terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Pensamento materializado: mestres da fotografia (em exposição) (10)


Bailarina do Balé Juventude da UNE,
© foto de Thomaz Farkas, 1947
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Saguão da Escola Politécnica de São Paulo, © foto de Thomaz Farkas, 1943
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Praia de Copacabana, © foto de Thomaz Farkas, 1947
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Pessoas Sobre Edifício do Congresso Nacional, © foto de Thomaz Farkas, 1960
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Exposição "Thomaz Farkas: Uma Antologia Pessoal"
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Ter à Sex, das 13h às 20h | Sáb, Dom e Feriados, das 11h às 20h
De 26 de Novembro de 2011 à 26 de Fevereiro de 2012
Entrada Franca.
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The Third Fall, © foto de Manuel Álvarez Bravo, 1934
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Mannequim With Voice, © foto de Manuel Álvarez Bravo, 1930
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Portrait of the Eternal, © foto de Manuel Álvarez Bravo, 1935
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Absent Portrait, © foto de Manuel Álvarez Bravo, 1945
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Exposição "Manuel Álvarez Bravo: Fotopoesia"
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Ter à Sex, das 13h às 20h | Sáb, Dom e Feriados, das 11h às 20h
De 27 de Novembro de 2011 à 26 de Fevereiro de 2012
Entrada Franca.
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Grand Central Station, New York City, © foto de Brassaï, 1957
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Jean-Paul Sartre at Café Flore, © foto de Brassaï, 1945
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Nun in Kitchen, © foto de Brassaï, 1932
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Obelisk and Fountains in the Place de la Concorde, © foto de Brassaï, 1933
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Exposição "Paris La Nuit - Fotografia, Brassaï"
Centro Cultural dos Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro
Ter à Dom, das 12h às 19h
De 24 de Novembro de 2011 à 08 de Janeiro de 2012
Entrada Franca.
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"De fato, as palavras falam mais alto do que as imagens. As legendas tendem a exagerar os dados da visão; mas nenhuma legenda consegue restringir, ou fixar, de forma permanente, o significado de uma imagem..."
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Susan Sontag, in: Sobre Fotografia.
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Upgrade: Precisei republicar a postagem, o blogspot fez o favor de desconfigurar o post original.
Apesar do trabalho, a configuração continua desrespeitando alguns espaçamentos do layout habitual.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Enfermidades.

Green Over Blue, Mark Rothko, 1956
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"Assim como talvez não haja, dizem os médicos, ninguém completamente são, também se poderia dizer, conhecendo bem o homem, que nem um só existe que esteja isento de desespero, que não tenha lá no fundo uma inquietação, uma perturbação, uma desarmonia, um receio de não se sabe o quê de desconhecido ou que ele nem ousa conhecer, receio de uma eventualidade exterior ou receio de si próprio..."
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Søren Kierkegaard, in: "O Desespero Humano".
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sábado, 19 de novembro de 2011

Agenda: Elizabeth Bishop, Giorgio Vasari, Viagens Italianas...

A Pequena Aldeã, Lasar Segall, 1911
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A exposição "1911-2011 Arte Brasileira e Depois, na Coleção Itaú", apresenta 178 obras de 139 artistas que mostram a evolução da produção artística no país nos últimos cem anos.

Dividida em quatro segmentos (A Marca Humana, Irrealismos, A Contestação Pop e Outros Modos, Outras Mídias), reúne trabalhos de nomes como Hélio Oiticica, Victor Brecheret, Cândido Portinari, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Bruno Giorgi, Amílcar de Castro e Guignard.

Vale lembrar que todas as obras fazem parte da Coleção Itaú. Aproximadamente 3.600 peças, que somadas às mais de 6.400 da Coleção Numismática, e as quase 2.200 da Coleção Brasiliana, totalizam um acervo de mais de 12.000 itens. A exposição marca também a reabertura do Paço Imperial que estava em reformas.
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Exposição "1911-2011 Arte Brasileira e Depois, na Coleção Itaú"
Centro Cultural Paço Imperial - IPHAN/MinC
Praça XV, 48, Centro
Ter à Dom, das 12h às 18h
De 18 de Novembro de 2011 à 12 de Fevereiro de 2012
Entrada Gratuita.

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Viagens Italianas, lista de tripulantes do navio Malabar, 1888 e passaportes de 1924 e 1961, Centro Histórico da Imigração Italiana
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O Arquivo Nacional em parceria com a Unesco, o Arquivo do Estado de Roma, o Instituto Italiano de Cultura e a Embaixada da Itália no Brasil, se associam às comemorações do sesquicentenário da unificação da Itália, e celebram as relações culturais entre os dois países (estima-se que 30 milhões de brasileiros são descendentes de italianos).
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O "Momento Itália - Brasil" promove uma série de eventos na cidade (e em todo o país), que se estenderão até o próximo ano. Dentro da programação, que reunirá centenas de atividades, estão previstas exposições de Leonardo da Vinci, Amedeo Modigliani, Caravaggio e Giorgio de Chirico. (Apreciar Caravaggio e Da Vinci de perto já faz de 2012 um ano memorável!).
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Duas exposições estão abertas ao público do Rio: "Viagens Italianas, da Idade Média aos Nossos Dias" e "Giorgio Vasari: A Invensão do Artista Moderno".
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"Viagens Italianas", exposta no Arquivo Nacional, reúne cerca de 400 imagens, livros, obras raras, manuscritos, gravuras, litografias e vídeos; e é organizada em quatro módulos: Da herança clássica às luzes, Imigração italiana e influência no Brasil, O Brasil na guerra e A Itália nas telas do pós-guerra.
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Exposição "Viagens Italianas, da Idade Média aos Nossos Dias"
Arquivo Nacional
Praca da República, 173, Centro
Seg à Sex, das 08h30m às 18h
De 04 de Novembro de 2011 à 10 de Fevereiro de 2012
Entrada Gratuita.
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Ps.: Que tal aproveitar a proximidade do Arquivo Nacional com o Hemo Rio, e ir doar sangue? Andando uns 100 metros você chega à Rua Frei Caneca, 8. Basta portar um documento com foto, pesar no mínimo 50 quilos, ter entre18 e 65 anos, estar saudável e ter se alimentado.
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Monument to Michelangelo (detail), Giorgio Vasari, 1570
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"Giorgio Vasari: A Invensão do Artista Moderno", além da fazer parte do "Momento Itália - Brasil", homenageia os 500 anos de nascimento do pintor e arquiteto italiano.

Vasari foi responsável por organizar, analisar e criticar importantes obras de arte do Renascimento no livro "Vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos", de 1550. O catálogo que trazia a biografia dos artistas foi considerado o primeiro livro de história da arte. Um exemplar original da segunda edição do livro, de 1568, é um dos destaques da exposição.

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Além do catálogo, estão expostos 200 desenhos e gravuras do século XVI.
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Allegory of the Immaculate Conception, Giorgio Vasari, 1541
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Exposição "Giorgio Vasari: A Invensão do Artista Moderno"
Biblioteca Nacional

Av. Rio Branco, 219, Centro
Ter à Sex, das 10h às 18h; Dom e Sáb, das 12h às 17h
Até o dia 11 de Dezembro de 2011

Entrada Gratuita.
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Elizabeth Bishop, © foto de Joseph Breitenbach, 1951
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Reestreou nos palcos cariocas o espetáculo, "Um Porto para Elizabeth Bishop", texto de Marta Góes e direção de José Possi Neto. Quem interpreta Bishop é a atriz Regina Braga, que já havia dado vida à poeta norte-americana havia dez anos.

A peça retrata os anos em que a ganhadora do prêmio Pulitzer de Poesia de 1956, viveu no Brasil, tendo fixado residência no Rio de Janeiro, Petrópolis e em Ouro Preto, num período que compreende as décadas de 1950 e 60. A narrativa tem como fio condutor o
relacionamento que Elizabeth Bishop manteve com a urbanista Lota de Macedo Soares.
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Peça "Um Porto para Elizabeth Bishop"

Solar de Botafogo

Rua General Polidoro, 180, Botafogo

Sex à Sáb, às 21h; Domingo, às 20h

Encerramento da temporada: 11 de Dezembro

Ingressos: R$ 30,00 (Sex) e R$ 40 (Sáb e Dom)
Duração: 75 minutos
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Esta noite a lua contempla
a avenida Copacabana

em vez de olhar para o mar,

e as coisas mais cotidianas

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são novas pra ela. Debruça-se

sobre os fios frouxos dos bondes.

Lá embaixo, os trilhos se esgueiram
até se fundirem ao longe

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(entre carros estacionados
que lembram balões coloridos

já murchos e moribundos);
os fios, pela lua atraídos,

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somem numa nebulosa
longínqua. A padaria
está imersa na meia-luz –

estamos racionando energia.

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Os bolos, de olhar esgazeado,

parecem que vão desmaiar,

As tortas, gosmentas, vermelhas,

doem. O que devo comprar?

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Misturam milho à farinha
e as bisnagas ficam doentias –
pacientes de febre amarela

amontoados na enfermaria.

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O padeiro, doente, sugere
"pães de leite" em vez de bolo.
Eu compro, e é como levar

um bebezinho no colo.

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Sob falsa amendoeira
uma puta ainda menina
dança um chá-chá-chá, girando
como um átomo na esquina.
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À sombra negra do meu prédio
um negro levanta a camisa
pra mostrar um curativo
cobrindo negra ferida.

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Com um bafo de cachaça

potente feito uma bazuca
aponta a bandagem branca
e me diz coisas malucas.

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Dou-lhe dinheiro e boa-noite,

por força do hábito. Ah!

Não haveria uma palavra
mais relevante pra lhe dar?

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Elizabeth Bishop, in: O Iceberg Imaginário e Outros Poemas.
Seleção, tradução e estudo crítico de Paulo Henriques Britto, 2001.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Música para curar a alma: Guiomar Novaes


Berceuse Op.57, de Frédéric Chopin
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"A pessoa que não consegue enfrentar a vida sempre precisa, enquanto viva, de uma mão para afastar um pouco de seu desespero pelo seu destino... mas com sua outra mão ela pode anotar o que vê entre as ruínas, pois vê mais coisas, e diferentes, do que as outras..."
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Franz Kafka, in: Diários.
19 de outubro de 1921.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Relicário...


I'm Here,
curta-metragem de Spike Jonze, 2010
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(...)
Eis que um segundo nascimento,
não advinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura...
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A explicação rompe das nuvens,
das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou Eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.
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Carlos Drummond de Andrade.
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Onde uma janela se abre para o que é..."

"E assim como água fala-me...", praia da Pituba, Salvador/BA
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"...No centro do quadro, onde uma janela
se abre para o que é, talvez, uma paisagem,
o olhar distrai-se do significado que
o gesto constrói. E quem passa o limite,
e se confronta com a sombra, perde
a possibilidade de um regresso a este
instante luminoso, em que num simples
eco a música da noite se concentra,
enchendo os ouvidos que se habituaram
ao silêncio..."
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Nuno Júdice.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Dia D.


"No Meio do Caminho", belo em qualquer idioma
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No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
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Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
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Carlos Drummond de Andrade.
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domingo, 30 de outubro de 2011

"Enquanto se espera que o coração entenda..."

Girl with Roses, Lucian Freud, 1947-1948
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"O que é angústia?
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Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra que se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria – o que também é uma forma de angústia.
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Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia – e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrai.
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Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda..."
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Clarice Lispector, in: A Descoberta do Mundo.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Id...

 Le Double Secret, René Magritte, 1927
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"Posso fingir de muitos, mas não posso fugir de mim."
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Manoel de Barros, in: "Álbum de Família",
Ensaios Fotográficos.
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sábado, 22 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Procura-se...

 East Side Interior, Edward Hopper, 1922
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O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

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Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

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Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeiras, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

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Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

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Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

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Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

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Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

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Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.
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Carlos Drummond de Andrade.
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domingo, 16 de outubro de 2011

As palavras e as coisas...

Girl Before a Mirror, Pablo Picasso, 1932
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"As palavras agrupam sílabas e as sílabas, letras, porque há, depositadas nestas, virtudes que as aproximam e as desassociam, exatamente como no mundo as marcas se opõem ou se atraem umas às outras..."
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Michel Foucault, in: As Palavras e as Coisas,
uma Arqueologia das Ciências Humanas.


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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Felicidade: substantivo comum, feminino, singular, polissilábico..."

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"... O tempo é escasso - mãos à obra.
Primeiro é preciso transformar a vida,

para cantá-la - em seguida.

Os tempos estão duros para o artista:

Mas, dizei-me, anêmicos e anões,
os grandes, onde, em que ocasião,

escolheram uma estrada batida?

General da força humana - Verbo - marche!
Que o tempo cuspa balas para trás,

e o vento no passado só desfaça um maço de cabelos.

Para o júbilo o planeta está imaturo.

É preciso arrancar alegria ao futuro.
Nesta vida morrer não é difícil.
O difícil é a vida e seu ofício."
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Vladimir Mayakovsky.
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Talvez, enfim.

 Niña, Joaquín Sorolla y Bastida, 1904
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A superfície
suave convexa
não revela seu dentro
apenas brilha.
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A entrada
estreita abóbada
é sóbria sombria
gruta.
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A seqüência
rampa enovelada
se estreita num pasmo
labirinto.
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O fim
limite íntimo
nada é além de si mesmo
ponto último.
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A saída
é a volta.
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Orides Fontela.
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sábado, 1 de outubro de 2011

"Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê..."

 The Incredulity Of Saint Thomas, Caravaggio, 1601-1602
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Agradeço a troca de opiniões, o carinho e a delicadeza dos quase 600 comentários do blog, mas o mecanismo ficará desabilitado daqui para frente. Motivo? Zerar-se. É preciso CRER em recomeços.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Labyrinth...

 Labyrinth, Salvador Dali, 1941



Compêndio sobre a dor de existir.


"O isolamento talhou-me à sua imagem e semelhança."


"Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha."


"A vida prejudica a expressão da vida. Se eu tivesse um grande amor nunca o poderia contar. Eu próprio não sei se este eu, que vos exponho, por estas coleantes páginas fora, realmente existe ou é apenas um conceito estético e falso que fiz de mim próprio. Sim, é assim. Vivo-me esteticamente em outro. Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia ao meu ser. Às vezes não me reconheço, tão exterior me pus a mim, e tão de modo puramente artístico empreguei a minha consciência de mim próprio. Quem sou por detrás desta irrealidade? Não sei. Devo ser alguém. E se não busco viver, agir, sentir, é - crede-me bem - para não perturbar as linhas feitas da minha personalidade suposta. Quero ser tal qual quis ser e não sou. Se eu cedesse destruir-me-ia. Quero ser uma obra de arte, da alma pelo menos, já que do corpo não posso ser. Por isso me esculpi em calma e alheamento e me pus em estufa, longe dos ares frescos e das luzes francas - onde a minha artificialidade, flor absurda, floresça em afastada beleza."


"Assim como lavamos o corpo deveríamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa - não para salvar a vida, como comemos e dormimos, mas por aquele respeito alheio por nós mesmos, a que propriamente chamamos asseio. Há muitos em quem o desasseio não é uma disposição da vontade, mas um encolher de ombros da inteligência. E há muitos em quem o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem, ou uma natural conformação com o não tê-la querido, mas um apagamento da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento. Há porcos que repugnam a sua própria porcaria, mas se não afastam dela, por aquele mesmo extremo de um sentimento, pelo qual o apavorado se não afasta do perigo. Há porcos de destino, como eu, que se não afastam da banalidade quotidiana por essa mesma atração da própria impotência. São aves fascinadas pela ausência de serpente; moscas que pairam nos troncos sem ver nada, até chegarem ao alcance viscoso da língua do camaleão. Assim passeio lentamente a minha inconsciência consciente, no meu tronco de árvore do usual. Assim passei o meu destino que anda, pois eu não ando; o meu tempo que segue, pois eu não sigo."


"Fazer qualquer coisa completa, inteira, seja boa ou seja má - e, se nunca é inteiramente boa, muitas vezes não é inteiramente má - ,sim, fazer uma coisa completa causa-me, talvez, mais inveja do que outro qualquer sentimento. É como um filho: é imperfeita como todo o ente humano, mas é nossa como os filhos são. E eu, cujo espírito de crítica própria me não permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo, sou imperfeito também. Mais valeram pois, ou a obra completa, ainda que má, que em todo o caso é obra; ou a ausência de palavras, o silêncio inteiro da alma que se reconhece incapaz de agir."


"Somos quem não somos, e a vida é pronta e triste. O som das ondas à noite é um som da noite; e quantos o ouviram na própria alma, como a esperança constante que se desfaz no escuro com um som surdo de espuma funda! Que lágrimas choraram os que obtiveram, que lágrimas perderam os que conseguiram! E tudo isto, no passeio à beira-mar, se me tornou o segredo da noite e da confidência do abismo. Quantos somos! Quantos nos enganamos! Que mares soam em nós, na noite de sermos, pelas praias que nos sentimos nos alagamentos da emoção! Aquilo que se perdeu, aquilo que se deveria ter querido, aquilo que se obteve e satisfez por erro, o que amámos e perdemos e, depois de perder, vimos, amando por tê-lo perdido, que o não havíamos amado; o que julgávamos que pensávamos quando sentíamos; o que era uma memória e críamos que era uma emoção; e o mar todo, vindo lá, rumoroso e fresco, do grande fundo de toda a noite, a estuar fino na praia, no decurso noturno do meu passeio à beira-mar… Quem sabe sequer o que pensa ou o que deseja? Quem sabe o que é para si-mesmo? Quantas coisas a música sugere e nos sabe bem que não possam ser!"


Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa.
Fragmentos de "O Livro do Desassossego".
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"A cor de primavera que há-de vir..."

Farm Garden with Sunflowers, Gustav Klimt, 1912


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!


Casimiro de Abreu,
fragmento do poema "Meus Oito Anos".

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"Sobrar-me-á sempre de que desejar, como um palco deserto..."

On The Nature of Daylight, Dresden SemperOper Ballett, by David Dawson



(...)
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas.
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me às mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...


Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Piés para qué los quiero..."

Butterflies, Odilon Redon, 1910
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A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva, etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
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Manoel de Barros, in: Compêndio para Uso dos Pássaros.
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domingo, 18 de setembro de 2011

(( Anǐma ))

Madonna in Glory (detail), Carlo Dolci, 1870
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Entre as flores o seu coração estava em casa, como se fosse uma delas. A todas chamava pelo nome, por amor dava-lhes novos nomes mais belos e sabia exatamente a duração da vida de cada uma, na alegria. Tratava a Natureza como uma irmã, como um ser amado, de quem se gostaria de receber a primeira saudação da manhã. E de tudo isto se ocupava aquela serena criatura, absorta na sua felicidade, quando íamos passear ao prado ou à floresta. E tudo isto não era absolutamente nada cultivado, estabelecido. Era simplesmente desenvolvido, à medida que ela crescia. Trata-se, pois, de uma certeza eterna, por todo o lado comprovada: quanto mais inocente e bela é uma alma, tanto mais familiar ela se mantém em relação às outras vidas felizes, a essas que chamamos inanimadas.


Friedrich Hölderlin, in: Hipérion ou o Eremita da Grécia.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O pensamento materializado: mestres da fotografia (9)

Shane, © foto de Bernard Plossu, 1982



Children Play With an Old Tyre, © foto de John Chillingworth, 1951



Gold Miner, © foto de Robin Hammond, 2011



Lion Profile, © foto de Boza Ivanovic, 2009



Street Child, © foto de Lewis Hine, 1910



8th Avenue Billboard, © foto de Michael Massaia, 2008



Sumayya, whose uncle, Imran Ali, injured in a shootout, looks at him as he is brought to a hospital for treatment in Karachi, © foto de Athar Hussain, 2011



La Dolce Vita, © foto de Thurston Hopkins, 1953



Hand in Hand, © foto de Norman Parkinson, década de 50



Mulberry Street, © foto de Sid Grossman, 1948



The Accident at the Gare Montparnasse, © foto de Lévy & Sons, 1897



Joan Crawford, © foto de George Hurrell, 1930



The Gorbals, © foto de Bert Hardy, 1948



On the Set of The Misfits, © foto de Ernst Haas, 1960



Pine Trees in Pushkin Park, © foto de Aleksandr Rodchenko, 1927



Bolshoi Ballet School, © foto de Cornell Capa, 1958



Japanese Paper Blossom, © foto de Cecil Beaton, 1957



Marilyn Monroe, © foto de Murray Garret, 1953



Times Square, © foto de Josef Hoflehner, 2009



The Beatles, © foto de John Loengard, 1964


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