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sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Como isolar a alma se ela é corpo..."

The Reunion of the Soul and the Body, William Blake, 1808
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(...)
Quis possuir a alma
possuí-la um instante,
numa respiração
que a conjugasse
em suas potências
e fosse alma
em corpo atravessada.

Quis possuir a alma
mas de súbito
é uma conspiração
de antigos súditos
que a obriga sucumbir.
E é luz varando luz
de inerte vinco.

Quis possuir a alma,
a rebelião mais pura
de ser Deus
no Deus que me conjura.

Quis possuir a alma
como se um arado empurrasse
na soga deste instante
o corpo amado
para o corpo amante.

Quis possuir a alma
e a vislumbrei inteira
e alheia corpo adentro
como se alguma barca
fosse somente vento.

Fui condenado ao corpo.
Como isolar a alma,
se está morto?

Como isolar a alma
se ela é corpo
e sabe conluiar os elementos
de sua retração, seu desespero?

Mas o corpo transgride
onde fora trancado.
E é vivo o condenado,
mesmo se a alma já morreu
nos arredores.

Se o corpo não é seu,
alma estende
a renitência a outras,
entre as formas do céu
e dos planetas.

Eu tive a rebelião
de ser um corpo.
Fui condenado a Deus,
a seu estado mais feroz,
aquele que, de amor,
as coisas tremem
e as vozes não conseguem separar.
(...)

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Carlos Nejar.
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domingo, 10 de abril de 2011

O Ser e O Nada...

Nabucodonosor, William Blake, 1795
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(( Pessoas são mais importantes do que coisas ))
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Isso deveria virar slogan em outdoor.

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Teoriza-se muito sobre a automatização do cotidiano, o acesso a informação, o estilo de vida que exige cada vez mais tempo, resultados e a padronização do indivíduo; e suas influências na formação de uma sociedade com perfil misantrópico.
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Antes que Marshall McLuhan discutisse a interferência dos meios de comunicação na sociedade, Jean-Jacques Rosseau já havia proposto que as formas celulares de organização social nivelam e artificializam nosso modo de ser.
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Teorias, teorias, teorias... embasadas, legítimas, discutíveis, distintas, incompreensíveis, brilhantes, teorias.
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Talvez a existência seja mais simples, como quase sempre é, e só exista uma única regra básica: pessoas são mais importantes do que coisas!
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Não se pode imaginar que alguém tenha um desenvolvimento sádio, sem que lhe seja devotado tempo de qualidade, sem educação, sem afetividade, sem atenção, sem respeito, sem limites, sem exemplos, sem responsabilidades, sem bom senso e coerência.
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É imoral se furtar ou delegar a outros a responsabilidade de criar um repositório de valores na formação de uma pessoa.
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Embora não signifique a cura para os males do mundo, ainda assim é o antídoto mais eficaz contra a bestialização.
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"O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo."
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Jean Paul Sartre, in: O Existencialismo é um Humanismo.
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