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terça-feira, 25 de outubro de 2016

"O que será puro, no mundo, quando as palavras se abastardarem?... Principalmente as palavras de carne, lacerados pedaços de angústias..."

Marchers (Les Marcheurs), Gao Xingjian, 2013
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"Pomos uma palavra no ponto onde nossa ignorância começa, para além do qual não conseguimos enxergar, como por exemplo a palavra Eu, a palavra estou, a palavra sofrendo elas são talvez o horizonte de nosso conhecimento, mas não verdades..."
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F. Nietzsche.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Espaços vãos.

Rest, Vilhelm Hammershoi, 1905
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"Existem pessoas tão habituadas a estar só consigo mesmas, que não se comparam absolutamente com outras, mas, com disposição alegre e serena, em boas conversas consigo e até mesmo sorrisos, continuam tecendo sua vida-monólogo. Se as levamos a se comparar com outras, tendem a uma cismadora subestimação de si mesmas: de modo que devem ser obrigadas a reaprender com os outros uma opinião boa e justa sobre si: e também dessa opinião aprendida quererão deduzir e rebaixar alguma coisa. Portanto, devemos conceder a certos indivíduos a sua solidão e não ser tolos a ponto de lastimá-los, como freqüentemente sucede."

Nietzsche, in: Humano, Demasiado Humano.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Prescrição...

Man's Head, self portrait, Lucian Freud, 1963
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"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia."
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Nietzsche.
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Upgrade:
Modifiquei a foto das "águas-vivas" encontrada no google imagem, depois de receber um comentário do autor, reivindicando com veemência a sua exclusão resguardado por direitos autorais. A mensagem foi um tanto ríspida e tão confusa, que gerou um erro de interpretação. O fato é que descobri (com auxílio de uma leitora do blog) que se tratava de uma fotografia da Cinelândia (já deletada!), vinculada ao post: "O pretérito-mais-que-perfeito."

Certo dia me perguntaram por que havia de ter um blog, não soube responder de pronto, mas certamente desejo que algo seja visto, dito, ouvido, compreendido. Alguns processos derivam de mim, e tantos outros de terceiros, aos quais me relativizam, decodificam ou inspiram, mas que em detrimento disso, merecem respeito e menção de seus inspiradores feitos.
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Na imagem, devidamente creditada, como de praxe, um auto-retrato do pintor Lucian Freud, neto do pai da psicanálise. A frase do Nietzsche em equivalência de imagem.
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Rio, 12/01/2010.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por onde anda a civilidade perdida?!

Narcissus, Caravaggio, 1597
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"Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos? Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas… que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência? No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é, parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso?"
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Nietzsche, in: A Vontade de Poder.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Esperando Godot" no escurinho do cinema...

Samuel Beckett, © foto de John Minihan, 1969
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Fim de festa... 2 semanas, 51 filmes, mais de 90 horas de projeções.
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Havia uns bons anos que não conseguia dar vazão ao meu ufanismo cinéfilo e acompanhar tão de perto o Festival de Cinema do Rio, que diga-se de passagem, esteve muito regular. Teve diretores alçados ao posto de gênios (com louvor) por alguns de seus trabalhos e que por isso, não se espera nada menos que o melhor de suas criações. É o caso do Pedro Almodóvar e do Quentin Tarantino. O diretor espanhol abriu mão da sua indefectível marca tragicômica em Abraços Partidos. As auto referências continuam lá, mas com um Almodóvar mais dramático e menos kitsch. Já Tarantino se mantém fiel ao seu estilo verborrágico e sanguinolento, em Bastardos Inglórios. Qual adjetivo melhor para o diretor que retrata um filme com temática de guerra (ocupação nazista!), sem se preocupar com ambientação histórica? Ambos são bons filmes, mas nenhuma obra-prima na filmografia de ambos.


Outro grande nome, Ang Lee, passou com média superior aos seus colegas. Aconteceu em Woodstock é um excelente filme, e consolida sua versatilidade como diretor que passeia por linguagens tão diversas como as de Razão e Sensibilidade, O Tigre e o Dragão, Desejo e Perigo e Brokeback Moutain.

Outros filmes altamente recomendáveis são: O Segredo Dos Seus Olhos, Five Minutes of Heaven, Nova York Eu Te Amo, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Distante Nós Vamos, Teatro de Guerra, Aquário, O Desinformante, The Burning Plain, Tokyo, A Margem do Lixo, The White Ribbon, As Praias de Agnes e (500) Dias Com Ela.

Acredito que boa parte deles entre em circuito nas próximas semanas. Vale conferir! Entretanto, há sempre o que nos desperta maior ou menor entusiasmo. Neste caso, o meu filme "pulga de cadeira" foi Eu, Ela e Minha Alma. Cópia sem vergonha do clássico do Michel Gondry, o adorável Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças.

Já o preferido é brasileiro, fruto de uma adaptação homônima do teatro, A Falta Que Nos Move. A história é simples. Trata-se de um encontro entre cinco amigos numa casa, onde bebem e conversam, enquanto preparam o jantar para uma sexta pessoa que ninguém sabe quem é, e a que horas vai chegar. Até aí nenhum prêmio de roteiro original. O pulo do gato fica no experimentalismo com que a diretora Christianne Jatahy retrata os limites entre a realidade e a ficção. Essa linguagem se traduz nas 13 horas ininterruptas em que o filme foi rodado, na questão dos atores serem também personagens, já que são chamados pelos próprios nomes, e na condução da direção, que se apoiou num roteiro pré-estabelecido, mas foi feita exclusivamente por mensagens de celular durante a filmagem.

O espectador é levado a refletir sobre o que é real ou encenação, em que momento os atores estão sendo eles mesmos, afinal seria possível viver um personagem ao longo de treze horas? Durante o período (que às vezes soa bem atemporal) em que eles aprontam o tal jantar, vêm à tona dores humanas, carência, amor, cumplicidade, rupturas, ausências... é quando num dado momento, percebemos que o convidado nunca vai chegar.

Imperdível filme, do tipo que instiga pela metalinguagem, e faz pensar que quando somos confrontados com a ausência de algo, cada qual reage de uma forma. Uns valorizam, outros tornam-se melancólicos ou amargos, encontram substitutivos, resignam-se ou mudam o estado das coisas... o fato é que sempre vai existir uma falta que nos move, o que diverge, é para onde.


Lembrando que tem repescagem de alguns filmes do festival a partir dessa sexta-feira até o dia 15 de outubro, somente no Espaço de Cinema 1, 2 e 3.
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Informações sobre os filmes e horários do repeteco no site do festival.
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Para quem perdeu, eis uma boa oportunidade. Para mim, já deu. Até o ano que vem!
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"Toda filosofia esconde também uma filosofia. Toda opinião é também um esconderijo, toda palavra também uma máscara."
Nietzsche.
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