sexta-feira, 11 de junho de 2010

A vida feita de detalhes...

Laocoon Group, Atribuído à Agesander, Athenodoros e Polydorus, século I a.C
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Laocoon Group, Detail
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Laocoon Group, Detail 2
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The Girl with a Pearl Earring, Johannes Vermeer, 1665
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. The Girl with a Pearl Earring, Detail
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La Grande Odalisque, Jean Dominique Ingres, 1814
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La Grande Odalisque, Detail
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Don Manuel Osorio Manrique de Zuniga, Francisco de Goya, 1788
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Don Manuel Osorio Manrique de Zuniga, Detail
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Lamentation for Christ, Albrecht Dürer, 1500-1503
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. Lamentation for Christ, Detail
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The Rape of the Sabine, Giambologna, 1583
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The Rape of the Sabine, Detail
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The Rape of the Sabine, Detail 2
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Primavera, Sandro Botticelli, 1482
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Primavera, Detail
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The Anatomy Lecture of Dr. Nicolaes Tulp, Rembrandt, 1632
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The Anatomy Lecture of Dr. Nicolaes Tulp, Detail
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Theseus and the Centaur, Antonio Canova, 1804-1819
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Theseus and the Centaur, Detail
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Judith Beheading Holfernes, Caravaggio, 1599
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Judith Beheading Holfernes, Detail
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Apollon and the Nymphs, François Girardon, 1666-73
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Apollon and the Nymphs, Detail
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Garden of Earthly Delights, Hieronymus Bosch, 1503-1504
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Garden of Earthly Delights, Detail
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Garden of Earthly Delights, Detail 2
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Sistine Chapel Last Judgment, Michelangelo, 1537-1541
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Sistine Chapel Last Judgment, Detail
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Sistine Chapel Last Judgment, Detail 2
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Hercules and Nessus, Giambologna, 1599
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Hercules and Nessus, Detail
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The Death of Marat, Jacques Louis David, 1793
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The Death of Marat, Detail
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A natureza são duas.
Uma,
Tal qual se sabe a si mesma.
Outra, a que vemos. Mas vemos?
Ou é a ilusão das coisas?
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Drummond.

terça-feira, 8 de junho de 2010

"Comeu e bebeu as palavras..."

Con Corona, © Foto de Flor Garduño, 2000
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Não,
as palavras
não fazem amor
fazem ausência
Se digo água, beberei?
Se digo pão, comerei?
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Alejandra Pizarnik.

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domingo, 6 de junho de 2010

Correspondências: Rilke e Lou Salomé

Rainer Maria Rilke, desenho de Leonid Pasternak, 1900
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As flores do campo que trouxe há uma semana de uma manhã maravilhosa há muito estão deitadas entre as grandes folhas de um terno mata-borrão; mas nesta hora em que as contemplo, sorriem-me como uma recordação cheia de graça esforçando-se por parecer alegres como outrora.
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Foi uma dessas horas singulares. Horas que são como o coração de uma ilha cingida por densas florescências: para além destas muralhas primaveris, as ondas respiram quase imperceptivelmente, e não se avista um único barco que venha do passado distante, nem um só que queira continuar para o futuro.
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O fato de se lhe dever seguir um regresso ao quotidiano não pode esbater estas horas insulares. — Elas permanecem à margem de todas as outras horas, como que vividas ao mais alto nível do ser.
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Este tipo de existência insular e mais elevada é a meus olhos o futuro de muito poucos.
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Uma felicidade toca, floresce ao longe,
Alastra em volta da minha solidão
E procura tecer para os meus sonhos
Um enfeite de ouro. E ainda que
A minha pobre vida esteja gelada de madrugada
Inquieta e neve dolorosa,
A hora santa virá para ela,
Um dia, da sagrada Primavera...
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Desejaria estar já em Dorfen. A cidade é tão ruidosa, estranha. E, nos períodos de maturação interior, nada de estranho deve aflorar as nossas margens. Um dia, daqui a muitos anos, compreenderás completamente tudo o que és para mim. O que é a fonte da montanha para quem está sequioso. E se quem está sequioso é um homem íntegro e agradecido, não vai procurar frescura e força à sua claridade para voltar a partir para o novo sol; sob sua proteção e suficientemente perto para ouvir o seu canto, constrói uma cabana e permanece neste vale pacífico até que os olhos estejam cansados do sol e o seu coração transborde de riqueza e de compreensão. Eu construí cabanas e — permaneço.
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Minha límpida fonte! Como te estou agradecido. Não quero mais ver flores, céu, sol — a não ser em ti. Tudo é absolutamente mais belo, mais fabuloso, quando o olhas: a flor nas tuas margens, que — sei isso do tempo em que tinha de ver as coisas sem ti — treme de frio no musgo, solitária e terna, reflete-se clara na tua bondade, vibrante, e quase aflora com a sua pequena cabeça o céu que irradia da tua profundeza. E o raio de sol que chega empoeirado e único aos teus limites transfigura-se e multiplica-se em chuva de centelhas nas ondas luminosas da tua alma.
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Minha límpida fonte. É através de ti que quero ver o mundo, porque, ao mesmo tempo, verei, já não o mundo, mas apenas a ti, a ti, a ti! Tu és o meu dia de festa. Quando em sonhos me junto a ti, tenho sempre flores nos cabelos. Desejaria colocar-te flores nos cabelos. Quais? Nenhuma tem a simplicidade comovente que deveria, nenhuma é suficientemente simples. Em que Maio colhê-las? — Mas creio agora que tens sempre nos cabelos uma grinalda — ou uma coroa... Nunca te vi de outro modo.
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Nunca te vi, que não tivesse o desejo de te rezar. Nunca te ouvi, que não tivesse o desejo de acreditar em ti. Nunca te esperei, sem o desejo de sofrer por ti. Nunca te desejei, sem ter também o direito de me ajoelhar à tua frente. Sou para ti como o bastão para o caminhante, mas sem te apoiara. Sou para ti como o cetro é para o rei, mas sem te enriquecer. Sou para ti como a última pequena estrela é para a noite, ainda que a noite mal a distinguisse e ignorasse a sua cintilação.
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René.
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Rainer Maria, Rilke e Andreas-Salomé, Lou: Correspondência Amorosa, Trad. Manuel Alberto, Relógio D'Água Editores, 1994, Lisboa.
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* Rilke conheceu a escritora e psicanalista russa em 1897. Mantiveram um relacionamento amoroso até 1900. Com o fim da relação, continuaram confidentes e correspondentes até 1926, ano em que Rilke faleceu.
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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Agenda: Rio Folle Journée 2010

Frédéric Chopin, Prelude Op.64 No.2, por Arthur Rubinstein
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O Festival Rio Folle Journée começa hoje e se extende até o dia 06 de junho. No ano passado o grande homenageado foi Mozart. Nessa quarta edição da maratona de música clássica, a programação é dedicada à Chopin.
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Pianistas se revezarão até domingo apresentando toda a sua obra para piano; os noturnos, sonatas, mazurcas e valsas, em ordem cronológica. Também serão apresentadas peças de compositores que foram influenciados pelo romantismo, dentre eles os brasileiros Villa-Lobos, Francisco Mignone, Ernesto Nazareth e Tom Jobim.
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A Orquestra Petrobrás Sinfônica, sob a regência do Maestro Isaac Karabtchevsky, se apresenta logo mais, no Municipal, ao lado do pianista Nelson Freire. No programa, a Sinfonia No.4 em Ré Menor Op.120, de Schumann e o Concerto No.2 para Piano e Orquestra em Fá Menor Op.21, de Chopin.

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Os concertos serão realizados no Auditório do BNDES, no Teatro João Caetano, na Uni-Rio, no Teatro Municipal e em seu pequeno teatro do prédio anexo. Os dois últimos parecem ter substituído as apresentações mais acessíveis na Sala Cecília Meireles. Toda a programação, preços e endereços estão no site Rio Folle Journée.

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Estações...

Louise Bourgeois, Nanda Lanfranco, 2003
25/12/1911 - 31/05/2010
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Kazuo Ohno, Frank Ward, 1993
27/10/1906 - 01/06/2010.
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A impermanência de pessoas e coisas dita uma desconfortável noção de tempo e finitude. Sentimos transcendentalmente o tempo, quando as pessoas a nossa volta começam a fenecer. Enquanto crianças, todos pareciam estar na primavera de suas vidas. Mas as estações vão passando, às vezes tão mescladas, tão iguais, passam. De repente chega o derradeiro inverno e elas se vão, uma a uma, seguindo uma ordem inexorável. Frágeis dentes-de-leão dissipando no ar.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Errática...

I'll in Paris, Lucian Freud, 1948
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"...Para que serve minha vida e o que vou fazer com ela? Não sei e sinto medo. Não posso ler todos os livros que quero; não posso ser todas as pessoas que quero e viver todas as vidas que quero. Não posso desenvolver em mim todas as aptidões que quero. E por que eu quero? Quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis de minha existência. E sou terrivelmente limitada. Contudo, não sou cretina: incapaz, cega e estúpida. Não sou um ex-combatente a passar os dias na cadeira de rodas, sem os braços e as pernas. Não sou o velho mongolóide arrastando os pés ao sair do hospital de doentes mentais. Tenho muita vida pela frente, mas inexplicavelmente sinto-me triste e fraca. No fundo, talvez se possa localizar tal sentimento em meu desagrado por ter de escolher entre alternativas. Talvez por isso queira ser todos – assim, ninguém pode me culpar por eu ser eu. Assim, não precisarei assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do meu caráter e da minha filosofia. As pessoas são felizes – se isso quer dizer contentar-se com o seu quinhão: sentir-se confortável como o pino redondo complacente que se insere num orifício circular sem arestas incômodas ou dolorosas – sem lugar para reflexões e questionamentos. Não me contento, pois meu quinhão é limitador, como o de todo mundo. As pessoas se especializam; acabam por se dedicar a uma idéia; as pessoas “se encontram”. Mas o próprio contentamento que vem de você se encontrar é obscurecido pela constatação de que, ao fazê-lo, não só admite-se esquisita, mas um tipo específico de esquisita."
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Os Diários de Sylvia Plath, Ed.Globo, 2004.

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sábado, 29 de maio de 2010

Pequenas Ilusões...

Mask II, Ron Mueck, 2000
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Seria a diferenciação do real e da
fantasia um teste de lucidez?
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Pregnant Woman, Ron Mueck, 1997
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A Girl, Ron Mueck, 2006
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A Girl, (Detail), Ron Mueck, 2006
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Two Woman, Ron Mueck, 2005
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Wild Man, Ron Mueck, 2005
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Seated Woman, Ron Mueck, 1996
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Spooning Couple, Ron Mueck, 2005
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Boy, Ron Mueck, 1999
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Boy, (Detail), Ron Mueck, 1999
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Big Man, Ron Mueck, 1998
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Big Man, (Detail), Ron Mueck, 1998
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Vive, dizes no presente,
Vive só no presente.
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Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede.
.O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.
.Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas coisas como presentes; quero pensar nelas como coisas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
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Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
.Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
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Alberto Caeiro, heterônimo de
Fernando Pessoa.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Por que chora, Cabíria?

Giulietta Masina, em "Noites de Cabíria", de Federico Fellini, 1957
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"Pálpebras de neblina, pele d'alma
Lágrima negra tinta..."
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Caetano Veloso.
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Souvenir duvidoso...

E por falar em Drummond...
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Sua estátua, na Praia de Copacabana, não é a única vítima frequente de vândalos. A estátua construída em homenagem à Woody Allen em Oviedo, padece do mesmo mal. Para quem não se recorda, a cidade espanhola foi uma das locações do filme "Vicky Cristina Barcelona".
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Padecendo da falta de óculos...
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"Senta, cá comigo. Vamos ver a aurora e a sua rosa de fogo..."
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"Não dá. Hoje estou pensativo demais sobre várias coisas. Além disso, pedintes e maresia me aborrecem sobremaneira. Vou pra casa tomar o meu Prozac."
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Placebo...

Silence, Henry Fuseli, 1799-1801

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"Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado."
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Carlos Drummond de Andrade, trecho do poema "Não Passou".
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domingo, 16 de maio de 2010

"tudo pede um pouco mais de calma..."


The Swan, Carnival of the Animals, Camille Saint-Saëns, 1886
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Sem roda ou asa que leve,
o andar acelera, diminui,
às vezes pausa. Visão
e olfato se apuram. A realidade mais corriqueira
desabrocha em flor na copa de uma árvore
cem vezes vista, no canto ritmado dos pássaros,
nas ondas quebrando na praia,
na forma como se recebe ou se doa.
A contemplação exacerba os sentidos,
que instigados pelo hábito, por vezes 
banalizam tudo o que vemos e sentimos.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ininteligível...

Mood Lifter, Maggie Taylor, 2001
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"Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive."
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Florbela Espanca.

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domingo, 9 de maio de 2010

Agenda: A Natureza do Olhar, World Press Photo, Mary and Max...

Manhattan, Woody Allen, 1979
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Alguns filmes possuem relação tão estreita com as cidades em que são ambientados, que por vezes o que era mero acidente geográfico, passa a ser coadjuvante dos mais charmosos. A projeção da imagem junto a obra é tão poderosa, que fica impossível imaginá-la tendo outro pano de fundo. Essa percepção é tema da mostra "O Cinema e a Grande Cidade". Na programação, com mais de 40 filmes, algumas obras clássicas, como "La Dolce Vita", do Fellini, "Hiroshima, meu amor", do Alain Renais, "Manhattan", do Woody Allen, "Vertigo", do Hitchcock, "Último Tango em Paris", do Bertolucci, "Metrópolis", do Fritz Lang, "Blow Up", do Michelangelo Antonioni, e "Hable con Ella", do Almodóvar.
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Programação completa no site do IMS.
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Mostra "O Cinema e a Grande Cidade"
Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De ter à sex, das 13h às 20h; sáb, dom e feriados, das 11h às 20h
De 07 à 27 de maio
Ingresso: R$ 10,00
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World Press Photo, Categoria: Daily Life, © Foto de Gihan Tubbeh, 2009.
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A Caixa Cultural exibe a partir do dia 18, mais uma exposição da "World Press Photo." A organização homônima com sede em Amsterdã, realiza desde 1955 a maior e mais prestigiada premiação de fotografia do mundo. O concurso seleciona imagens individuais ou portfólios, e é dividido em dez categorias temáticas: cobertura de notícia, notícia geral, pessoas na notícia, ação de esporte, matéria de esporte, questões contemporâneas, cotidiano, retratos, natureza, artes e entretenimento. Para a competição desse ano foram selecionadas mais de 100.000 imagens, de 5.847 fotógrafos, provenientes de 128 países.
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Para ver a galeria com todas as fotos de todas as categorias, acesse o link.
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Exposição "World Press Photo"
Espaço Caixa Cultural
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
De ter à sábado, das 10h às 22h; dom, das 10h às 21h
De 18 de maio à 27 de junho
Entrada Gratuita
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A Natureza do Olhar, Pessoa por Elisa Lucinda e Geovana Pires
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Há oito anos encenando a peça "Parem de Falar Mal da Rotina", Elisa Lucinda retorna aos palcos cariocas em dueto com a atriz Geovana Pires. "A Natureza do Olhar" mergulha na obra de Fernando Pessoa, inspirada no texto "Notas para a Recordação de meu Mestre Caeiro", inédito no Brasil. As atrizes interpretam diálogos entre Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.
.Fernando Pessoa deu vida a seus alter egos com tamanha riqueza de detalhes, que cada qual possui data de nascimento, profissão, personalidade e estilos literários distintos.

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Peça "A Natureza do Olhar"
Teatro SESI

Av. Graça Aranha, 1, Centro
De sex à dom, às 19:30h
Até 25 de julho
Ingressos: R$ 40,00 (sex e sáb); R$ 30,00 (dom)
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Mary and Max, Adam Elliot, 2009
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Mais uma dica de cinema, não uma mostra como de costume, mas um título apenas. Na verdade, uma animação de massinha em stop-motion. Chama-se "Mary and Max". É um dos filmes mais doces que já assisti. O conceito pode confundir alguns desavisados, mas não se trata de uma animação para crianças, a não ser que os pais queiram explicar temas como solidão, transtornos psiquiátricos, suicídio, obesidade e alcoolismo.
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Mary Daisy Dinkle, uma garotinha australiana de 8 anos, quer saber mais sobre como surgem os bebês. A única teoria, contada pelos pais, é de que "são achados em copos de cerveja". Ela encontra uma lista telefônica de Nova York e escolhe um nome aleatoriamente. Max Jerry Horrovitz, um judeu quarentão, gordo e cheio de fobias, recebe a carta e acaba respondendo-a: "Os bebês da América vem de ovos colocados por rabinos (ou por freiras católicas, ou por prostitutas sujas e solitárias)".
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Ambos passam a trocar cartas compartilhando sua solidão, desajustes, cotidiano e diferenças (Mary enxerga o mundo em tons de marrom e Max em tons acinzentados). Um filme que passeia por temas densos, minimalismo, leveza e sobretudo amizade.
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"O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender..."
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Alberto Caeiro, heterônimo do Pessoa, in: O Guardador de Rebanhos.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

O pensamento materializado: mestres da fotografia (3)

© Mert Alas e Marcus Piggot, eternizando Madonna em ensaio para a Revista Interview deste mês
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* Mais informações no site da revista.
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sábado, 1 de maio de 2010

minimalismo...

An Orchard in Spring, Claude Monet, 1886
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o
.. céu
...........era
açuc.ar. lu
minoso
................comestível
vivos
..........cravos tímidos
limões
verdes.. frios.. choc
olate
s
so b,
uma.. lo
co
mo
......tiva... c... uspi
..............................ndo
......................................vi
......................................o
......................................letas.
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e. e. cummings.
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