macios das paredes e torna íntimo e discretos os ambientes; aproveita os recursos do barroco, liberando-os de sua pesada dramaticidade por meio da leveza do traço e da suavidade da cor;
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▪ Desaparecem os intensos vermelhos e turquesas do Barroco, e a tela se enche de azuis, amarelos pálidos, verdes e rosa. As pinceladas são rápidas e suaves, movediças.

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The Setting of the Sun, François Boucher, 1752
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The Love Letter, Jean-Honoré Fragonard, 1770
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NEOCLASSICISMO
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O Neoclassicismo surgiu como movimento artístico a partir do final do século XVIII. Reagiu ao Barroco e ao Rococó, e reviveu os princípios estéticos da antigüidade clássica, atingindo sua máxima expressão por volta de 1830. Expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, após a Revolução Francesa e principalmente com o Império de Napoleão.
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Principais Características:
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▪ Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos;
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▪ Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes;
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▪ Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles;
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▪ As figuras eram rígidas, sem vida, e os rostos, completamente sem expressão. Na pureza das linhas e na simplificação da composição, buscava-se uma beleza deliberadamente estatuária. Os contornos eram claros e bem delineados, as cores, puras e realistas, e a iluminação, límpida.
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Andromache Mourning Hector, Jacques-Louis David, 1783
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Napoleon I, on the Imperial Throne, Jean-Auguste Ingres, 1806
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ROMANTISMO
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Assim como no Neoclassicismo, a Revolução Francesa e seus desdobramentos serviram de inspiração para o movimento que nasceu no século XIX, e que consolidaria definitivamente o ideal de uma época. Buscando em seu conteúdo, mais do que os valores de arte ou os efeitos emotivos, destacando principalmente a pintura histórica e em menos grau a pintura sagrada.
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Principais Características:
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▪ Aproximação das formas barrocas;
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▪ Composição em diagonal sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador;
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▪ As cores se libertaram e fortaleceram, dando a impressão, às vezes, de serem mais importantes que o próprio conteúdo da obra;
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▪ Dramaticidade;
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▪ O nacionalismo: sentimentos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade;
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▪ A paisagem passou a desempenhar o papel principal, não mais como cenário da composição, mas em estreita relação com os personagens das obras e como seu meio de expressão.
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A Prison Scene, Francisco de Goya, 1810-14
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Libert Leading the People, Eugène Delacroix, 1830
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REALISMO
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O Realismo que se manifestou entre 1850 e 1900, foi influenciado pela segunda fase da Revolução Industrial e pelas transformações que ocorreram no âmbito econômico, político, social e científico daquele período. Como resultado, surge um movimento artístico preocupado com a abordagem objetiva da realidade e pelo interesse por temas sociais. O realismo representa uma reação ao subjetivismo do romantismo e do Neoclassicismo.
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Principais Características:

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▪ Representação objetiva da realidade. O pintor buscava representar o mundo de maneira documental; a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram injusta; a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos;
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▪ Ao artista não cabe "melhorar" artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é;
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* Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade.
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Fishmonger, Iman Maleki, 1996
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Woman with a Parrot, Gustave Courbet, 1866
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IMPRESSIONISMO
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O Impressionismo revolucionou profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX. Sua maior característica foi atribuir importância fundamental à impressão lírico-subjetiva, relegando ao segundo plano toda a descrição objetiva de detalhes. O movimento foi uma reação contra o espírito greco-latino e a organização escolástica.
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Principais Características:
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▪ A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol;
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▪ As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens;
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▪ As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado;
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▪ Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos;
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▪ As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se ótica.
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La Promenade, La Femme à L'ombrelle, Claude Monet, 1875
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. Dance at Le Moulin de La Galette, Renoir, 1876
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EXPRESSIONISMO
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O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática, que utiliza cores irreais, para traduzir a desordem espiritual e a exaltação subjetiva, dando forma plástica ao amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição. Desenvolveu-se entre 1905 e 1930 paralelamente ao Futurismo, na Itália, influenciando os movimentos modernistas.
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Principais Características:
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▪ Pesquisa no domínio psicológico;
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▪ Cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas;
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▪ Dinamismo improvisado, abrupto, inesperado;
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▪ Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais;
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▪ Pasta grossa, martelada, áspera;
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▪ Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões;
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▪ Preferência pelo patético, trágico e sombrio.
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Senecio, Paul Klee, 1922
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Still Life with Apples and Oranges, Paul Cezànne, 1895-1900
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Starry Night Over the Rhone, Vicent Van Gogh, 1888
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The Scream, Edvard Munch, 1893
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The Laundress, Toulouse-Lautrec, 1889
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FAUVISMO
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O Fauvismo é o estilo marcado pela equivalência da luz e pela construção do espaço com auxílio exclusivo da cor. Este movimento, iniciado em 1905, revolucionou o conceito de cor na arte contemporânea, renegando a paleta de tons naturalistas dos Impressionistas e usando cores puras, sem misturá-las ou matizá-las.
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Principais Características:
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▪ Pincelada violenta, espontânea e definitiva;
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▪ Ausência de ar livre;
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▪ Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva, não correspondendo à realidade;
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▪ Uso exclusivo das cores puras, como saem das bisnagas;
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▪ Pintura por manchas largas, formando grandes planos.
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Odalisque on a Turkish Sofa, Henri Matisse, 1928
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The Boats, André Derain, 1905
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CUBISMO
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O movimento surgiu por volta de 1919 e tinha o objetivo de se afastar da representação naturalista, conseguindo mostrar formas sobre a superfície do quadro a partir de vários ângulos, como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador.
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Principais Características:
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▪ Geometrização das formas e volumes;
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▪ Renúncia à perspectiva;
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▪ O claro-escuro perde sua função;
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▪ Representação do volume colorido sobre superfícies planas;
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▪ Sensação de pintura escultórica;
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▪ Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.
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The Kiss, Pablo Picasso, 1969
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Head of a Woman, Georges Braque, 1909
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ABSTRACIONISMO
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Estilo que teve início no século XX, o Abstracionismo é a arte que se opõe à arte figurativa ou objetiva. Tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.
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Principais Características:
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▪ Compreensão da pintura como meio de emoções intensas;
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▪ Execução cheia de violenta agressividade, espontaneidade e automatismo;
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▪ Destruição dos meios tradicionais de execução - pincéis, trincha, espátulas, etc;
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▪ Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes, utilizando tinta à óleo, pasta espessa de areia, vidro moído.
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Yellow Red Blue, Kandinsky, 1925
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The Knife Sharpener, Kasimir Malevith, 1912
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SURREALISMO
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Movimento artístico surgido na França em 1924 através do "Manifesto Surrealista". Apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo, no entanto, se os dadaístas propunham apenas a destruição da arte acadêmica, os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a criação de uma nova, a ser organizada em outras bases.
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A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja, qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas tentavam projetar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.

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Principais Características:
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▪ Valoriza a intervenção fantasiosa na realidade;
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▪ Ressalta o automatismo contra o domínio da consciência;
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▪ As formas da realidade são completamente abandonadas;
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▪ Explorar o inconsciente, o sonho, a loucura; aproximar-se de tudo que fosse antagônico à lógica e estivesse fora do controle da consciência.
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Metamorphosis of Narcissus, Salvador Dalí, 1936-37
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Swallow Love, Miró,1934
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Moses Nucleus of Creations, Frida Kahlo, 1945
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Fonte de pesquisa:
MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. Linha do Tempo. Disponível em:
http://www.historiadaarte.com.br/linhadotempo.html, acesso em 17 dezembro de 2009.
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