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domingo, 8 de dezembro de 2013

"...e minhas caminhadas nunca findarão..."

Study Head of a Woman Looking Up, Anthony van Dyck, 1618-20
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E o que é que vai ficar?
Suspiro, sofro, busco,
e minhas caminhadas
nunca findarão.
A sombra escura
que já persigo desde o começo
leva-me a profundas solidões invernais.
Lá eu fico quieta (…).
Fantasmas azuis saltam para o aposento.
Os que partiram, perdidos diante de mim,
Exigem como homens um antigo direito.
Agora são pagos com flores
que viram muitos verões
e que neste inverno caem irrompendo.
As árvores aninham frio diante de si
e lágrimas, que me atraiu o brilho da lua,
pendem no gelo como espigas secas.
Assim, como ali, sobre o iceberg,
os há muito falecidos escorreram seu sangue,
eu os sigo, para fazer o mesmo.
Ouço os séculos em minha direção
E não quero estar lá apagada inteira.
A sombra, que tão longe quer ir,
tento oprimir com meu rastro
apenas temendo desperdiçar-me
em vão.
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Ingeborg Bachmann.
Tradução: Cláudia Cavalcanti.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Agenda: Queremos Miles, Di Cavalcanti, Mestres da Gravura...

St. John, Hendrick Goltzius, 1589



"Mestres da Gravura na Coleção da Biblioteca Nacional" é o programão a ser apreciado no Centro Cultural dos Correios até o dia 18 de setembro.

A exposição reúne 171 obras, de 82 gravadores estrangeiros, e compreende o período entre os séculos XV ao XVIII. Todas as gravuras são originais e compõem o acervo de 30 mil gravuras da Biblioteca Nacional, uma das dez maiores coleções do mundo, segundo a UNESCO.

O conjunto é dividido por ondem cronológica respeitando o nascimento dos artistas e a nacionalidade das coleções. Alemanhã, Holanda, Itália, França, Inglaterra, Espanha, Países Baixos e Portugal, são os países representados na mostra. As técnicas predominantes são a xilogravura, que é a gravação em prancha de madeira, e o talho-doce, gravado em prancha de metal.

Entre os trabalhos expostos, apreciar-se-ão obras de Albretch Dürer, Rembrandt, Hendrick Goltzius, Francisco de Goya, Lucas Cranach, Andrea Mantegna, Guido Reni, Israel van Meckenen, William Hogarth, José de Ribera, Nicolas Ennes Visscher, Annibale Carracci, François Perrier, Giambattista Piranesi, Manuel Salvador Carmona, Jacques Callot, Joaquim Manuel da Rocha... entre outros. Imperdível!!




Study of an Apostle's Hands (Praying Hands), Albrecht Dürer, 1508



Self-Portrait with a Cap Openmouthed, Rembrandt, 1630



Self-Portrait of Piranesi, Giambattista Piranesi, 1756



Nemesis (The Great Fortune), Albrecht Dürer, 1501-1503



Paulus Du Pont, Anthony van Dyck, 1641



The Captivity is as Barbarous as the Crime, Francisco de Goya, 1810



Head of Christ on the Sudarium, Claude Mellan, 1649



Head of Christ on the Sudarium (detail), Claude Mellan, 1649



A Midnight Modern Conversation, William Hogarth, 1733



The Drunken Silenus, Jusepe de Ribera, 1628



Judgement of Paris, Marco Antonio Raimondi, 1515



Exposição "Mestres da Gravura na Coleção da Biblioteca Nacional"
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro
Ter à Dom, das 12h às 19h
De 28 de julho à 18 de setembro
Entrada gratuita




Mulheres Facetadas, Di Cavalcanti,1968



Também no Centro Cultural dos Correios, que de tempos em tempos acerta a mão na seleção de trabalhos, a exposição "Di Cavalcanti – do Desenhista ao Pintor". O artista carioca comumente festejado por suas pinturas, também trabalhou como desenhista de jóias. O visitante tem acesso a 108 desenhos e 11 peças exclusivas, com seus croquis originais. Estão expostas ainda seis pinturas a óleo: Retrato de Ivete, de 1969; Mulata com Casario, de 1963; Mulheres Facetadas, de 1968; Pássaros, de 1960; Mulher do Chapéu Amarelo, de 1964 e Carnaval, de 1970


Exposição "Di Cavalcanti – do Desenhista ao Pintor"
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro
Ter à Dom, das 12h às 19h
De 27 de julho à 18 de setembro
Entrada gratuita




Segregated Water Fountains, © foto de Elliott Erwitt, 1950



Últimos dias para conferir alguns dos maiores fotógrafos da história. A exposição "Extremos – Fotografia na Coleção da Maison Européene de La Photographie", reúne 115 imagens registradas nos últimos 65 anos. Trabalhos de Sebastião Salgado, Irving Penn, Ansel Adams, Claudia Andujar, Elliott Erwitt, Henri Cartier-Bresson, Manuel Álvarez Bravo, Raymond Depardon, Jean-Philippe Charbonnier, para citar alguns. Em comum a todas, o olhar que capta a beleza, a perplexidade, a dor, a transcendência; de momentos extremos que eternizaram as transformações da sociedade nesse período.


Exposição "Extremos: Fotografias na Coleção da Maison Européene de La Photographie"
Instituto Moreira Salles
Rua Marques de São Vicente, 476, Gávea
Ter à Sex, das 13h às 20h
Sáb, Dom e Feriados, das 11h às 20h
De 12 de junho à 28 de agosto
Entrada gratuita





Blue in Green, faixa do álbum "Kind of Blue", Miles Davis, 1959



Miles Davis, para muitos a maior lenda do jazz, ganha retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil. "Queremos Miles – Miles Davis", traz uma coletânea de fotos, documentos, entrevistas, objetos pessoais, partituras, instrumentos do próprio Miles e de músicos que conviveram com ele, como um saxofone de John Coltrane; além de pinturas e desenhos em sua homenagem, como o acrílico sobre tela, "With Strings", pintado por Jean-Michel Basquiat, em 1983.



Exposição "Queremos Miles – Miles Davis, lenda do jazz"
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66
Ter à Dom, das 9h às 21h
De 02 de agosto à 28 de setembro
Entrada franca


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Variações sobre um mesmo tema: São Jorge e o Dragão


Jorge de Capadócia, Caetano Veloso
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É bem verdade que São Sebastião é o padroeiro legítimo da cidade do Rio de Janeiro, mas talvez não seja tão festejado e reverenciado quanto São Jorge. Reza a história, que o mártir nasceu durante o século terceiro entre 275 e 285 dC. em Capadócia, região da Anatólia, hoje parte da Turquia.
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Aos 17 anos de idade, alistou-se na cavalaria do exército romano em Nicomédia, durante o reinado do imperador Diocleciano. Este tinha interesse em instaurar o paganismo romano. Para tanto, emitiu um decreto que mandava destruir igrejas e cerceava direitos de quem admitisse ser cristão.
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São Jorge se opôs ao decreto imperial, mantendo-se fiel ao cristianismo e rebelando-se contra os excessos do Imperador. Diocleciano tentou convencê-lo, primeiro com recompensas, que foram recusadas, depois torturando-o de várias formas. Reconhecendo a inutilidade de seus esforços, mandou degolá-lo em 23 de abril de 303 d.C.
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São Jorge foi canonizado em 494 d.C., pelo Papa Gelásio I. É padroeiro da Inglaterra e de várias cidades européias. No Brasil, parte da devoção ao Santo Guerreiro extravasa a liturgia católica e se ramifica dentro da mitologia Yorubá, sob a representação do orixá Ogum.
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A alegoria do dragão dentro das representações pictóricas de São Jorge:
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St. George Praying After Slaying the Dragon, Heinrich Lefler, Data incerta
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St. George On Horseback, Albrecht Dürer, 1505-08
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St.George Killing The Dragon, Jacopo Bellini, Séc. XV

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St. George Killing the Dragon, Eugene Delacroix, Data incerta

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St. George and the Dragon (detail), Vittore Carpaccio, 1516

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St. George Slaying the Dragon, Hans Von Aachen, Data incerta

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St. George and the Dragon, Gustave Moreau, Data incerta

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St. George and the Dragon, Antony Van Dyck, Data incerta
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St. George and the Dragon, Tintoretto, 1555-58
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St. George and the Dragon, Raffaello Sanzio, 1505-06
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St. George on Horseback, Mattia Preti, 1658

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St. George Slays the Dragon, Lucas Cranach (the elder), Data incerta
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St. George Fighting the Dragon, Peter Paul Rubens, 1606-10.
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"...Após tanto saber, que perdão? Suponha agora
Que a história engendra muitos e ardilosos labirintos,
estratégicos
Corredores e saídas, que ela seduz com sussurrantes ambições,
Aliciando-nos com vaidades. Suponha agora
Que ela somente algo nos dá, enquanto estamos distraídos
E, ao fazê-lo, com tal balbúrdia e controvérsia o oferta
Que a oferenda esfaima o esfomeado. E dá tarde demais
Aquilo em que já não confias, se é que nisto ainda confiavas,
Uma recordação apenas, uma paixão revisitada. E dá cedo
demais
A frágeis mãos. O que pensado foi pode ser dispensado
Até que a rejeição faça medrar o medo. Suponha
Que nem medo nem audácia aqui nos salvem. Nosso heroísmo
Apadrinha vícios postiços. Nossos cínicos delitos
Impõem-nos altas virtudes. Estas lágrimas germinam
De uma árvore em que a ira frutifica..."
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T.S. Eliot, in: Gerontion's.
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