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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Agenda: Raquel de Queiroz, Casa Cor, Maria Bethânia e as palavras.


Amália Rodrigues, Carta a Vitorino Nemésio, na voz de Maria Bethânia
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Num mundo de tanta correria, simplesmente parar e ouvir poesia é sensacional, quanto mais na voz de Maria Bethânia.
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A cantora faz curta temporada no Teatro Fashion Mall mesclando a leitura de poemas e textos de Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Sophia de Mello Breyner, Ferreira Gullar, entre outros, com conhecidas canções brasileiras e portuguesas. Imperdível!
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Maria Bethânia e as palavras
Teatro Fashion Mall
Estrada da Gávea, 899, 2º Piso, São Conrado
Dias 03, 04, 05, 10,11 e 12 de Setembro
Sex e sáb, às 21h30; Dom às 20h
Ingressos: R$ 80,00 (sex e dom) e R$ 100,00 (sáb)
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O Cenário, Casa Cor 2010

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Para quem curte arquitetura, decoração e paisagismo, a pedida é a 20ª edição da Casa Cor. A sede deste ano é o Palacete Modesto Leal, construído em 1883, em Laranjeiras.
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Depois de percorrer os 61 ambientes da mostra, o visitante pode conferir os diversos espaços gastronômicos. Destaque para a cozinha gourmet do Restaurante de Pedro Paranaguá, onde às quartas-feiras, a partir das 20h30, responsáveis por grandes cozinhas cariocas, preparam um menu degustação para grupos de 40 pessoas. Quem abre a agenda dos chefs é José Hugo Celidônio, seguido de Flavia Quaresma, Pablo Vidal e Danio Braga.
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Casa Cor Rio 2010
Palacete Modesto Leal
Rua das Laranjeiras, 304, Laranjeiras
De 3 de setembro à 13 de outubro
Ter à sáb, das 12h às 22h; Dom, das 10h às 20h
Ingressos: R$ 30,00 (ter à sex)
R$ 35,00 (sáb, dom e feriados)
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Serviço de transfer gratuito
Rio Plaza Shopping à Casa Cor e vice-versa
Rua General Severiano, 97, Botafogo
Saídas do Rio Plaza: 13h30, 16h30 e 19h30
Saídas do Casa Cor: 15h30, 18h30 e 22h
Site oficial
Casa Cor 2010
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.Raquel de Queiroz, 1910-2003
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A Academia Brasileira de Letras homenageia o centenário de nascimento da escritora Raquel de Queiroz em exposição inédita. Dividida em seis módulos, a trajetória da escritora cearense é revista em textos, desenhos, pinturas, objetos pessoais, exibição de filmes e programas de tevê. Nunca é demais ressaltar que Raquel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar para a Academia, em 1977.
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Exposição Rachel de Queiroz
Academia Brasileira de Letras
Av. Presidente Wilson, 203, 1º andar, Castelo
Seg à sex, das 9h às 18h
Até novembro
Entrada Gratuita

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(...) E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
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Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?
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O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!
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Raquel de Queiroz, in: Um alpendre, uma rede, um açude: 100 crônicas escolhidas. Ed. Siciliano. São Paulo, 1993.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sertão: é dentro da gente."

Grande Sertão: Veredas, trecho final narrado pela Maria Bethânia
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Absorvo nova literatura sem hermetismo ou preconceitos, mas tenho predileção pelos clássicos, sobretudo os romances. Como é bom relê-los. Foi o que pensei quando, sem as abstrações das últimas semanas, conclui minha terceira releitura de Grande Sertão: Veredas. E não é que pareceu-me completamente novo? Riobaldo, Diadorim, a narrativa, os aforismos, tudo estava diferente. Na verdade, mesmo os clássicos, são sempre os mesmos. Nós é que mudamos ou como se lê em Sertão: "...as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas..." 
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Trechos do romance escrito pelo gênio, João Guimarães Rosa:
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"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação 
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas, 
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor."
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"Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira – cujo significado vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa conseqüência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo o falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondida e vivível mas não achável, do verdadeiro viver: que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada como o que se põe, em teatro, ara cada representador – sua parte, que antes já foi inventada, num papel…"
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