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quinta-feira, 15 de maio de 2014

"e até o silêncio, se é possível o silêncio, havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo..."

The Flowers Series, Romualdas Rakauskas, 1970
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As palavras (o tempo e os livros que
foram precisos para aqui chegar,
ao sítio do primeiro poema!)
são apenas seres deste mundo,
insubstanciais seres, incapazes também eles de compreender,
falando desamparadamente diante do mundo.
As palavras não chegam,
a palavra azul não chega,
a palavra dor não chega.
Como falaremos com tantas palavras? Com que palavras e sem que palavras?

E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
Não temos mais nada, e com tão pouco
havemos de amar e de ser amados,
e de nos conformar à vida e à morte,
e ao desespero, e à alegria,
havemos de comer e de vestir,
e de saber e de não saber,
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo.

Teremos então, enfim, uma casa onde morar
e uma cama onde dormir
e um sono onde coincidiremos
com a nossa vida,
um sono coerente e silencioso,
uma palavra só, sem voz, inarticulável,
anterior e exterior,
como um limite tendendo para destino nenhum
e para palavra nenhuma.
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Manuel António Pina.
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sábado, 27 de abril de 2013

O pensamento materializado: mestres da fotografia (13)

South Sudan, Sebastião Salgado, 2006
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Chez Mondrian, André Kertész, 1926
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Couple Kissing Under the Pont au Double, Brassaï, 1935
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Hungry Greek Children, David Seymour, 1948
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Charing Cross Road, Wolf Suschitzky, 1937
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De Jordaan, Oscar van Alphen, 1957-58
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Nothing is at Home, Romualdas Rakauskas, 2009
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Untitled, Raoul Hausmann, 1931
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East 100th St. Spanish Harlem, Bruce Davidson, 1966
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HotShot Eastbound at the Laeger Drive In, O. Winston Link, 1956 
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Tableau de Wagner Dans La Vitrine de La Galerie Romi, Doisneau, 1948
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New York, Vivian Maier, 1953
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Untitled, Francesca Woodman, 1975-80 
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Na fotografia que teus olhos tornam doce
há teu rosto de perfil, tua boca, teus cabelos,
mas quando vibrávamos de amor
debaixo da maré da noite e do clamor da cidade
teu rosto é uma terra sempre desconhecida
e esta fotografia o esquecimento, outra coisa.
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Juan Gelman, Amor que serena, termina?
 Ed. Record, 2001.
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