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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Música para curar a alma: Nathalie Stutzmann

Erbarme dich, The St. Matthew Passion, BWV 244, Sebastian Bach, 1727.


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É tão difícil amar
neste mundo imperfeito
é difícil dizer alguma coisa
que não seja um equívoco
é difícil encontrar
o peso correto
das coisas
saber nosso próprio tamanho
olhar alguns bichos nos olhos
pensar com doçura
aproveitar adequadamente a luz
desejar para o pássaro um destino de pássaro,
para a seda, um destino de seda.

Ana Martins Marques.
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domingo, 9 de junho de 2019

Música para curar a alma: Madonna

Dark Ballet, faixa do álbum "Madame X", Live Nation, Interscope Records e Maverick, a ser lançado em 14 de junho de 2019.
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Madonna, mais uma vez, expandindo o conceito de cultura pop para algo muito maior. Ao evocar uma Joana D'arc personificada no corpo de um homem negro, gay, transgênero não-binário e soropositivo (o rapper, poeta e ativista americano Mykki Blanco), ela toca em questões contemporâneas e absolutamente pertinentes. Julgar e sumariamente condenar continua sendo uma prática, sobretudo se você pertence a uma minoria. Nenhum outro artista pop soa tão competente ao criar pequenas narrativas audiovisuais que se sobrepõem ao mero intuito de entreter. Música, cinema, fotografia, teatro, artes plásticas, moda, religião e comportamento — temas recorrentes no universo da artista — estão  presentes em "Dark Ballet" e habilmente condensados em camadas e mais camadas de simbolismo e poesia.  
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terça-feira, 9 de abril de 2019

"Diante da dor dos outros..."

Beth Gibbons, Sinfonia No.3, Mov. III: Lento - Cantabile-Semplice, Henryk Górecki
Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa, regência: Krzysztof Penderecki, 2019
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Homens atiram 80 vezes em um carro de família assumindo o risco de matar porque o extermínio de símbolos de insignificância social, racial, sexual, econômica e ideológica tornou-se coisa banal. E você se incomoda ou mesmo chora se ainda lhe resta algum resquício de consciência. E desacredita e pragueja e se enfraquece. Tudo é muito vil e feio, vil e feio. Então, esses mesmos homens — os que ainda resistem a brutalidade, a arbitrariedade e ao adoecimento psíquico — enxergam a beleza contida no mundo, se inspiram e se apiedam dele, de sua condição ainda primeva e celestial, 'sempre' a resistir à nossa virulência opressiva e devastadora; e criam poesia. Compõem músicas, tocam instrumentos, esculpem, pintam, cultivam flores e frutos, a manutenção dos afetos... e cantam. Cantam ainda que seja um lamento.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Música para curar a alma: Lauryn Hill

Superstar, faixa do álbum "The Miseducation of Lauryn Hill", Columbia Records, 1998. 
o primeiro álbum solo e único de estúdio completou 20 anos de lançamento em agosto. 
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quinta-feira, 13 de abril de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Música para curar a alma: Carminho

Inútil Paisagem, faixa do álbum "Carminho Canta Tom Jobim", música de Tom Jobim e letra de Aloysio de Oliveira
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domingo, 29 de janeiro de 2017

"C’est beau la vie, la longue vie..."

Emmanuelle Riva (24/02/1927 - 27/01/2017)
Hiroshima Mon Amour, Dir. Alain Resnais, 1959
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recusa-se a tocar a
mãe desta expectativa
que desperdiça
tantas secreções
em seu sistema
de produtos 
mensais emmanuelle 
riva em 'hiroshima 
mon amour'
& 'bleu' o esquecimento
da amante
ontem a esclerose
da mãe amanhã
azul a água
dissolução da 
memória ah! a
memória deixe-a
à mercê da
manhã
no entanto
sabe que só 
a expectativa
fertiliza
a perda a
predileção
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Ricardo Domeneck.
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Amour, Dir. Michael Haneke, 2012
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sábado, 27 de agosto de 2016

Música para curar a alma: Gal Costa

Derradeira Primavera, faixa do álbum "Gal Costa canta Tom Jobim", 1999
música de Antônio Carlos Tom Jobim e Vinícius de Moraes
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domingo, 24 de abril de 2016

Música para curar a alma: Ella Fitzgerald (2)

Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Songbook, 1956, Verve Records (Pt.1)
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Ella Fitzgerald Sings The Cole Porter Songbook, 1956, Verve Records (Pt.2)
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Nina Simone era uma força da natureza; Billie Holiday cantava como se estivesse em carne viva; Sarah Vaughan, com a melhor de todas as técnicas; mas Ella Fitzgerald era a própria música; e sua voz o mais harmonioso e afinado dos instrumentos.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Música para curar a alma: Maria João Pires

Partita No.1 in Si Bemol Maior, BWV 825, Johann Sebastian Bach
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A chave da música de Bach: o desejo de evadir-se do tempo. A humanidade não conheceu outro gênio que tenha apresentado com maior pathos o drama da queda do tempo e a nostalgia do paraíso perdido. As evoluções de sua música dão uma grandiosa sensação de ascensão em espiral até os céus. Com Bach nos sentimos nas portas do paraíso; nunca nele. A pressão do tempo e o sofrimento do homem caído no tempo amplificam a saudade de mundos puros, mas não nos transportam para eles. O pesar pelo paraíso é tão essencial nesta música que nos perguntamos se Bach teve alguma vez lembranças que não fossem as do paraíso. Um imenso e irresistível apelo ressoa profeticamente nela e qual é o sentido desse apelo senão tirar-nos deste mundo? [...] Quem, no êxtase desta música, não tenha sentido o transitório de sua condição natural e não tenha vivido a série de mundos possíveis que se interpõem entre o paraíso e nós não entenderá por que suas tonalidades estão constituídas por beijos de anjos.
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Emil Cioran, in: O Livro das Ilusões.
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domingo, 24 de maio de 2015

Música para curar a alma: Georg Solti

La Traviata, Ato I. prelúdio, de Giuseppe Verdi, 1853
com a Orquestra da Royal Opera House, gravado em 1994
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domingo, 17 de maio de 2015

Música para curar a alma: Kirsten Flagstad


O Divine Redeemer, de Charles Gounod, 1893

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a gravação de Flagstad é sublime, mas vale mencionar a interpretação
ao vivo - e impecável - da mezzo-soprano Elina Garanca.
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quinta-feira, 5 de março de 2015

Música para curar a alma: Maria Callas (4)

Depuis de Jour, ária da Ópera Louise, de Gustave Charpentier, 1900
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Depuis le jour où je me suis donnée,
toute fleurie semble ma destinée.

Je crois rêver sous un ciel de féerie,
l’âme encore grisée de ton premier baiser!
Quelle belle vie! Mon rêve n’était pas un rêve!
Ah! Je suis heureuse!
L’amour étend sur moi ses ailes!
Au jardin de mon coeur chante une joie nouvelle!
Tout vibre, tout se réjouit de mon triomphe!
Autour de moi tout est sourire, lumière et joie!
Et je tremble délicieusement
au souvenir charmant
du premier jour
d’amour!
Quelle belle vie!
Ah! je suis heureuse! trop heureuse…
Et je tremble délicieusement
au souvenir charmant
du premier jour
d’amour!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"... deve dar-se sem nada de volta, assim como o pensamento é dado na solidão em toda a excelência do seu excesso..."

Café Müller, Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, de 1978
cena extraída do filme "Pina", direção de Wim Wenders, 2011
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Eu-te-amo. A figura não se refere à declaração de amor, à confissão, mas ao repetido proferimento do grito de amor.

Eu-te-amo não tem nuanças. Dispensa as explicações, as organizações, os graus, os escrúpulos. De uma certa forma - paradoxo exorbitante da linguagem -, dizer eu-te-amo é fazer como se não existisse nenhum teatro da fala, e é uma palavra sempre verdadeira (não tem outro referente a não ser seu proferimento: é um performativo).

(Embora seja dito milhões de vezes, eu-te-amo não está no dicionário; é uma figura cuja definição não pode exceder o título.)

A palavra (a palavra-frase) só tem sentido no momento em que eu a pronuncio: não há nela outra informação a não ser seu dizer imediato: nenhuma reserva, nenhum depósito do sentido. Tudo está no lançamento: é uma "fórmula", mas essa fórmula não corresponde a nenhum ritual; as situações em que digo eu-te-amo não podem ser classificadas: eu-te-amo é irreprimível e imprevisível.

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Roland Barthes, in: Fragmentos de um Discurso Amoroso.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

"É sempre bom lembrar... que a dor ocupa metade da verdade..."

"Copo Vazio", faixa do álbum "Gil Luminoso", de 2006
 gravada originalmente por Chico Buarque, em 1974, para o álbum "Sinal Fechado, a composição é do próprio Gil
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Ontem assisti "O Homem das Multidões", de Cao Guimarães e Marcelo Gomes. Se é sempre constrangedor observar pessoas levantando e abandonando um filme no meio da projeção, é absolutamente lindo que ao final dela alguns tipos de alma permaneçam com seus olhos marejados e seus silêncios.
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"Aqui tudo grita silenciosamente,
e, tirando o chapéu,
sinto-me encanecer
lentamente.
E eu próprio
sou um maciço grito sem som..."
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Ievgueni Ievtuchenko.

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