Pensamento dando para pensamento
Faz de alguém um olho.
Um é a mente cega-de-si,
O outro é pensamento ido
Para ser visto de longe e não sabido.
Assim se faz um universo brevemente.
A
suposição imensa nada em círculos,
E cabeças ficam mais
sábias
Enquanto notam a grandeza,
E a dimensão
imbecil
Espaça a Natureza,
E
ouvidos reportam primeiro os ecos,
Depois os sons, distinguem
palavras
Cujos sentidos chegam por último ─
Vocabulários
jorram das bocas
Como por encanto.
E assim falsos
horizontes se ufanam em ser
Distância na cabeça
Que a
cabeça concebe lá fora.
O
maravilhar-se, que escapa dos olhos,
Regressa a cada lição.
O
tudo, antes segredo,
Agora é o conhecível,
A vista da
carne, a grandeza da mente.
Mas
e quanto ao sigilo,
Pensamento individido, pensando
Um todo
simples de ver?
Essa mente morre sempre instantaneamente
Ao
prever em si, de repente demais,
A visão evidente
demais,
Enquanto lábios sem boca se abrem
Mudamente
atônitos para ensaiar
O verso simples e impronunciável.
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Laura Riding.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
"Pensamento individido, pensando um todo simples de ver?"
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O curso de um dia nunca é constante.
As horas experimentam dor e prazer.
Na hora da cama só conhece vertigem.
Mas quanto dura um dia?
Tanto quanto o amor, dizem uns.
Mas o amor vai embora cedo,
Antes que o amanhã e a morte se manifestem.
E quanto tempo dura o dia-a-dia?
Uns dizem desde sempre,
Mas começando quando?
.
No mesmo instante em que pela primeira vez
Os olhos se arregalaram e não viram tudo —
Num não tão tarde quando, pela última vez,
O tempo durou não mais que um dia,
Um dia de adivinhar:
Por quanto tempo é permitido
Chamar de tanto o que é tão pouco?
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Laura Riding.
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