quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"Pensem nas feridas como rosas cálidas..."

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algumas flores
teimam em viver
apesar do tempo
apesar do peso
apesar da morte
apesar de algumas
que teimam em morrer
apesar de tudo

Alice Ruiz.
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domingo, 14 de outubro de 2012

Esse est percipere...

Nostalgia, direção de Andrei Tarkovsky, 1983
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"...Nem tudo se pode saber ou dizer, como nos querem fazer acreditar. Quase tudo o que sucede é inexprimível e decorre num espaço que a palavra jamais alcançou..."
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Rainer Maria Rilke, in: Cartas  a um Jovem Poeta.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

(( Incomunicabilidade ))

  The Mute, Louise Bourgeois, 2002
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Querer que qualquer um seja sensível ao nosso mundo íntimo é o mesmo que estar sentindo um zumbido no ouvido e pensar que o nosso vizinho de ônibus o possa escutar.
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Mário Quintana, in: A Vaca e o Hipocrifo.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"O que é o não sentido? Doença que mais se propaga."

 The Sense of Sight, Annie Louisa Swynnerton, 1895
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O que é o caminho?
anúncio de partida
escrito em folhas que o pó desenhou.



O que é a árvore?
lagoa verde cujas ondas são o vento.

 

O que é o vento?
alma que não quer
habitar o corpo.

 

O que é a morte?
Carro que leva
Do útero da mãe
Ao útero da terra.

 

O que é o arco-íris?
Corpo de nuvem e
Corpo de sol
Abraçados arqueados
Sobre o corpo da terra.

 

O que é a onda
Imagens em movimento
Na tela do mar.

 

O que é o sonho?
Elevar o real
Ao nível da fantasia.

 

O que é o pó?
Futuro do corpo.

 

O que é o anoitecer?
Discurso de despedida.

 

O que é a lágrima?
Guerra perdida pelo corpo.

 

O que é o desespero?
Descrição da vida na língua da morte.

 

O que é o horizonte?
espaço que se move sem parar.
    
 

O que é a coincidência?
fruto na árvore do vento
caindo entre as mãos
sem se saber.

 

O que é o não sentido?
Doença
Que mais se propaga.

 

O que é a existência?
O que requer sempre
Revisão.

 

O que é a pobreza?
Tumba ambulante sobre a terra.
 


O que é a memória?
casa habitada só
por coisas ausentes.

 

O que é a poesia?
navios que navegam, sem portos.   

 

O que é a memória?
Casa habitada só
Por coisas ausentes.

 

O que é viver?
Caminhar sem pausa
Rumo ao anoitecer.

 

O que é a história?
Cego a tocar tambor.

 

O que é a chuva?
Último viajante
A descer
Do trem das nuvens.

 

O que é o rosto?
Porto mais próximo para a migração da lágrima.

 

O que é a melancolia?
Anoitecer
No espaço do corpo.


O que é o tempo?
Veste que usamos
Sem poder tirar.

 

O que é a linha reta?
Soma de linhas tortas
Invisíveis.

 

O que á a metáfora?
Asas aliviando
No peito das palavras.

 

O que é o sentido?
Início do não sentido
E seu fim.
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Adonis, 

Trechos do poema "Guia para Viajar pelas Florestas do Sentido".
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Alienismos...

 The Extraction of the Stone of Madness or The Cure of Folly (detail), Hieronymus Bosch, 1475-1480
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"Sanidade é uma mentira aconchegante."
Susan Sontag.




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Importante: Estou ajustando as imagens dos posts à nova interface do blogspot. Infelizmente excluíram a opção de dimensioná-las manualmente. Queiram desculpar-me também por ocasionais links corrompidos. Toda e qualquer modificação nos gadgets não está sendo salva... Até que tudo se normalize, obrigada pela compreensão.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

"O mundo se me olha. Tudo olha para tudo, tudo vive o outro; neste deserto, as coisas sabem as coisas..."

Play of Lights, Louis Fleckentein, 1912
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Personagem de seus personagens, autora e leitora de seu próprio livro, que nele e através dele se recapitula, Clarice Lispector, ortônima no meio de seus heterônimos, finalmente se inscreve no fecho da obra, escrevendo o antecipado epitáfio, por onde começa e acaba o texto de Um Sopro de Vida:


Já li este livro até o fim e acrescento alguma notícia neste começo. Quer dizer que o fim, que não deve ser lido antes, se emenda num círculo ao começo, cobra que engole o próprio rabo. E, ao ter lido o livro, cortei muito mais que a metade, só deixei o que me provoca e inspira para a vida: estrela acesa ao entardecer. (...) No entanto eu já estou no futuro. Esse meu futuro que será para vós o passado de um morto. Quando acabardes este livro chorai por mim uma aleluia. Quando fechardes as últimas páginas deste malgrado e afoito e brincalhão livro de vida então esquecei-me. Que Deus vos abençoe então e este livro acaba bem. Para enfim eu ter repouso. Que a paz esteja entre nós, entre vós e entre mim. Estou caindo no discurso? Que me perdoem os fiéis do templo: eu escrevo e assim me livro de mim e posso então descansar.
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Benedito Nunes, in: O Drama da Linguagem, uma leitura de Clarice Lispector.
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domingo, 23 de setembro de 2012

"... prefiro a vigília antes que ter repouso."

Three medlars with a butterfly, Adriaen Coorte, 1705
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É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília antes que ter repouso.

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Adélia Prado, in: A Duração do Dia.

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sábado, 15 de setembro de 2012

(( Amor fati ))


Liebestod, aria final da Ópera Tristão e Isolda, de Richard Wagner
Jessye Norman e Filarmônica de Viena, com a regência de Herbert von Karajan
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Eis o que consegui:
tudo estava partido e então
juntei tudo em ti

toda minha fortuna
quase nada tudo muitas coisas
numa

só:
eu quis correr o risco antes de virar
pó:

juntar tudo em ti:
toda joia todo pen drive todo cisco
tudo o que ganhei tudo o que perdi

meu corpo minha cabeça meu livro meu disco
meu pânico meu tônico
meu endereço
eletrônico

meu número meu nome meu endereço
físico
meu túmulo meu berço

aquela aurora este crepúsculo
o mar o sol a noite a ilha
o meu opúsculo

meu futuro meu passado meu presente
meio aqui
e meio ausente

meu continente meu conteúdo
e além de todo mundo
também tudo o que é imundo tudo

o medo e a esperança
algo que fica
algo que dança

o que sei o que ignoro
o que rio
e o que choro

toda paixão
todo meu ver
todo meu não

tudo estava perdido e aí
juntei tudo
em ti
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Antonio Cícero,
poema do livro Porventura, Ed. Record, 2012.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

"Vou-me embora pra Pasárgada..."


"O Poeta do Castelo", Manuel Bandeira em documentário de 1959,
direção de João Pedro de Andrade

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Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
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Manuel Bandeira.
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sábado, 1 de setembro de 2012

"Não se pode soldar o abismo com ar."

 Black on Maroon, Mark Rothko, 1959
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Para encher um Vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa — sua boca vai
mais se escancarar —
Não se pode soldar o Abismo
Com ar.
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Emily Dickinson.
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domingo, 26 de agosto de 2012

"Todos os caminhos - nenhum caminho..."

 The Fallen Man (detail), Wilhelm Lehmbruck, 1915-16
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Eu ia triste, com a tristeza discreta dos fatigados,
com a tristeza torpe dos que partiram tendo despedidas,
tão preso aos lugares
de onde o trem já me afastara estradas arrastadas,
que talvez eu não estivesse todo inteiro presente
no horror dessa viagem.
Mas a minha tristeza pesava mais do que todos os pesos,
e era por causa de mim, da minha fadiga desolada,
que a locomotiva, lá adiante, ridícula e honesta, bracejava,
puxando com esforço vagões quase vazios,
com almas cheias de distância, a penetrar no longe.
A tarde subiu do chão para a paisagem sem casas,
e o comboio seguia,
cada vez mais longe, mais fundo, a terra mais vermelha,
o esforço maior, as montanhas mais duras,
como sabem ser duros os caminhos,
pelos quais a gente vai, só pensando na volta...
Coagulada em preto,
a noite isolou as cousas dentro da tarde,
e o barulho do trem foi um rumor de soçobro
no fundo de um mar sem tona.
Nem mesmo foi a noite: foi a ausência
brusca e absurda do dia.
Tão definitiva e estranha, que eu me alegrei, esperando
o não continuar da vida,
o não-regresso da luz, o não-andar-mais-de-trem...
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João Guimarães Rosa.
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domingo, 19 de agosto de 2012

"e eu já não reconhecia mais minhas próprias margens..."

Anna Akhmátova, Nathan Altman, 1914
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Eu, como um rio,
fui devastada por estes duros tempos.
Deram-me uma vida interina. E ela pôs-se a fluir
num curso diferente, passando pela minha outra vida,
e eu já não reconhecia mais minhas próprias margens.
Oh, quantos espetáculos perdi,
quantas vezes o pano ergueu-se
e caiu sem mim. Quantos de meus amigos
nunca encontrei uma só vez em toda a minha vida,
e quantas paisagens de cidades
poderiam ter-me arrancado lágrimas dos olhos;
mas só conheço uma cidade neste mundo
embora nela fosse capaz de achar meu caminho até dormindo;
e quantos poemas nunca cheguei a escrever,
e seus refrões misteriosos pairam à minha volta
e, talvez, de algum jeito, acabem por
me estrangular...
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Estão claros, para mim, o começo e o fim,
e a vida depois do fim, e mais algumas coisas
de que não tenho de me lembrar por enquanto.
Uma outra mulher ocupou
o lugar especialmente reservado para mim
e usa o meu nome,
deixando para mim só o apelido, com o qual
fiz, provavelmente, tudo que havia para se feito.
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Não me deitarei, ai de mim, em meu próprio túmulo.
Mas, às vezes, o vento brincalhão da primavera,
ou certas combinações de palavras em um livro,
ou o sorriso de alguém suscita em mim,
de repente, essa vida que nunca aconteceu.
Neste ano, houve tais e tais coisas,
naquele ano, aquelas outras: viajar, ver, pensar
e lembrar, e entrar em um novo amor
como dentro de um espelho, com a leve consciência
da traição e de que, ontem, ainda não estava ali
aquela ruga.
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Mas se eu pudesse observar de fora
a pessoa que hoje sou,
Aí sim, aprenderia finalmente o que é a inveja.
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Anna Akhmátova.
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domingo, 12 de agosto de 2012

"o olhar distrai-se do significado que o gesto constrói..."

 Labyrinth, Saul Steinberg, 1960
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Jamais saberei
o que A. pensava de mim.
Se B. acabou por me perdoar.
Por que razão fingia C. que tudo estava bem.
Qual a quota-parte de D. no silêncio de E.
O que esperava F. se acaso algo esperava.
Por que fingia G. sabendo de tudo.
O que tinha H. a esconder.
O que queria I. acrescentar.
Se o fato de eu estar por perto,
teve algum significado
para J. e K. e para o resto do alfabeto.
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Wisława Szymborska.
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domingo, 5 de agosto de 2012

"Enche a vida sem que seja visto. Faz da vida espuma e mergulha nela..."

 Body & Space, Antony Gormley, 2010
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Avança desarmado como o bosque e sem ser detido como a nuvem, ontem carregou um continente e mudou o mar de lugar.

Traça o avesso do dia. Dos pés produz um dia e da noite empresta um calçado e espera pelo que não virá. Ele é a física das coisas. Conhece-as, chama-as por nomes que não revela. Ele é o real e seu contrário, a vida e a não vida.

Ali onde a pedra vira lado e a sombra cidade, ele vive – e faz errar o desespero, apaga o chão da esperança, dança para o pó até que este boceje e dança para as árvores até que elas durmam.

Ei-lo a anunciar o cruzamento das pontas, a imprimir o signo da magia na fronte da nossa era.
Enche a vida sem que seja visto. Faz da vida espuma e mergulha nela. Transforma o amanhã em caça, corre atrás dela em desespero. Inscritas, suas palavras seguem rumo: à perdição, à perdição.

A confusão é a pátria, mas tem os olhos cheios.
Assusta e conforta.
exala terror transborda ironia
descasca os homens como cebola.
Ele é o vento que não volta atrás, a água que não retorna à fonte. Cria sua espécie a partir dele mesmo. Não tem ascendentes, suas raízes estão em seus passos.
Caminha no abismo e tem o porte do vento.
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Adonis.
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Antony Gormley, autor do desenho que ilustra o post, terá seu trabalho exposto no CCBB, a partir do dia 07 de agosto. "Corpos Presentes" é a primeira exposição individual do artista britânico no país.
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Antony Gormley: Corpos Presentes
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
Ter à Dom, das 9h às 21h
De 07 de Agosto à 23 de Setembro de 2012
Entrada Gratuita.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Agenda: Alberto Giacometti, Salvador Dalí, Raphael e Emygdio...

Annette, Alberto Giacometti, 1962
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"Alberto Giacometti, Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris", é a primeira retrospectiva no continente sulamericano do escultor, pintor e desenhista. Estão expostas cerca de 280 obras, entre esculturas, pinturas, desenhos, gravuras e fotografias, realizadas entre 1910 e 1960.
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"Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris"
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Av. Infante Dom Henrique, 85, Flamengo
Ter à Sex, das 12h às 18h; Sáb, Dom e Feriados, das 12h às 19h
De 18 de Julho à 16 de Setembro de 2012
Ingressos R$ 12,00
Entrada gratuita às quartas a partir das 15h.

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Edith Piaf, década de 40
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"Harcourt, Escultor de Luz", em exibição no Centro Cultural do Correios, expõe fotos do lendário estúdio francês Harcourt, que imortalizou, em retratos, as personalidades do início do século XX até hoje.
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"Harcourt - Escultor de Luz"
Centro Cultural Correios

Avenida Visconde de Itaboraí, 20, Centro
Ter à Dom, das 12h às 19h
De 05 de Julho à 12 de Agosto de 2012
Entrada Gratuita.

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Cerberus, Salvador Dalí, 1950's
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Na década de cinquenta, em comemoração aos sete séculos de "A Divina Comédia", de Dante Alighieri, o governo italiano encomendou a Salvador Dalí uma série de 100 aquarelas que ilustrassem a obra. Essas gravuras compõem a exposição "Dalí: A Divina Comédia", dividida, tal qual a epopeia de Dante, em três segmentos: Inferno, Purgatório e Paraíso.
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"Dalí: A Divina Comédia"
Caixa Cultural

Av. Almirante Barroso, 25, Centro
Ter à Dom, das 10h às 21h
De 17 de Julho à 02 de Setembro de 2012
Entrada Gratuita.

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Maternidade, Henrique Bernardelli, 1885
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"Artistas Brasileiros na Itália" ocupa cinco salas do MNBA, com 97 obras de 38 artistas, e oferece uma análise sobre o fascínio que a Itália exercia, nos séculos XIX e XX, sobre os artistas no Brasil.

Estão expostas obras de Victor Meirelles, Agostinho da Mota, João Zeferino da Costa, Rodolfo Bernardelli, José Pancetti, Carlos Oswald, Bruno Giorgi, Maria Bonomi, Iberê Camargo e Darel, entre outros.
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"Artistas Brasileiros na Itália"
Museu Nacional de Belas Artes

Avenida Rio Branco, 199, Cinelândia
Ter à Sex, das 10h às 18h; Sáb, Dom e Feriados, das 12h às 17h.
De 27 de Junho à 26 de Agosto de 2012
Entrada Gratuita.

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Emygdio de Barros, autor da fotografia e data incertos
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Com diagnóstico de esquizofrênia, Raphael Domingues e Emygdio de Barros foram internos do Centro Psiquiátrico Nacional - atual Instituto Municipal Nise da Silveira -, no Rio de Janeiro, onde participaram dos primórdios do ateliê de artes do Setor de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação. Produziram mais de três mil trabalhos, cem deles estão na mostra "Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro."
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"Raphael e Emygdio: dois modernos no Engenho de Dentro"Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Ter à Dom, das 11h às 20h
De 15 de Julho à 07 de Outubro de 2012
Entrada Gratuita.

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Desabamento do Céu: sério sonhos Yanomami, Claudia Andujar, 1976
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Fotografias experimentais que datam desde 1940, podem ser vistas no Paço Imperial, até 05 de agosto. As 115 obras retratam dois períodos da fotografia brasileira: o modernista e o contemporâneo. Geraldo de Barros, José Oiticica Filho, Thomaz Farkas, José Yalenti e contemporâneos como Rosângela Rennó, Miguel Rio Branco, Claudia Andujar, Vik Muniz e Rodrigo Braga, são alguns dos 56 fotográfos expostos na mostra.
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Coleção Itaú de Fotografia Brasileira
Centro Cultural Paço Imperial

Praça XV de Novembro, 48, Centro
Ter à Dom, das 12h às 18h.
Até 05 de Agosto de 2012
Entrada Gratuita.

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Sete Dias de O Cruzeiro, Jean Manzon, 1943
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"Um Olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil", viaja pela história da principal revista ilustrada brasileira do século XX, decisiva para a implantação do fotojornalismo no país.
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"Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil"
Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Ter à Dom, das 11h às 20h
De 11 de Julho a 7 de Outubro de 2012
Entrada Gratuita.

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sábado, 14 de julho de 2012

Retrato do artista enquanto sujeito: Gustav Klimt

Gustav Klimt, pintor simbolista austríaco (1862-1918)
© foto de Moritz Nähr, 1912
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Identificamos com facilidade o trabalho de alguns artistas, mas nem sempre os seus rostos. A ideia de mais essa sessão do "Le Silence" é descortinar a criatura.

Klimt, cujo aniversário de 150 anos de nascimento é comemorado hoje, é a personificação do paradoxo do artista. O exponencial da genialidade, aprisionada em anseios e vicissitudes tão humanos. É curioso constatar, pelo menos ao meu ver, que nenhum grande artista é mais gênio, que "sujeito". Aprecia-se a obra muito pelo sentido de identificação, por alguma coisa que nos aproxima, que nos faz pensar, que nos assombra, que nos intriga, que nos extasia... e não puramente pelo sentido estético. Sob esse ponto de vista, a criação nunca será maior que o seu criador.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Música para curar a alma: Luciano Pavarotti


Vesti La Giubba, Ópera Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo, 1892
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Ouvir a ária mais tocante de "Pagliacci" às gargalhadas... a situação improvável acontece em "Para Roma, com amor". O filme não chega a ser cativante como "Meia-Noite em Paris", mas diverte ao revisitar a comédia e os tipos tão peculiares à filmografia do diretor Woody Allen.


No vídeo, "o Pagliacci", na versão original. Lindo!

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(...) Atuar!
Enquanto estou preso pelo delírio
Não sei mais o que digo
E o que faço
Embora seja preciso (...)
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Representação de construções impossíveis...

 Relativity, Maurits Cornelis Escher, 1953
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"Grande aula, a do silêncio.
Traça a reta e a curva, a quebrada e a sinuosa.
Tudo é preciso. De tudo viverás.
Cuida com exatidão da perpendicular e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo, traçarás perspectivas,
Projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.
Construirás os labirintos impermanentes que sucessivamente habitarás.
Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.
Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais."
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Cecília Meireles,
Trecho do poema "O Estudante Empírico".
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