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terça-feira, 2 de julho de 2013

Mulheres à beira-mar...

Naiad 2, Janaína Tschäpe, 2004
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Confundido os seus cabelos com os cabelos
do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e 
tão denso em plena liberdade.
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Lançam os braços pela praia fora e a brancura 
dos seus pulsos penetra nas espumas.
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Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.
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Com a boca colada ao horizonte aspiram longa-
mente a virgindade de um mundo que nasceu.
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O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.
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E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.
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Sophia de Mello Breyner.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Revolução - Descobrimento.

A Poesia está na Rua, Maria Helena Vieira da Silva, 1974
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Revolução isto é: descobrimento 
Mundo recomeçado a partir da praia pura 
Como poema a partir da página em branco 
— Catarsis emergir verdade exposta 
Tempo terrestre a perguntar seu rosto. 
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Sophia de Mello Breyner, in: O Nome das Coisas.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nem mesmo as palavras são nossas. Pouco ou quase nada é.

Newtown, Connecticut, André Kertész, 1959





A voz sobe os últimos degraus
Ouço a palavra alada impessoal
Que reconheço por já não ser minha.

Sophia de Mello Breyner, in: Último Poema de Ilhas.

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