domingo, 28 de março de 2010

Correspondências: Frida Kahlo e Diego Rivera

Frida Kahlo, © Foto de Nickolas Muray, 1939
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(...) Uma certa carta que descobri por acaso e que provinha de uma certa senhorita que mora na distante e feia Alemanha e que, imagino, deve ser aquela dama que Willi Valentiner achou por bem mandar se aventurar por aqui com fins “científicos, artísticos e arqueológicos”... me deixou absolutamente furiosa e, a bem da verdade, ciumenta... Porque sou tão suscetível e limitada e não consigo compreender que as cartas, os casos com o primeiro rabo de saia que aparece, as professoras de inglês, as modelos ciganas, as assistentes cheias de “boa vontade”, as aprendizes interessadas “na arte de pintar” e as “enviadas plenipotenciárias de regiões distantes” não passam de aventuras sem futuro e que, no fundo, eu e você, nós nos amamos ao extremo e, mesmo quando sofremos com os inúmeros pecadilhos um do outro, as portas batendo, os piores insultos e as solicitações internacionais, continuamos a nos amar. Creio que o problema é que eu sou um pouco brutal e um tantinho maliciosa, pois todas essas coisas que aconteceram e se repetiram ao longo dos sete anos em que vivemos juntos e todas as cóleras que senti, me levaram a compreender melhor que o amo mais que minha própria pele, inclusive se você não me amar do mesmo jeito: de todo o modo, você me ama um pouquinho... não é mesmo? E se isso não for verdade, sempre me resta a esperança de que venha a ser, e isso me basta...
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Ama-me um pouquinho.
Eu te adoro,
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Frida.

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KAHLO, Frida. Escrituras de Frida Kahlo por Raquel Tibol. Universidade Nacional Autônoma do México, 1999.
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* Desde que se conheceram em 1928, Frida e Diego mantiveram um casamento tumultuado, marcado por separações, relações extra-conjugais, inspiração mútua e... amor. Entre idas e vindas só se separam de fato quando Frida faleceu em 13 de julho de 1954.

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quinta-feira, 25 de março de 2010

"Pra que pensar?"

Melancholy, Edvard Munch, 1891
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Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. É-se. Sou-me. Tu te és. E sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico, fantástico e gigantesco: a vida é sobrenatural. E caminho segurando um guarda-chuva aberto sobre corda tensa. Caminho até o limite do meu sonho grande. Vejo a fúria dos impulsos viscerais: vísceras torturadas me guiam. Não gosto do que acabo de escrever - mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteçe. Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço. Estou sendo antimelódica. Comprazo-me com a harmonia difícil dos ásperos contrários. Para onde vou? E a resposta é: vou."
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Clarice Lispector, in: Água Viva.
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sábado, 20 de março de 2010

Agenda: O sutil mestre japonês

Akira Kurosawa, (1910-1998)
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Começou hoje mais uma mostra de cinema na cidade. O homenageado da vez é o cineasta japonês Akira Kurosawa que completaria 100 anos no dia 23 de março. Serão exibidos 22 filmes até o dia 09 de abril. Entre eles, "Os Sete Samurais", "Rashomon", "Ran", "Rapsódia em Agosto" e o doce "Sonhos".
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Dono de um estilo perfeccionista e eclético, Kurosawa participava de várias etapas no processo de realização de seus filmes, que retratam desde o tradicionalismo da cultura japonesa à adaptações da literatura ocidental como Rei Lear (Ran, 1985) e Macbeth (Trono Manchado de Sangue, 1957). Universos distintos, mas ligados por seu olhar humanista e esteticamente belo.
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Dia 19 de março
16h Yojimbo (Yojimbo, Akira Kurosawa, Japão, 1961, 110 min)
20h Sanjuro (Tsubaki Sanjuro), Akira Kurosawa, Japão, 1962, 96 min)
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Dia 20 de março
14h Dersu Uzala (Dersu Uzala, Akira Kurosawa, Japão/ Rússia, 1975, 144 min)
19h Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, Walter Salles, Brasil, 1986, 60 min)
20h Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi, Akira Kurosawa, Japão, 1948, 98 min)
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Dia 21 de março
16:30h Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (Tora no o wo fumu Otokotachi, Akira Kurosawa, Japão, 1944, 60 min)
20h Yojimbo (Yojimbo, Akira Kurosawa, Japão, 1961, 110 min)
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Dia 23 de março
14h Escândalo (Shubun, Akira Kurosawa, Japão, 1950, 104 min)
16h O Idiota (Hakuchi, Akira Kurosawa, Japão, 1951, 166 min)
19h Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, Walter Salles, Brasil, 1986, 60 min)

20h Rashomon (Rashomon, Akira Kurosawa, Japão, 1950, 88 min)

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Dia 24 de março
14h Cão Danado (Nora inu, Akira Kurosawa, Japão, 1949, 122 min)
16h Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi, Akira Kurosawa, Japão, 1948, 98 min)
19h Duelo Silencioso (Shizukanaru Ketto, Akira Kurosawa, Japão, 1949, 95 min)
20h Sonhos (Konna yume wo mita, Akira Kurosawa, Japão, 1990, 119 min)
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Dia 25 de março
14h Escândalo (Shubun, Akira Kurosawa, Japão, 1950, 104 min)
16h Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku, Akira Kurosawa, Japão, 1963, 143 min)
20h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jo, Akira Kurosawa, Japão, 1957, 110 min)
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Dia 26 de março
14h Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoko Nemuru, Akira Kurosawa, Japão, 1960, 151 min)
16:30h Dersu Uzala (Dersu Uzala, Akira Kurosawa, Japão/ Rússia, 1975, 144 min)

19h Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, Walter Salles, Brasil, 1986, 60 min)
* Sessão seguida de debate com Walter Salles

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Dia 27 de março
14h Kagemusha (Kagemusha, Akira Kurosawa, Japão, 1980, 180 min)
17:30h Rashomon (Rashomon, Akira Kurosawa, Japão, 1950, 88 min)
20h Sonhos (Konna yume wo mita, Akira Kurosawa, Japão, 1990, 119 min)
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Dia 28 de março
14h Dersu Uzala (Dersu Uzala, Akira Kurosawa, Japão/ Rússia, 1975, 144 min)
16:30h Os Sete Samurais (Schichinin no Samurai, Akira Kurosawa, Japão, 1954, 200 min)
20h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jo, Akira Kurosawa, Japão, 1957, 110 min)
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Dia 31 de março
14h Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoko Nemuru, Akira Kurosawa, Japão, 1960, 151 min)
17h Kagemusha (Kagemusha, Akira Kurosawa, Japão, 1980, 180 min)
20h Não Lamento Minha Juventude (Waiga Seishun ni Kuinashi, Akira Kurosawa, Japão, 1946, 110 min)
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Dia 01 de abril
14h Viver (Ikiru, Akira Kurosawa, Japão, 1952, 143 min)
16:30h Ran (Ran, Akira Kurosawa, Japão, 1985, 162 min)
20h Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, Walter Salles, Brasil, 1986, 60 min)
A.K. Retrato de Akira Kurosawa (A.K Portrait d’Akira Kurosawa, Chris Marker, França, 1985, 75 min)
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Dia 02 de abril
14h Yojimbo (Yojimbo, Akira Kurosawa, Japão, 1961, 110 min)
16h Sanjuro (Tsubaki Sanjuro, Akira Kurosawa, Japão, 1962, 96 min)
18h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jo, Akira Kurosawa, Japão, 1957, 110 min)
20h Cão Danado (Nora inu, Akira Kurosawa, Japão, 1949, 122 min)
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Dia 03 Dia de abril
14h A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride No San-Akunin, Akira Kurosawa, Japão, 1958, 139 min)
16:30h Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku)de Akira Kurosawa (Japão, 1963, 143 min)
19h Os Sete Samurais (Schichinin no Samurai)de Akira Kurosawa (Japão, 1954, 200 min)
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Dia 04 de abril
14h Ran (Ran, Akira Kurosawa, Japão, 1985, 162 min)
16h Madadayo (Madadayo, Akira Kurosawa, Japão, 1993, 134 min)
19h Kagemusha (Kagemusha, Akira Kurosawa, Japão, 1980, 180 min)
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Dia 06 de abril
14h Viver (Ikiru, Akira Kurosawa, Japão, 1952, 143 min)
17h A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride No San-Akunin, Akira Kurosawa, Japão, 1958, 139 min)
20h Não Lamento Minha Juventude (Waiga Seishun ni Kuinashi, Akira Kurosawa, Japão, 1946, 110 min)
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Dia 07 de abril
14h Homem Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodo Yoko Nemuru, Akira Kurosawa, Japão, 1960, 151 min)
17h Os Sete Samurais (Schichinin no Samurai, Akira Kurosawa, Japão, 1954, 200 min)
* Sessão seguida de debate com João Luiz Vieira.
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Dia 08 de abril
14h Madadayo (Madadayo, Akira Kurosawa, Japão, 1993, 134 min)
17h A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride No San-Akunin, Akira Kurosawa, Japão, 1958, 139 min)
20h Trono Manchado de Sangue (Kumonosu-jo, Akira Kurosawa, Japão, 1957, 110 min)
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Dia 09 de abril
14h Cão Danado (Nora inu, Akira Kurosawa, Japão, 1949, 122 min)
16h Duelo Silencioso (Shizukanaru Ketto, Akira Kurosawa, Japão, 1949, 95 min)
18h Escândalo (Shubun, Akira Kurosawa, Japão, 1950, 104 min)
20h Rashomon (Rashomon), de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 88 min)
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Retrospectiva Akira Kurosawa
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Ter à sex, das 13h às 20h
Sáb, dom e feriados, das 11h às 20h
Ingressos: 10,00 (inteira), R$ 5,00 (meia)
De 19 de março à 9 de abril de 2010.
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"Corvos", um dos oito contos do filme "Sonhos"
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Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos
Nada, senão o instante, me conhece,
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.
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Ricardo Reis, heterônimo do Fernando Pessoa.
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sábado, 13 de março de 2010

Recorrências...

 A Torre de Babel, Pieter Brueghel (o velho), 1563.
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Edifiquei minha
casa sobre a
areia
Todo dia recomeço.
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Eunice Arruda.
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Agenda: o cinema e o universo feminino...

Rita Hayworth, Gilda, 1946
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Ainda em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Centro Cultural Banco do Brasil exibe a mostra "Mulheres Alucinadas" um panorama da pluralidade feminina levada às telas. Oportunidade para rever algumas das maiores divas do cinema incorporando mulheres apaixonadas, fortes, obsessivas, revolucionárias e irresistivelmente contraditórias.
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Jane Fonda, Barbarella, 1968
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Dia 09 de março
17h Diário de uma Garota Perdida (Tagebuch einer Verlorenen, Direção: G. W. Pabst 116 min)
19h O Anjo Azul (Der Blaue Engel Direção: Josef Von Sternberg 94 min)
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Dia 10 de março
17h Dama do Outro Mundo (Belle of the Nineties, Direção: Leio Mc Carey 73 min)
19h A Mulher Satânica (The Devil is a Woman, Direção: Josef Von Sternberg 79 min)
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Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo, 1961.
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Dia 11 de março
17h Gilda (Gilda, Direção: Charles Vidor 111 min)
19h A Malvada (All About Eve, Direção: Joseph L. Mankiewicz 138 min)
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Dia 12 de março
15h30 Carmen Jones (Carmen, Jones Direção: Otto Preminger 104 min)
17h30 Lola Montés (Lola Montés, Direção: Max Ophus 106 min)
19h30 De Repente No Último Verão (Sunddenly, Last Summer, Direção: joseph L. Mankiewicz 112 min)
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Dia 13 de março
15h30 Madre Joana Dos Anjos (Matka Joanna od Aniolow, Direção: Jerzy Kawalerowicz 105 min)
17h30 Os Inocentes (The Innocents, Direção: Jack Clayton 99 min)
19h30 Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, Direção: Blake Edwards 114 min).
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Monica Vitti, Deserto Vermelho, 1964
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Dia 14 de março
15h Cleópatra (Cleópatra, Direção: Joseph L. Mankiewicz 248 min)
19h30 Deserto Vermelho (Deserto Rosso, Direção: Micheangelo Antonioni 113 min)
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Dia 16 de março
17h Marnie – Confissões De Uma Ladra (Marnie, Direção: Alfred Hitchcock 130 min)
19h Persona – Quando duas Mulheres Pecam (Persona, Direção: Ingmar Bergman 84 Min)
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Catherine Deneuve, A Bela da Tarde, 1967
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Dia 17 de março
17h Barbarella (Barbarella, Direção: Roger Vadim 98 min)
19h Lua De Mel de Assassinos (The Honeymoon Killers, Direção: Leonard Kastle 108 min)

Dia 18 de março
17h O Amor (Szerelem, Direção: Károly Makk 88 min)
19h Trabalhos Ocasionais de Uma Escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin, Direção: Alexander Kluge 87 min)
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Marlene Dietrich, Anjo Azul, 1930
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Dia 19 de março
15h30 Betty Blue (Betty Blue, Direção: Jean-jacques Beinex 185 min)
17h30 Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios,
Direção: Pedro Almodóvar 89 min)
19h30 A Ultima Dança de Salomé (Salome`s Last Dance, Direção: Ken Russell 89 min)
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Dia 20 de março
15h30 Um Assunto de Mulheres (Une Affaire de Femmes, Direção: Claude Chabrol 108 min)
17h30 Rosalie Vai as Compras (Rosalie Goes Shopping, Direção: Percy Adlon 90 min)
19h30 A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos (TulitikkutehtaanTyttö, Direção:Aki Kaurismäki 72 min).
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Elizabeth Taylor, Cleópatra, 1963
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Dia 21 de março
16h30 Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk With Me, Direção: David Lynch 135 min)
18h30 Corra Lola Corra (Lola Rennt, Direção: Tom Tykwer 81 min)
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Dia 23 de março
17h Lady Vingança (Chinjeolhan geumjass, Direção: Chan-wook Park 114 min)
19h Maldito Coração (The Heart is Deceitful Above All Things, Direção: Asia Argento 97 min)
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Dia 24 de março
17h Nome Próprio (Nome Próprio, Direção: Murilo Salles 120 min)
19h Anticristo (Antichrist, Direção: Lars Von Trier 109 min).
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Bette Davis, A Malvada, 1950.
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Mostra de Cinema "Mulheres Alucinadas"
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
De 09 à 24 de março
Terça à domingo, das 10h às 21h
Entrada Franca.
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terça-feira, 9 de março de 2010

"Palavra d'agua pra qualquer moldura..."

The Langlois Bridge at Arles With Women Washing, Van Gogh, 1888
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Mergulhar a palavra suja em água sanitária,
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza,
por exemplo a palavra vida.
Existem outras e a palavra amor é uma delas
que são muito encardidas e desgastadas pelo uso,
o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra,
depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que ainda permanecem sujas
depois de submetidas a esses cuidados
mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram as manchas mais difíceis e nada.
Todas as tentativas de lavar a piedade foram sempre em vão.
Mas nunca vi palavra tão suja
como a palavra perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas,
soltam um líquido corrosivo
—que atende pelo nome de amargura—
capaz de esvaziar o vigor da língua.
Nesse caso o aconselhado é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade.
Agora se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário,
pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo aqui é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
A culpa, por exemplo, mancha tudo que encontra
e deve ser sempre clareada sozinha.
Uma mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
já que desejo sendo uma palavra intensa, quase agressiva,
pode, o que não é inevitável,
esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva
produz uma oleosidade que conserva a cor
e a intensidade dos sons.
Muito valioso na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.
Para isso conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos
que passeie pelas expressões dos seus sentidos.
Á noite, permita que se deite,
não a seu lado, mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme
a palavra plantada em sua carne
prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar a convivência
até não mais perceber a presença dela,
então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.
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Viviane Mosé.
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sexta-feira, 5 de março de 2010

O Maestro...

Heitor Villa-Lobos, 1887-1959
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Hoje comemora-se os 123 anos de nascimento do compositor Heitor Villa-Lobos. O reconhecimento de seu talento subverteu a ordem comum a qual estamos estranhamente habituados, já que foi considerado ainda em vida, o maior compositor das Américas e o melhor compositor erudito brasileiro.
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Seu trabalho adquiriu características únicas por se utilizar de elementos populares e experimentais como base para suas composições eruditas.
.Compôs mais de 1000 obras entre Prelúdios, Valsas, Estudos, Sinfonias, Concertos, Óperas, Suítes, Choros e Corais. Destacam-se entre elas, as Nove Bachianas Brasileiras. A Tocata (o Trenzinho do Caipira) quarto movimento das Bachianas No.2, o Coral (O Canto do Sertão) e a Dança (Miudinho), ambos das Bachianas No.4 e a Ária (Cantilena), que abre as Bachianas No.5
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Cantilena, Bachianas Brasileiras No. 5, Bidú Sayão, 1945
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"Haverá ainda, no mundo, coisas tão simples e tão puras como a água bebida na concha das mãos?"
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Mário Quintana..
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quinta-feira, 4 de março de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

"o que fica nas palavras daquilo que se viveu?"

José Mindlin, 1914-2010
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"Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver."
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Essa frase é do bibliófilo José Mindlin que faleceu no último dia 28.
.Mindlin que se dizia um "colecionador patológico", começou a formar a maior e mais relevante biblioteca privada do país aos 13 anos de idade.
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Acumulou mais de 40 mil volumes, parte deles, doados à Universidade de São Paulo em 2006, ano em que foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
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Admiro e entendo tamanha devoção.
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Adquirir o hábito da leitura por nenhum outro motivo que não seja o prazer de ler. Foi o que me ocorreu quando fiquei entediada com as figuras dos gibis e decidi que precisava entender o que se passava nos "balõezinhos brancos".
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Ter aprendido a ler aos três anos talvez seja a maior conquista da minha vida. Daquele momento em diante, nunca mais me senti completamente só. Existiam as estórias alheias e através delas poderia estar em qualquer lugar, ser qualquer pessoa, tendo a ilusória impressão de que continuava sendo a mesma.
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Ler é sonhar de olhos abertos e nunca se esquecer dos sonhos que teve.
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Voyage pittoresque et historique au Brésil, Debret, 1834-39
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A gravura compõe o livro "As Viagens Pitorescas de Debret" e faz parte do acervo digital da Biblioteca Brasiliana Guida e José Mindlin. O órgão da Universidade de São Paulo foi criado para abrigar a coleção doada pelo bibliófilo e sua esposa, a restauradora Guida Mindlin. Além da internet, os livros estarão disponíveis no prédio que está sendo construído no campus da USP.

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"Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensão do corpo. O microscópio, o telescópio são extensões de sua visão e o telefone é a extensão de sua voz. Em seguida, temos o arado e a espada; extensões de seu braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação."
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Jorge Luis Borges.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Correspondências: Fernando Pessoa e Mario de Sá Carneiro

Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa, (1888-1935)
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Lisboa, 14 de março de 1916.
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Meu querido Sá-Carneiro,
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Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental - uma ânsia aflita de falar consigo. Como de aqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe. Só isto - que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.
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Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.
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Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a crianca triste em quem a Vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.
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No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.
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Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro" ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.
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Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que me sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena - chia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.
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Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.
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Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio, amanha, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no Livro do Desassossego. Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.
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As últimas notícias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.
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Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.
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De que cor será sentir?
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Milhares de abraços do seu, sempre muito seu,
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Fernando Pessoa.
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P.S. - Escrevi esta carta de um jato. Relendo-a, vejo que, decididamente, a copiarei amanhã, antes de lhe mandar. Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histero-neurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si-próprio que dele são tao características...
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Você acha-me razão, não é verdade?
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PESSOA, Fernando. Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Recolha e transcricão dos textos: Maria Aliete Galhoz, Teresa Sobral Cunha; prefácio e organizacão: Jacinto Prado Coelho, Ática, Lisboa 1982.
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* Fernando Pessoa e o escritor Mario de Sá-Carneiro trocaram correspondências entre outubro de 1912 (quando se conheceram) e abril de 1916 (ano da morte de Mario). Durante esse período foram poucas às vezes em que se encontraram pessoalmente, as cartas foram seu maior canal de comunicação, além de base sobre a qual se consolidou a amizade.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Agenda: Tom e Chopin.


Frédéric Chopin, Nocturne Op. 27 No. 2, por Maurizio Pollini
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Ontem o projeto Chopiníssimo abriu as comemorações no Brasil pelo bicentenário de nascimento do compositor polonês Frédéric Chopin (1810-1849). A mostra reúne 42 painéis com fotos de pinturas, desenhos, gravuras, partituras, documentos e objetos que ficam expostos até sexta-feira.
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Chopiníssimo: Chopin, o poeta do piano
Teatro Sesi
Av. Graça Aranha, 01, Centro
De 22 à 26 de fevereiro
Das 14h às 19:30h
Entrada franca.

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Antonio Carlos Jobim, Trecho do especial "As Nascentes com Tom"
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Eventual oásis em meio ao demasiado calor do verão, o Jardim Botânico brinda os visitantes com uma exposição fotográfica em homenagem ao maestro Antonio Carlos Jobim, que se estivesse entre nós, completaria 83 anos. As fotos inéditas são de autoria do fotógrafo Januário Garcia.
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Instantes Instantâneos do Maestro Antonio Carlos JobimEspaço Tom Jobim
Rua Jardim Botânico, nº 1008, Jardim Botânico
Diariamente, das 8h às 17h
Ingresso: R$ 5,00.


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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Variações sobre um mesmo tema: a loucura.


Estamira, direção de Marcos Prado, 2005
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O cineasta Marcos Prado encontrou Estamira pela primeira vez em 2000 quando fotografava o aterro sanitário de Gramacho. A senhora de discurso irascível e filosófico, trabalhava no lixão havia duas décadas. Sua estória pareceu atrativa ao cineasta, que por alguns anos acompanhou a rotina insalubre, a doença, traumas e vicissitudes de sua vida. O documentário evoca a lucidez diante a exclusão e a esquizofrenia.
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Dom Quixote e Sancho Pança, Candido Portinari, 1956
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Miguel de Cervantes tencionava ironizar as novelas de cavalaria e o estilo de vida da fidalguia quando escreveu Dom Quixote de La Mancha. Tendo 126 capítulos, o livro é considerado um dos maiores romances de todos os tempos. Trata-se da estória de Alonso Quijano, um fidalgo decadente obcecado pela leitura de livros de cavaleiros errantes. Ao trocar a realidade pela ficção, Alonso, agora Dom Quixote, se refugia na insanidade e passa a viajar pela Espanha protegendo desafortunados, certo de que é também um nobre cavaleiro. Deixar-se dominar pela fantasia, foi a forma que o "Cavaleiro da Triste Figura" encontrou para dar sentido à sua existência.
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"O mundo da poesia não se limita às obras literárias que Dom Quixote leva na cabeça, mas se dilata até abarcar toda a capacidade humana, comum nos loucos e sensatos, de imaginar, sonhar, mentir, esperar e querer, todos os modos de ilusão e ideal que o homem leva em sua alma e que são o impulso e a razão de sua vontade de fazer e de viver."
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Miguel de Cervantes.

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Self-Portrait With Bandaged Ear, Vincent Van Gogh, 1889
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Vincent Van Gogh tem uma trajetória inquietante. Abandonou os estudos aos 15 anos de idade para trabalhar com o tio numa loja que negociava obras de arte. Com 24 anos, decidiu que sua vocação era a evangelização. Trabalhou como missionário em minas de carvão na Bélgica onde distribuiu seus bens aos pobres. Em 1880, estimulado pelo irmão Théo, dedica-se a vida artística. Deste período até meados de 1890, pinta compulsivamente, sem no entanto obter reconhecimento (vendeu apenas uma tela nos dez anos dedicados à pintura). Enquanto foi sustentado emocional e financeiramente pelo irmão, as crises de instabilidade mental se intensificaram à medida que crescia sua incapacidade de manter-se por seus próprios meios. Também notabilizavam-se os relacionamentos fracassados e a personalidade anti-social. Em 1888 após uma briga com o pintor Paul Gauguim, corta um pedaço da própria orelha. Após o episódio, passa alguns meses numa clínica psiquiátrica. Ao sair, em maio de 1890, vai morar nas proximidades da casa do irmão. Um mês antes de sua morte - quando pintava uma tela por dia - realizou "Campo de Trigo com Corvos", obra prima que exprimia, de forma contundente, toda a tristeza e a solidão de seus últimos momentos. No dia 27 de julho, deu um tiro contra o próprio peito. Dois dias depois, morreu nos braços de Théo.
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Sonhos, Akira Kurosawa, 1990
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"Aquele homem vagabundo assemelha-se a este pássaro vagabundo…
E os homens ficam frequentemente impossibilitados de fazer algo, prisioneiros de não sei que prisão horrível, horrível, muito horrível. Há também, eu sei, a libertação, a libertação tardia. Uma reputação arruinada com ou sem razão, a penúria, a fatalidade das circunstâncias, o infortúnio, fazem prisioneiros. Nem sempre sabemos dizer o que é que nos encerra, o que é que nos cerca, o que é que parece nos enterrar, mas no entanto sentimos não sei que barras, que grades, que muros. Será tudo isto imaginação, fantasia? Não creio; e então nos perguntamos: meu Deus, será por muito tempo, será para sempre, será para a eternidade?"
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Van Gogh, in: Cartas a Théo.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Laborando interrogações...

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"Nunca tive, e ainda não tenho, a percepção do sentimento da minha identidade pessoal. Apareço perante mim mesmo como um lugar onde há coisas que acontecem, mas não há o "Eu", não há o "Mim". Cada um de nós é uma espécie de encruzilhada onde acontecem coisas. As encruzilhadas são puramente passivas; há algo que acontece nesse lugar. Outras coisas igualmente válidas acontecem noutros pontos. Não há opção: é uma questão de probabilidades."
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Claude Lévi-Strauss, in: Mito e Significado.
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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Confete e serpentina...


Noite dos Mascarados, Chico Buarque, Nara Leão e MPB 4
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(...) Como esquivar-se a teu Império
que é Serrano em Vila ou Mangueira,
se em mim ri aquilo que é sério,
e séria, mesmo, é a brincadeira?
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Carnaval, já não sou tão moço
para esmilinguir-me no frevo
e sair de guizo ao pescoço
(riso, quatripétalo trevo),
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Também inda não sou tão velho
que não ouça o ronco da cuíca.
E da razão o bom conselho
(má rima) não me mortifica.
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Entre duas águas, meu caro,
meio-lá-meio-cá me sinto
como um animal semi-raro
divagando no labirinto.
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Carnaval, magia do samba!
Fígado, fiscal do consumo...
Para dançar na corda bamba
tanto faz, serpentina, o rumo.
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Não fugirei para a montanha,
nem pescarei na Marambaia,
pois ante confusão tamanha,
quedemos (Posto 6) na praia,
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perto-longe da farra, ouvindo
e vendo, imaginando, enquanto
um carnaval muito mais lindo
dentro em nós eleva seu canto;
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carnaval de delícias longas
e cabriolas arlequinais,
feito de caras songamongas
se esbaldando no nunca-mais;
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carnaval antigo e futuro,
baile de outro Municipal
ou Praça 11 acesa no escuro
da saudade do carnaval.
E é o melhor de tudo, afinal.
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Carlos Drummond de Andrade.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Correspondências: Florbela Espanca e Guido Battelli

Florbela de Alma da Conceição Espanca, 1824 - 1930
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Matosinhos, 03 de agosto de 1930.
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Meu querido amigo,
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Finalmente instalada e um pouco refeita da fadiga da viagem, venho agradecer-lhe a sua última carta recebida em Évora.
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Já tinha saudades de conversar consigo. É assim um católico tão convencido? Eu não sou católica, como não sou protestante nem budista, maometana ou teosofista. Não sou nada. E nem sequer poderá servir-me o preceito divino: "Aquele que me procura, já me encontrou" porque eu não procuro... O meu racionalismo à Hegel, apoiado numa espécie de filosofia à Nietzche, chegou-me por muito tempo. Hoje... a minha sede de infinito é maior do que eu, do que o mundo, do que tudo, e o meu espiritualismo ultrapassa o céu. Nada me chega, nada me convence, nada me enche. Sou um pobre que nenhum tesouro acha digno das suas mãos vazias. A morte, talvez... esse infinito, esse total e profundo repouso; não me queira tirar a certeza de que ela é tudo isto: seria uma maldade, quase um crime. Pense bem: eu, que não sei o que é dormir uma noite inteira, dormir muitas, dormir todas e todos os dias e todos os anos, pelos séculos dos séculos! Só esta ideia me faz sorrir. Deve ser tão bom!
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Não sei o que há em mim que me envenena todas as horas da vida. Posso dizer como Duvernois: "Ma vie c'est une promenade de prisonnier dans un chemin de ronde. Je tourne et ne vois que des murs..." Às vezes, parece que tenho qualquer missão a cumprir, qualquer coisa a fazer; mas não sei o que é, não compreendo, e esta inquietação mina-me, roi-me; esta interrogação, esta contínua busca, cada vez mais ansiosa, dentro de mim mesma, desvaira-me. Estou hoje num dos meus dias maus, não lhe devia escrever; mas, erguer todos estes fantasmas em frente da sua alma compreensiva e boa, da sua alma amiga, é um alívio e um refrigério. Perdoe o egoísmo à sua pobre Soror Saudade; hoje mais Soror Saudade do que nunca. Às vezes sinto em mim uma elevação de alma, o vôo translúcido duma emoção em que pressinto um pouco do segredo da suprema e eterna beleza; esqueço a minha miserável condição humana, e sinto-me nobre e grande como um morto. É um instante... Tudo depois é tão vago, de tal maneira solto e impreciso, de tal forma inerte e passivo, que tenho a impressão nítida de ter vindo de longe cumprir a pena do crime de ter nascido. E de todas as minhas tristezas não tenho tirado nada. Boa? Não sei... creio que não. Perdoo facilmente as ofensas, mas por indiferença e desdém: nada que me vem dos outros me toca profundamente. O amor! Ah, sim, o amor! Linda coisa para versos! A minha dolorosa experiência ensinou-me que sou só, que por mais que a gente se debruce sobre o mistério duma alma nunca o desvenda, que as palavras nada exprimem do que se quer dizer e que um grande amor, de que a gente faz o sangue e os nervos e as próprias palpitações da nossa própria vida, não passa duma pobre coisa banal e incompleta, imperfeita e absurda, que nos deixa iguais, miseravelmente iguais ao que éramos dantes, ao que continuaremos a ser. Então... para quê?...
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Tenho imensa pena de lhe não poder dizer, com verdade, que sou feliz. Lembre-se de que eu sou um canceroso: podem as várias morfinas aliviar-me, curar-me nunca. Estou doente, tenho os nervos destrambelhados. Apetecia-me agora estar longe, longe, nesse claustro de Santa Cruz da sua linda Florença. Soror Saudade sentir-se-ia ali no seu lugar; a triste monja sem fé encheria o olhar da luz suave e amortecida, toda em sedas pálidas, que a tardinha lhe trouxesse, como um divino milagre, ao seu coração chagado. Soror Saudade quereria não pensar, sobretudo não pensar, quereria pousar as mãos, devagarinho, no rebordo duma taça de mármore onde dormisse um pouco de água limpa e contemplar, entre os muros do claustro, o céu, lá no alto; em campo azul, um heráldico pombo branco, enquanto lírios muito roxos, a seus pés, inclinassem a cabeça a meditar... O meu grande amigo dirá antes que Soror Saudade precisa, indiscutivelmente, duma cela em Rilhafoles...
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Gosto imenso do seu grande Ruben Darío. Mas também são dele estes dois belos versos:
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"Pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo. Ni mayor pesadumbre que la vida consciente".
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Os meus progressos em italiano! "Si on peut dire..." Mereço não 16 mas 0, ou ainda mesmo alguns décimos abaixo de 0. É muito difícil, muito, muito difícil. Eu é que tenho que lhe dar os parabéns pelo seu ótimo português: Bravo! Muito, muito bem! Achei graça à dificuldade do burel e do mel. Que trabalhos por minha causa, e que bondade a sua em se interessar assim por um bichinho tão pouco interessante como eu sou!
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Aguardo carinhosamente a promessa da sua visita. Que não fique apenas em promessa... Depressa, sim?
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Fez muito bem em ter dormido como um anjo, pois a causa da insónia seria uma ilusão como muitas... A minha boca é isso tudo só em verso... na realidade é pálida, fria e inexpressiva como a boca duma velhinha morta.
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Tinha assim um tão grande desejo que o Cristo bizantino o remoçasse? Que ideia! Para quê? Eu quereria antes que ele me envelhecesse vinte anos num só dia. Vinte anos! Tanto tempo! Que farei eu ainda de vinte anos, meu Deus?! Tanto, tanto tempo!...
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Envio-lhe os meus dois últimos sonetos. Tenho ultimamente trabalhado bastante. Charneca em Flor está pronto, visto e revisto, e não me parece mal. Que dirá o Mestre?...
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E adeus, um adeus que eu espero seja um "até breve" muito feliz.
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Bela.
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ESPANCA, Florbela. Afinado Desconcerto (contos, cartas, diários). Coleção Vera Cruz. Organização: Maria Lúcia Dal Farra. São Paulo: Editora Iluminuras, 2002.
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* Florbela Espanca e Guido Battelli, professor de História de Literatura Italiana da Universidade de Coimbra, começaram a se corresponder em 18 de junho de 1930. Além de confidente e entusiasta, foi responsável pela tradução de seus trabalhos para o italiano e pela publicação póstuma de algumas obras, dentre elas, Charneca em Flor. No interstício entre essa carta e seu falecimento, Florbela tentou o suicídio por duas vezes. Não resistiu à terceira tentativa, arrefecendo em 08 de dezembro de 1930, dia em que completaria 36 anos.
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