sábado, 29 de maio de 2010

Pequenas Ilusões...

Mask II, Ron Mueck, 2000
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Seria a diferenciação do real e da
fantasia um teste de lucidez?
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Pregnant Woman, Ron Mueck, 1997
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A Girl, Ron Mueck, 2006
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A Girl, (Detail), Ron Mueck, 2006
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Two Woman, Ron Mueck, 2005
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Wild Man, Ron Mueck, 2005
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Seated Woman, Ron Mueck, 1996
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Spooning Couple, Ron Mueck, 2005
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Boy, Ron Mueck, 1999
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Boy, (Detail), Ron Mueck, 1999
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Big Man, Ron Mueck, 1998
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Big Man, (Detail), Ron Mueck, 1998
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Vive, dizes no presente,
Vive só no presente.
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Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede.
.O que é o presente?
É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.
.Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas coisas como presentes; quero pensar nelas como coisas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.
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Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.
.Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
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Alberto Caeiro, heterônimo de
Fernando Pessoa.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Por que chora, Cabíria?

Giulietta Masina, em "Noites de Cabíria", de Federico Fellini, 1957
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"Pálpebras de neblina, pele d'alma
Lágrima negra tinta..."
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Caetano Veloso.
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Souvenir duvidoso...

E por falar em Drummond...
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Sua estátua, na Praia de Copacabana, não é a única vítima frequente de vândalos. A estátua construída em homenagem à Woody Allen em Oviedo, padece do mesmo mal. Para quem não se recorda, a cidade espanhola foi uma das locações do filme "Vicky Cristina Barcelona".
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Padecendo da falta de óculos...
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"Senta, cá comigo. Vamos ver a aurora e a sua rosa de fogo..."
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"Não dá. Hoje estou pensativo demais sobre várias coisas. Além disso, pedintes e maresia me aborrecem sobremaneira. Vou pra casa tomar o meu Prozac."
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Placebo...

Silence, Henry Fuseli, 1799-1801

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"Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado."
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Carlos Drummond de Andrade, trecho do poema "Não Passou".
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domingo, 16 de maio de 2010

"tudo pede um pouco mais de calma..."


The Swan, Carnival of the Animals, Camille Saint-Saëns, 1886
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Sem roda ou asa que leve,
o andar acelera, diminui,
às vezes pausa. Visão
e olfato se apuram. A realidade mais corriqueira
desabrocha em flor na copa de uma árvore
cem vezes vista, no canto ritmado dos pássaros,
nas ondas quebrando na praia,
na forma como se recebe ou se doa.
A contemplação exacerba os sentidos,
que instigados pelo hábito, por vezes 
banalizam tudo o que vemos e sentimos.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ininteligível...

Mood Lifter, Maggie Taylor, 2001
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"Diz-me, porque não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive."
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Florbela Espanca.

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domingo, 9 de maio de 2010

Agenda: A Natureza do Olhar, World Press Photo, Mary and Max...

Manhattan, Woody Allen, 1979
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Alguns filmes possuem relação tão estreita com as cidades em que são ambientados, que por vezes o que era mero acidente geográfico, passa a ser coadjuvante dos mais charmosos. A projeção da imagem junto a obra é tão poderosa, que fica impossível imaginá-la tendo outro pano de fundo. Essa percepção é tema da mostra "O Cinema e a Grande Cidade". Na programação, com mais de 40 filmes, algumas obras clássicas, como "La Dolce Vita", do Fellini, "Hiroshima, meu amor", do Alain Renais, "Manhattan", do Woody Allen, "Vertigo", do Hitchcock, "Último Tango em Paris", do Bertolucci, "Metrópolis", do Fritz Lang, "Blow Up", do Michelangelo Antonioni, e "Hable con Ella", do Almodóvar.
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Programação completa no site do IMS.
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Mostra "O Cinema e a Grande Cidade"
Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De ter à sex, das 13h às 20h; sáb, dom e feriados, das 11h às 20h
De 07 à 27 de maio
Ingresso: R$ 10,00
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World Press Photo, Categoria: Daily Life, © Foto de Gihan Tubbeh, 2009.
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A Caixa Cultural exibe a partir do dia 18, mais uma exposição da "World Press Photo." A organização homônima com sede em Amsterdã, realiza desde 1955 a maior e mais prestigiada premiação de fotografia do mundo. O concurso seleciona imagens individuais ou portfólios, e é dividido em dez categorias temáticas: cobertura de notícia, notícia geral, pessoas na notícia, ação de esporte, matéria de esporte, questões contemporâneas, cotidiano, retratos, natureza, artes e entretenimento. Para a competição desse ano foram selecionadas mais de 100.000 imagens, de 5.847 fotógrafos, provenientes de 128 países.
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Para ver a galeria com todas as fotos de todas as categorias, acesse o link.
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Exposição "World Press Photo"
Espaço Caixa Cultural
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
De ter à sábado, das 10h às 22h; dom, das 10h às 21h
De 18 de maio à 27 de junho
Entrada Gratuita
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A Natureza do Olhar, Pessoa por Elisa Lucinda e Geovana Pires
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Há oito anos encenando a peça "Parem de Falar Mal da Rotina", Elisa Lucinda retorna aos palcos cariocas em dueto com a atriz Geovana Pires. "A Natureza do Olhar" mergulha na obra de Fernando Pessoa, inspirada no texto "Notas para a Recordação de meu Mestre Caeiro", inédito no Brasil. As atrizes interpretam diálogos entre Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.
.Fernando Pessoa deu vida a seus alter egos com tamanha riqueza de detalhes, que cada qual possui data de nascimento, profissão, personalidade e estilos literários distintos.

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Peça "A Natureza do Olhar"
Teatro SESI

Av. Graça Aranha, 1, Centro
De sex à dom, às 19:30h
Até 25 de julho
Ingressos: R$ 40,00 (sex e sáb); R$ 30,00 (dom)
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Mary and Max, Adam Elliot, 2009
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Mais uma dica de cinema, não uma mostra como de costume, mas um título apenas. Na verdade, uma animação de massinha em stop-motion. Chama-se "Mary and Max". É um dos filmes mais doces que já assisti. O conceito pode confundir alguns desavisados, mas não se trata de uma animação para crianças, a não ser que os pais queiram explicar temas como solidão, transtornos psiquiátricos, suicídio, obesidade e alcoolismo.
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Mary Daisy Dinkle, uma garotinha australiana de 8 anos, quer saber mais sobre como surgem os bebês. A única teoria, contada pelos pais, é de que "são achados em copos de cerveja". Ela encontra uma lista telefônica de Nova York e escolhe um nome aleatoriamente. Max Jerry Horrovitz, um judeu quarentão, gordo e cheio de fobias, recebe a carta e acaba respondendo-a: "Os bebês da América vem de ovos colocados por rabinos (ou por freiras católicas, ou por prostitutas sujas e solitárias)".
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Ambos passam a trocar cartas compartilhando sua solidão, desajustes, cotidiano e diferenças (Mary enxerga o mundo em tons de marrom e Max em tons acinzentados). Um filme que passeia por temas densos, minimalismo, leveza e sobretudo amizade.
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"O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender..."
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Alberto Caeiro, heterônimo do Pessoa, in: O Guardador de Rebanhos.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

O pensamento materializado: mestres da fotografia (3)

© Mert Alas e Marcus Piggot, eternizando Madonna em ensaio para a Revista Interview deste mês
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* Mais informações no site da revista.
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sábado, 1 de maio de 2010

minimalismo...

An Orchard in Spring, Claude Monet, 1886
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o
.. céu
...........era
açuc.ar. lu
minoso
................comestível
vivos
..........cravos tímidos
limões
verdes.. frios.. choc
olate
s
so b,
uma.. lo
co
mo
......tiva... c... uspi
..............................ndo
......................................vi
......................................o
......................................letas.
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e. e. cummings.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Persona...

The Image Disappears, Salvador Dalí, 1938
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"Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano..."
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Clarice, in: Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres.

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Variações sobre um mesmo tema: São Jorge e o Dragão


Jorge de Capadócia, Caetano Veloso
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É bem verdade que São Sebastião é o padroeiro legítimo da cidade do Rio de Janeiro, mas talvez não seja tão festejado e reverenciado quanto São Jorge. Reza a história, que o mártir nasceu durante o século terceiro entre 275 e 285 dC. em Capadócia, região da Anatólia, hoje parte da Turquia.
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Aos 17 anos de idade, alistou-se na cavalaria do exército romano em Nicomédia, durante o reinado do imperador Diocleciano. Este tinha interesse em instaurar o paganismo romano. Para tanto, emitiu um decreto que mandava destruir igrejas e cerceava direitos de quem admitisse ser cristão.
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São Jorge se opôs ao decreto imperial, mantendo-se fiel ao cristianismo e rebelando-se contra os excessos do Imperador. Diocleciano tentou convencê-lo, primeiro com recompensas, que foram recusadas, depois torturando-o de várias formas. Reconhecendo a inutilidade de seus esforços, mandou degolá-lo em 23 de abril de 303 d.C.
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São Jorge foi canonizado em 494 d.C., pelo Papa Gelásio I. É padroeiro da Inglaterra e de várias cidades européias. No Brasil, parte da devoção ao Santo Guerreiro extravasa a liturgia católica e se ramifica dentro da mitologia Yorubá, sob a representação do orixá Ogum.
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A alegoria do dragão dentro das representações pictóricas de São Jorge:
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St. George Praying After Slaying the Dragon, Heinrich Lefler, Data incerta
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St. George On Horseback, Albrecht Dürer, 1505-08
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St.George Killing The Dragon, Jacopo Bellini, Séc. XV

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St. George Killing the Dragon, Eugene Delacroix, Data incerta

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St. George and the Dragon (detail), Vittore Carpaccio, 1516

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St. George Slaying the Dragon, Hans Von Aachen, Data incerta

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St. George and the Dragon, Gustave Moreau, Data incerta

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St. George and the Dragon, Antony Van Dyck, Data incerta
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St. George and the Dragon, Tintoretto, 1555-58
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St. George and the Dragon, Raffaello Sanzio, 1505-06
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St. George on Horseback, Mattia Preti, 1658

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St. George Slays the Dragon, Lucas Cranach (the elder), Data incerta
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St. George Fighting the Dragon, Peter Paul Rubens, 1606-10.
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"...Após tanto saber, que perdão? Suponha agora
Que a história engendra muitos e ardilosos labirintos,
estratégicos
Corredores e saídas, que ela seduz com sussurrantes ambições,
Aliciando-nos com vaidades. Suponha agora
Que ela somente algo nos dá, enquanto estamos distraídos
E, ao fazê-lo, com tal balbúrdia e controvérsia o oferta
Que a oferenda esfaima o esfomeado. E dá tarde demais
Aquilo em que já não confias, se é que nisto ainda confiavas,
Uma recordação apenas, uma paixão revisitada. E dá cedo
demais
A frágeis mãos. O que pensado foi pode ser dispensado
Até que a rejeição faça medrar o medo. Suponha
Que nem medo nem audácia aqui nos salvem. Nosso heroísmo
Apadrinha vícios postiços. Nossos cínicos delitos
Impõem-nos altas virtudes. Estas lágrimas germinam
De uma árvore em que a ira frutifica..."
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T.S. Eliot, in: Gerontion's.
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domingo, 18 de abril de 2010

Correspondências: Clarice Lispector e Fernando Sabino

Fernando (1923-2004) e Clarice (1920-1977)

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Washington, 25 de Setembro de 1954.
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Fernando,
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Estou com a impressão meio inventada de que você ficou zangado quando eu disse pelo telefone que não queria que fosse ao aeroporto. Você ficou de telefonar à 1:30, e não telefonou. Fiquei amolada com a minha falta de cortesia, respondendo à sua gentileza com uma sinceridade ou franqueza que ninguém usa. Você gentilmente mostrou intenção declarada ou vaga de ir ao aeroporto, e eu, que tanto faço questão de não usar a alma na vida diária, pois é até de mau gosto, disse que não. Eu já lhe expliquei o motivo da minha rudeza - o que não a justifica - e explicarei de novo. Para mim, sair do Brasil é uma coisa séria e, por mais 'fina' que eu queira ser, na hora de ir embora choro mesmo. E não gosto que me vejam assim, embora se trate de lágrima bem-comportada, de lágrima de artista de segundo plano, sem permissão do diretor para arrumar os cabelos... Não é por vaidade de rosto que não gosto que me vejam de olhos vermelhos, é por uma vaidade que, por ser menos frívola, é muito mais pecado: é por orgulho ou altivez ou seja lá o que for - enfim, vaidade mais grave. Depois, também, eu me encabulo de estar sempre chegando e indo embora, o que obriga os amigos a um movimento em torno de mim, um movimento que às vezes nem cabe direito na vida deles. Então procuro dispensar a gentileza dos amigos, e facilitar a vida diária de cada um que já é bastante cheia e complicada sem uma ida ao aeroporto. Maury diz que eu costumo ter reações pessoais a coisas chamadas 'de praxe'. Parece que é mesmo verdade. Parece que eu seria capaz de pedir sinceramente a alguém que não apanhasse minha luva caída no chão para não amolar esse alguém, sem entender que incômodo é não apanhá-la, que incômodo é não fazer o que é 'de praxe'. (O exemplo da luva é só para exagerar, até que deixo apanharem minhas luvas, senão perderia todas...) Quanta explicação! E provavelmente você nem ficou zangado com minha descortesia, provavelmente você não telefonou depois porque estava ocupado. É o que espero que tenha acontecido. Esperando também que você não ria das tolas e inúteis complicações de sua amiga.
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* Dias depois, um Fernando amuado pelo tédio responde as inquietudes de Clarice.
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Rio, 19 de Outubro de 1954.
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Clarice,
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Suas 'complicações' não são tolas, mas inúteis. É verdade que você não precisa absolutamente se preocupar, não fui ao aeroporto porque você não queria e então acabou-se, e não telefonei porque na hora deve ter acontecido alguma coisa de que já não me lembro, e depois você já não estava. Mas valeu o desencontro porque forçou uma carta tão boa que parecia uma carta de Mário de Andrade e isso é elogio. Respondo agora me forçando um pouco (são 2 horas da manhã, me prometi não passar de hoje) pois quero ver se venço essa minha inércia mental com relação a cartas. Tanto mais que sinto necessidade real de escrever a você e vou deixando passar, talvez porque inconscientemente julgue que nada de importante tenho a lhe dizer, você sempre mereceria mais do que atualmente sou capaz de dizer numa carta. E sei como são importantes as notícias para quem está no estrangeiro. Infelizmente não tenho nenhuma a dar, senão que tudo vai indo na mesma e se as coisas mudam é porque nada precisamos fazer para que mudem. Nada tenho feito e no entanto várias coisas mudaram. Não me mudei; continuando morando no mesmo lugar, para onde você tem a partir deste momento a obrigação moral de escrever. Preciso do seu estímulo - o de alguém que, não vendo as coisas de perto, tem mais perspectiva. E prometo responder, farto de notícias. Creia-me, esta carta já é uma vitória para quem não sabe mais o que dizer. Só é sincero aquilo que não se diz - e nem isso é meu, li em alguma parte. Como você vê, isso para um escritor é estar no mato sem cachorro. Abrace por mim ao Maury e acredite sempre na amizade do seu,
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Fernando.
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LISPECTOR, Clarice, SABINO, Fernando. Cartas Perto do Coração. Dois jovens escritores unidos ante o mistério da criação. São Paulo. Ed. Record, 2001.
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* Fernando foi apresentado à Clarice em 1946, por Rubem Braga. Desde então, mantiveram uma longa e fiel amizade que durou até 1977, ano em que a escritora faleceu.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Aos que buscam reação ao peso de viver: leveza


The Water, Leslie Feist

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Leve é o pássaro:

e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.
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Cecília Meireles.
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Agenda: Albert Einstein e Alberto Magnelli

Albert Einstein, © Foto de Arthur Sasse, 1951
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O espírito questionador e curioso fez do físico alemão um dos maiores gênios do século XX.
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Parte de seu universo está ao alcance do público desde o último dia 07, numa exposição internacional concebida pelo American Museum of Natural History de Nova York e trazida ao Brasil pelo Instituto Sangari. Vista por mais de 2 milhões de pessoas, a exposição “Einstein” é dividida em 10 seções: Vida e tempo, Luz, Energia, Tempo, Gravidade, Guerra e Paz, Cidadão Global, Legado, Átomos e Einstein no Brasil. As duas últimas foram inclusas na mostra brasileira.
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Exposição Internacional "Einstein"
Museu Histórico Nacional
Praça Marechal Âncora, Centro
Ter à sex, das 9h às 18h
Sáb, dom e feriados, das 14h às 18h
Ingressos: R$ 20,00 (ter à sáb) / R$ 14,00 (dom)
De 7 de abril à 6 de junho de 2010

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Mais informações: Einstein Brasil
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Explosão Lírica, Alberto Magnelli, 1918
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O Centro Cultural Banco do Brasil expõe até o dia 04 de julho, 68 obras produzidas entre 1913 e 1950, do pintor construtivista Alberto Magnelli.
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Ao longo da carreira, Magnelli realizou suas primeiras pinturas sob a influência dos pintores da renascença italiana, logo evoluiria para o cubismo, o futurismo, até o abstracionismo, estilo que o consagraria.

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Exposição "Alberto Magnelli"
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
Salas B, C e D - 2º andar
Ter à dom, das 10h às 21h
Entrada Franca
De 06 de abril à 4 de julho

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"A curiosidade é mais importante que o conhecimento."
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Albert Einstein.

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Parábola dos Cegos...

The Parable Of The Blind Leading The Blind, Pieter Bruegel (o velho), 1568
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Virtuosamente espremidos entre o mar e as montanhas estamos à deriva.
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Condição autoinfringida por um instinto que beira a misantropia e anda falando mais alto que o instinto de sobrevivência.
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Se o homem é mesmo um produto do meio em que vive, o que esperar de um mimetismo social fundamentado no consumo desenfreado, individualização e uso indiscriminado dos recursos naturais?
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"Chegará mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueria era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás de seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis."
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José Saramago, in: Ensaio sobre a Cegueira.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ontem...

Laura and Brady in the shadow of our house, © foto de Abelardo Morell, 1994
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Dia desses sintonizei a tevê num programa infantil. Pensei: Que nostalgia da minha infância! Havia um total desconhecimento sobre o que é ter problemas, sobre o peso das decisões ou omissões. Não existiam paradigmas ou culpas maiores. Os dias passavam sem pressa cheios de leveza.
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Na volta para casa após a escola, o cheiro de comida fresquinha de mãe dobrava a esquina. As roupas sujas iam pro cesto, antes do banho com bucha. Mamãe então avisava que só depois de comer tudo, tomaríamos o suco e comeríamos a sobremesa. Geralmente uma fruta: goiaba, laranja, morango ou uva, a minha preferida. Depois a mesa dava lugar à lição de casa. Fazia a minha com gosto, enquanto meu irmão oscilava entre bocejos e garranchos. Ambos tinham certa pressa, naquela rotina parcimoniosa, a tarde era a melhor hora. Era quando mamãe deitada conosco e assistíamos desenhos. Eles eram igualmente leves, até bobinhos. Ria-se muito, gargalhava-se de doer a barriga em companhia de Snoopy, Pernalonga, Pepe Lê Gambá, Tom e Jerry, Pica-Pau, Manda-Chuva, Pepe Legal e Babalu... por fim, sempre sucumbíamos ao sono naquelas sestas vespertinas aninhadas em colo materno. Quão boas eram... Nossos sonhos de criança deveriam ganhar moldura, e ficar eternamente vivos, eternamente acessíveis, se não por nostalgia, para nos lembrar daquilo que fomos.
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Seguem alguns dos meus desenhos preferidos. Quem curtiu a infância na década de 80, certamente se recorda de como eram espirituosos. Havia uma inocência e virtuosismo na animação que não existem mais. Destaque para as trilhas sonoras, onde se escuta de Tchaikovsky à Zequinha de Abreu..
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Pica-Pau e Andy Panda no episódio "Musical Miniatures" de 1947
Músicas:
- Polonaise Military, Op.40 No.1 (Chopin)
- Three Écossaises, Op.72 No.3 (Chopin)
- Fantasie Impromptu, Op.66 (Chopin)
- Polonaise Heroic, Op.53 (Chopin)
- Scherzo, Op.31 No.2 (Chopin)

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Hortelino troca-letras, Pernalonga, Gaguinho e o Patinho feio no episódio "A Corny Concerto" de 1943
Músicas:
- Concerto No.1 para piano (Tchaikovsky)
- Tales from The Vienna Woods ( Strauss)
- Danúbio Azul (Strauss)

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Pernalonga no episódio "Long-Haired Hare" de 1948
Música:
- O Barbeiro de Sevilha (Rossini)
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Tom e Jerry no episódio "The Cat Concerto" de 1946

Música:
- Rapsódia Húngara No.2 (Franz Liszt)
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Mickey e Pato Donald no episódio "The Band Concert" de 1935

Música:
- William Tell Overture (Rossini)
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Snoopy no episódio "She’s Good Skate, Charlie Brown" de 1980
Música:
- O Mio Babbino Caro (Puccini)

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Pato Donald e Zé Carioca no episódio "Aquarela do Brasil" de 1943

Músicas:
- Aquarela do Brasil (Ari Barroso)
- Tico Tico no Fubá (Zequinha de Abreu)

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Estas verdades não são perfeitas porque são ditas,
E antes de ditas pensadas.
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias.
Na negação oposta de afirmarem qualquer coisa.
A única afirmação é ser.
E ser o oposto é o que não queria de mim.
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Alberto Caeiro, heterônimo do Fernando Pessoa.
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