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domingo, 17 de janeiro de 2016

Charlotte Rampling e um Soneto Camoniano

Charlotte Rampling, cena do filme "45 anos"dir. Andrew Haigh, 2015
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Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
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Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
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Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá m'esconde
Amor um mal que mata e não se vê:
Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e doí não sei por quê.
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Luís de Camões.
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BERARDINELLI, Cleonice. Cinco Séculos de Sonetos Portugueses: de Camões a Fernando Pessoa. Ed. Casa da Palavra, 2013.
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sábado, 26 de dezembro de 2009

Haveres...

Debussy, Clair de Lune, por Angela Hewitt
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
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Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
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O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.
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E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.
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 Luís Vaz de Camões.

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