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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"... deve dar-se sem nada de volta, assim como o pensamento é dado na solidão em toda a excelência do seu excesso..."

Café Müller, Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, de 1978
cena extraída do filme "Pina", direção de Wim Wenders, 2011
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Eu-te-amo. A figura não se refere à declaração de amor, à confissão, mas ao repetido proferimento do grito de amor.

Eu-te-amo não tem nuanças. Dispensa as explicações, as organizações, os graus, os escrúpulos. De uma certa forma - paradoxo exorbitante da linguagem -, dizer eu-te-amo é fazer como se não existisse nenhum teatro da fala, e é uma palavra sempre verdadeira (não tem outro referente a não ser seu proferimento: é um performativo).

(Embora seja dito milhões de vezes, eu-te-amo não está no dicionário; é uma figura cuja definição não pode exceder o título.)

A palavra (a palavra-frase) só tem sentido no momento em que eu a pronuncio: não há nela outra informação a não ser seu dizer imediato: nenhuma reserva, nenhum depósito do sentido. Tudo está no lançamento: é uma "fórmula", mas essa fórmula não corresponde a nenhum ritual; as situações em que digo eu-te-amo não podem ser classificadas: eu-te-amo é irreprimível e imprevisível.

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Roland Barthes, in: Fragmentos de um Discurso Amoroso.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

"Na significação, três coisas."

Three Studies for a Self-Portrait, Francis Bacon, 1976
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"Na significação, tal como ela é concebida desde os estóicos, há três coisas: o significante, o significado e o referente. Mas agora, se imagino uma lingüística do valor (entretanto, como edificá-la, permanecendo nós mesmos fora do valor, como edificá-la “cientificamente”, “lingüisticamente”?), essas três coisas que existem na significação não são mais as mesmas; uma é conhecida, é o processo de significação, domínio habitual da linguística clássica, que nele se detém, se mantém e proíbe que dele se saia, mas as outras o são menos. São a notificação (assento minha mensagem e assento meu ouvinte) e a assinatura (exibo-me, não posso evitar de me exibir). Por essa análise, não faríamos mais do que desdobrar a etimologia do verbo “significar”: fabricar um signo, fazer sinal (a alguém), reduzir-se imaginariamente a seu próprio signo, sublimar-se nele."
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Roland Barthes.
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