terça-feira, 3 de novembro de 2009

Agenda: Woody Allen em 40 filmes...


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Para quem ainda cumpre resguardo pós Festival do Rio (quem assistiu 50 filmes ou mais, sabe do que estou falando), o CCBB vem com uma irresistível retrospectiva da carreira do cineasta Woody Allen.
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De amanhã até o dia 29 de novembro a mostra "A elegância de Woody Allen", exibirá 40 filmes entre longas-metragens dirigidos por ele e trabalhos nos quais atuou como roteirista ou ator. Ainda fazem parte da programação, cursos, exibição de filmes dedicados ao diretor e debates.
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A produção do cineasta levanta discussões acaloradas. É comum ouvir ressalvas sobre seu estilo, criticado por ser recorrente em cenários, situações, diálogos e na caracterização de tipos pernósticos, hipocondríacos e paranóicos. Mas há quem discorde, sobretudo o séquito de fãs que acompanham seus mais de 40 anos de carreira. Não sou crítica ferrenha, nem entusiasta fanática, mas gosto dele. Acho perspicaz a forma como traduz inquietações pessoais e a lógica das relações, afinal, todas aquelas "ruminaçõezinhas" são típicas dos relacionamentos e das nossas crises existenciais. Teorias à parte, constam em sua filmografia grandes clássicos. Nesta retrospectiva é imprescindível assistir: "Hannah e suas Irmãs", "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Crimes e Pecados", "A Era do Rádio", e os meus preferidos, "Manhattan" e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa".
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Programe-se:
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[1966] O QUE HÁ, TIGRESA? (WHAT'S UP, TIGER LILY?)Dia 07/11, sábado às 16h
Dia 18/11, quarta-feira às 17h30
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[1969] UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (TAKE THE MONEY AND RUN)Dia 20/11, sexta-feira às 15h30
Dia 25/11, quarta-feira às 17h30
Dia 29/11, domingo às 14h
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[1971] BANANASDia 05/11, quinta-feira às 19h30
Dia 14/11, sábado às 16h
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[1972] TUDO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE SEXO, MAS TINHA MEDO DE PERGUNTAR (EVERYTHING YOU ALWAYS WANTED TO KNOW ABOUT SEX, BUT WERE AFRAID TO ASK)Dia 11/11, quarta-feira às 15h30
Dia 22/11, domingo às 20h
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[1973] DORMINHOCO (SLEEPER)Dia 06/11, sexta-feira às 17h30
Dia 21/11, sábado às 18h
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[1975] A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUSHENKO (LOVE AND DEATH)Dia 14/11, sábado às 20h
Dia 17/11, terça-feira às 15h30
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[1977] NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (ANNIE HALL)Dia 15/11, domingo às 18h
Dia 19/11, quinta-feira às 17h30 *sessão seguida de debate
Dia 24/11, terça-feira às 18h30
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[1978] INTERIORES (INTERIORS)Dia 19/11, quinta-feira às 15h30
Dia 29/11, domingo às 16h
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[1979] MANHATTANDia 07/11, sábado às 20h
Dia 11/11, quarta-feira às 19h30
Dia 15/11, domingo às 14h
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[1980] MEMÓRIAS (STARDUST MEMORIES)Dia 07/11, sábado às 18h
Dia 26/11, quinta-feira às 17h30 *sessão seguida de debate
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[1982] SONHOS ERÓTICOS DE UMA NOITE DE VERÃO (A MIDSUMMER NIGHT’S SEX COMEDY)Dia 17/11, sexta-feira às 15h30
Dia 22/11, domingo às 16h
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[1983] ZELIGDia 17/11, terça-feira às 17h30
Dia 25/11, quarta-feira às 15h30
Dia 29/11, domingo às 20h
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[1984] BROADWAY DANNY ROSEDia 24/11, terça-feira às 17h30
Dia 28/11, sábado às 20h
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[1985] A ROSA PÚRPURA DO CAIRO (THE PURPLE ROSE OF CAIRO)Dia 08/11, domingo às 14h
Dia 18/11, quarta-feira às 19h30
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[1986] HANNAH E SUAS IRMÃS (HANNAH AND HER SISTERS)Dia 08/11, domingo às 18h
Dia 10/11, terça-feira às 15h30
Dia 13/11, sexta-feira às 19h30
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[1987] A ERA DO RÁDIO (RADIO DAYS)Dia 08/11, domingo às 20h
Dia 20/11, sexta-feira às 17h30
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[1987] SETEMBRO (SEPTEMBER)Dia 24/11, terça-feira às 15h30
Dia 28/11, sábado às 16h
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[1988] A OUTRA (ANOTHER WOMAN)Dia 21/11, sábado às 16h
Dia 26/11, quinta-feira às 13h30
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[1989] CONTOS DE NOVA YORK - SEGMENTO "ÉDIPO ARRASADO" (NEW YORK STORIES - SEGMENT "OEDIPUS WRECKS")Dia 20/11, sexta-feira às 19h30
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[1989] CRIMES E PECADOS (CRIMES AND MISDEMEANOURS)Dia 14/11, sábado às 18h
Dia 27/11, sexta-feira às 19h30
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[1990] SIMPLESMENTE ALICE (ALICE)Dia 05/11, quinta-feira às 17h30
Dia 10/11, terça-feira às 19h30
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[1991] NEBLINAS E SOMBRAS (SHADOWS AND FOG)Dia 06/11, sexta-feira às 19h30
Dia 11/11, quarta-feira às 17h30
Dia 15/11, domingo às 16h
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[1992] MARIDOS E ESPOSAS (HUSBANDS AND WIVES)Dia 17/11, terça-feira às 19h30
Dia 26/11, quinta-feira às 15h30
Dia 28/11, sábado às 18h
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[1993] UM MISTERIOSO ASSASSINATO EM MANHATTAN (MANHATTAN MURDER MYSTERY)
Dia 08/11, domingo às 16h
Dia 10/11, terça-feira às 17h30
Dia 12/11, quinta-feira às 19h30
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[1994] TIROS NA BROADWAY (BULLETS OVER BROADWAY)Dia 21/11, sábado às 20h
Dia 25/11, quarta-feira às 13h30
Dia 29/11, domingo às 18h
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[1995] PODEROSA AFRODITE (MIGHTY APHRODITE)Dia 13/11, sexta-feira às 13h30
Dia 22/11, domingo às 14h
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[1996] TODOS DIZEM EU TE AMO (EVERYONE SAYS I LOVE YOU)Dia 04/11, quarta-feira às 17h30
Dia 15/11, domingo às 20h
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[1997] DESCONSTRUINDO HARRY (DECONSTRUCTING HARRY)Dia 22/11, domingo às 18h
Dia 25/11, quarta-feira às 19h30
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[1998] CELEBRIDADES (CELEBRITY)Dia 27/11, sexta-feira às 15h
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[1999] SWEET AND LOWDONW (POUCAS E BOAS)Dia 04/11, quarta-feira às 19h30
Dia 13/11, sexta-feira às 17h30
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[2000] TRAPACEIROS (SMALL TIME CROOKS)Dia 18/11, quarta-feira às 13h30
Dia 27/11, sexta-feira às 17h30
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[2001] O ESCORPIÃO DE JADE (THE CURSE OF THE JADE SCORPION)
Dia 17/11, terça-feira às 13h30
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[2001] SOUNDS FROM A TOWN I LOVE (SOUNDS FROM A TOWN I LOVE)
Dia 07/11, sábado às 20h
Dia 11/11, quarta-feira às 19h30
Dia 15/11, domingo às 14h e 18h
Dia 19/11, quinta-feira às 17h30
Dia 24/11, terça-feira às 18h30
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[2002] DIRIGINDO NO ESCURO (HOLLYWOOD ENDING)Dia 06/11, sexta-feira às 15h30
Dia 10/11, terça-feira às 13h
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[2003] IGUAL A TUDO NA VIDA (ANYTHING ELSE)
Dia 05/11, quinta-feira às 13h30
Dia 20/11, sexta-feira às 13h30
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[2004] MELINDA E MELINDA (MELINDA AND MELINDA)
Dia 05/11, quinta-feira às 15h30
Dia 11/11, quarta-feira às 13h30
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[2005] MATCH POINT (MATCH POINT)
Dia 12/11, quinta-feira às 17h
Dia 24/11, terça-feira às 13h
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[2006] SCOOP - O GRANDE FURO (SCOOP)Dia 19/11, quinta-feira às 13h30
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[2007] O SONHO DE CASSANDRA (CASSANDRA’S DREAM)
Dia 06/11, sexta-feira às 13h30
Dia 12/11, quinta-feira às 15h30
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[2008] VICKY CRISTINA BARCELONADia 12/11, quinta-feira às 13h
Dia 18/11, quarta-feira às 15h30
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Mostra "A Elegância de Woody Allen"Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, Centro
De 04 à 29 de novembro
Bilheteria: Ter à dom, das 10h às 21h
Ingressos: R$ 6 (inteira) R$ 3 (meia)
Mais informações no site da mostra.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre os vícios do tempo: tédio, hábito e rotina.


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"Com respeito à natureza do tédio encontram-se frequentemente conceitos errôneos. Crê-se em geral que a novidade e o caráter interessante do seu conteúdo "fazem passar" o tempo, quer dizer, abreviam-no, ao passo que a monotonia e o vazio estorvam e retardam o seu curso. Mas não é absolutamente verdade. O vazio e a monotonia alargam por vezes o instante ou a hora e tornam-nos "aborrecidos"; porém, as grandes quantidades de tempo são por elas abreviadas e aceleradas, a ponto de se tornarem um quase nada. Um conteúdo rico e interessante é, pelo contrário, capaz de abreviar uma hora ou até mesmo o dia, mas, considerado sob o ponto de vista do conjunto, confere amplitude, peso e solidez ao curso do tempo, de tal maneira que os anos ricos em acontecimentos passam muito mais devagar do que aqueles outros, pobres, vazios, leves, que são varridos pelo vento e voam. Portanto, o que se chama de tédio é, na realidade, antes uma simulação mórbida da brevidade do tempo, provocada pela monotonia: grandes lapsos de tempo quando o seu curso é de uma ininterrupta monotonia chegam a reduzir-se a tal ponto, que assustam mortalmente o coração; quando um dia é como todos, todos são como um só; e numa uniformidade perfeita, a mais longa vida seria sentida como brevíssima e decorreria num abrir e fechar de olhos.
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O hábito é uma sonolência, ou, pelo menos, um enfraquecimento do senso do tempo, e o fato dos anos de infância serem vividos vagarosamente, ao passo que a vida posterior se desenrola e foge cada vez mais depressa, esse fato também se baseia no hábito. Sabemos perfeitamente que a intercalação de mudanças de hábitos, ou de hábitos novos, constitui o único meio de manter a nossa vida, de refrescar a nossa sensação de tempo, de obter um rejuvenescimento, um reforço, um atraso da nossa experiência do tempo, e com isso, a revolução da nossa sensação da vida em geral. Tal é a finalidade da mudança de lugar e de clima, da viagem de férias: nisso reside o que há de salutar na variação e no episódio. Os primeiros dias num ambiente novo têm um curso juvenil, quer dizer, vigoroso e amplo - seis ou oito dias. Depois, na medida em que a pessoa se "aclimata", começa a senti-los abreviarem-se: quem se apega à vida, ou melhor, quem gostaria de apegar-se à vida nota, com horror, como os dias começam a tornar-se leves e furtivos; e a última semana - de quatro, por exemplo - é de uma rapidez e fugacidade inquietante. Verdade é que a vitalização do nosso senso de tempo faz-se sentir para além do interlúdio, e desempenha o seu papel ainda quando a pessoa já voltou à rotina; os primeiros dias que passamos em casa, depois desta variação, afiguram-se-nos também novos, amplos e juvenis, mas somente uns poucos: porque a gente acostuma-se mais rapidamente à rotina do que à sua suspensão, e quando o nosso senso do tempo está fatigado pela idade, ou nunca o possuímos desenvolvido em alto grau - o que é sinal de pouca força vital - volta a adormecer muito depressa, e ao cabo de vinte e quatro horas já é como se a pessoa jamais tivesse partido e a viagem não passasse de um sonho de uma noite."
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Thomas Mann, in: A Montanha Mágica.
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sábado, 31 de outubro de 2009

Agenda: Bisilliat, Lam, Panorama de Dança...

Índio passando urucum, © Foto de Maureen Bisilliat, 1970.
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Exposição "Maureen Bisilliat: fotografias"
A própria fotógrafa inglesa, radicada no Brasil desde 1957, selecionou as mais de 250 imagens expostas. Ensaios fotográficos que retratam desde o universo de Guimarães Rosa, os Sertões de Euclides da Cunha, os índios do Xingu, as Caranguejeiras numa referência ao poema de João Cabral de Melo Neto à viagens a Bolívia, China e Japão.

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
De 08 de outubro à 17 de janeiro de 2010
Ter a sex, das 13h às 20h; sáb, dom e feriados, das 11h às 20h
Entrada Franca
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A Espera, Lydio Bandeira de Mello, 1958
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Exposição "Bandeira de Mello, Eu existo assim"
Como Bisilliat, foi o artista de 80 anos, que realizou a seleção e concepção da mostra, que conta com 65 obras, entre telas e desenhos a grafite. Os temas abordados vão de nus femininos a cenas com camponeses, personagens recorrentes em sua obra. Também integram a exposição, os dois painéis de 33 metros instalados permanentemente no mezanino do centro cultural.

Espaço Caixa Cultural
Avenida Almirante Barroso, 25, Centro
De 26 de outubro à 17 de janeiro de 2010
Ter à sex, das 10h às 22h; sáb, dom e feriados, das 10h às 21h.
Entrada Franca
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Gravidade Zero, Companhia Andréa Maciel
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Festival "Panorama de Dança 2009"
Essa 18º edição do festival de dança contemporrânea, conta com mais de 30 atrações espalhadas democraticamente nos espaços mais diversos da cidade. A abertura terá o Ballet de Lorraine com Répertoire – Lamentation (Martha Gaham), La mère e Étude révolutionnaireDuo d’Eden (Maguy Marin), Steptext (William Forsythe), no Teatro João Caetano, a partir das 20h.

De 5 à 15 de novembro
Locais das apresentações, horários e programação completa, no site do Festival.
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The Jungle, Wifredo Lam, 1943
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Exposição "LAM: gravuras"
A primeira grande mostra do artista plástico Wifredo Lam no país, percorre quarenta anos da obra do mais célebre pintor cubano, desde os desenhos que ilustraram livros de poetas e escritores como André Breton e Gabriel Garcia Márquez, até as últimas gravuras, realizadas em 1982.

Espaço Caixa Cultural (Galeria 3)
Av. Almirante Barroso, 25, Centro
De 22 de outubro à 03 de janeiro de 2010
Ter a sáb, das 10h às 22h; dom, das 10h às 21h
Entrada Franca

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Mais de Cuba...
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Omara Portuondo, Tal vez
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Mexe daí... bom final de semana!
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Interiores...

© Gregory Colbert, Ashes and Snow

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"Só existe uma solidão. É grande e difícil de suportar. E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão. Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém… Isto é o que importa conseguir. Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto à nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres...".
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Rainer Maria Rilke, in: Cartas a um Jovem Poeta.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

É melhor ser alegre que ser triste?

Johann Sebastian Bach, Suíte No.1 para violoncello, por Mischa Maisky
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O senso comum a respeito do sentimento melancólico, quase nunca se desassocia da tristeza. Penso nele de forma menos pejorativa, posto que as coisas mais belas que ouço, leio ou vejo são redundantemente melancólicas.
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Este Prelúdio de Bach
Poesias do Fernando Pessoa e da Florbela Espanca
O som do mar
Passeios pelo Jardim Botânico
O instante em que se captura a imagem na fotografia
Personagens da literatura, de Dom Quixote ao Pequeno Príncipe, um gurizinho melancólico...
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Por que incorporar uma falsa felicidade, se existe beleza em ser questionador, inconstante e complacente com as próprias imperfeições?!

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Por onde anda a civilidade perdida?!

Narcissus, Caravaggio, 1597
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"Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos? Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas… que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência? No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é, parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso?"
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Nietzsche, in: A Vontade de Poder.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sertão: é dentro da gente."

Grande Sertão: Veredas, trecho final narrado pela Maria Bethânia
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Absorvo nova literatura sem hermetismo ou preconceitos, mas tenho predileção pelos clássicos, sobretudo os romances. Como é bom relê-los. Foi o que pensei quando, sem as abstrações das últimas semanas, conclui minha terceira releitura de Grande Sertão: Veredas. E não é que pareceu-me completamente novo? Riobaldo, Diadorim, a narrativa, os aforismos, tudo estava diferente. Na verdade, mesmo os clássicos, são sempre os mesmos. Nós é que mudamos ou como se lê em Sertão: "...as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas..." 
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Trechos do romance escrito pelo gênio, João Guimarães Rosa:
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"O correr da vida embrulha tudo,
a vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente
aprendendo a ser capaz
de ficar alegre a mais,
no meio da alegria,
e inda mais alegre
ainda no meio da tristeza!
A vida inventa!
A gente principia as coisas,
no não saber por que,
e desde aí perde o poder de continuação 
porque a vida é mutirão de todos,
por todos remexida e temperada.
O mais importante e bonito, do mundo, é isto:
que as pessoas não estão sempre iguais,
ainda não foram terminadas, 
mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior.
Viver é muito perigoso; e não é não.
Nem sei explicar estas coisas.
Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor."
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"Só o que eu quis, todo o tempo, o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira – cujo significado vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas, esse norteado tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa conseqüência, tudo o que eu fizer, o que o senhor fizer, o que o beltrano fizer, o que todo-o-mundo fizer, ou deixar de fazer, fica sendo o falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei, escondida e vivível mas não achável, do verdadeiro viver: que para cada pessoa, sua continuação, já foi projetada como o que se põe, em teatro, ara cada representador – sua parte, que antes já foi inventada, num papel…"
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Agenda: Vacas vermelhas no telhado!?

Marc Chagall, 1887-1985
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Fiz menção a pelo menos meia dúzia de eventos relacionados ao ano da França no Brasil, mas um em especial promete ser bem significativo. O Museu Nacional de Belas Artes recebe a partir do dia 16, a exposição "O Mundo Mágico de Marc Chagall – O Sonho e a Vida". Séries completas do pintor judeu nascido na Rússia e naturalizado francês, reunidas em pouco mais de 300 obras..
Sobrevivente da revolução bolchevique e do nazismo, o artista usava ícones da cultura judaico-russa e recordações infantis, associados a elementos cubistas e surrealistas, resultando num mundo mágico, de exaltação do subconsciente, do ilógico, cheio de miragens oníricas e grande riqueza cromática..
Chagall é um dos meus pintores preferidos, e mesmo se não fosse, iria dizer-lhes: não percam a oportunidade!
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Noivas flutuantes, romantismo, seres alados, bichos equilibrados em telhados... Alguns de seus sonhos pictóricos:
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Birthday, 1915
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The Message of Odysseus, 1967-1968 (Mosaic)
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A Group of People, 1914-1915 (pencil, whitewash on paper)
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Russian Village Under Moon, 1911 
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I And the Village, 1911 
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Self-Portrait with Muse "Dream", 1917-1918
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The Soldier Drinks, 1911-1912 
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Enchantment Vesperal, 1913 
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Self-Portrait with Seven Digits, 1912-1913 
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Blue Lovers, 1914 
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Homage to Apollinare, 1911-1912
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Museu Nacional de Belas Artes
Avenida Rio Branco, 199, Cinelância 
De 16 de outubro à 06 de dezembro 
Ter à Sex, das 10h às 18h Sáb e Dom, das 12h às 17h
Ingressos: R$ 5,00 (estudantes pagam R$ 2,00). Entrada franca aos domingos.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Esperando Godot" no escurinho do cinema...

Samuel Beckett, © foto de John Minihan, 1969
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Fim de festa... 2 semanas, 51 filmes, mais de 90 horas de projeções.
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Havia uns bons anos que não conseguia dar vazão ao meu ufanismo cinéfilo e acompanhar tão de perto o Festival de Cinema do Rio, que diga-se de passagem, esteve muito regular. Teve diretores alçados ao posto de gênios (com louvor) por alguns de seus trabalhos e que por isso, não se espera nada menos que o melhor de suas criações. É o caso do Pedro Almodóvar e do Quentin Tarantino. O diretor espanhol abriu mão da sua indefectível marca tragicômica em Abraços Partidos. As auto referências continuam lá, mas com um Almodóvar mais dramático e menos kitsch. Já Tarantino se mantém fiel ao seu estilo verborrágico e sanguinolento, em Bastardos Inglórios. Qual adjetivo melhor para o diretor que retrata um filme com temática de guerra (ocupação nazista!), sem se preocupar com ambientação histórica? Ambos são bons filmes, mas nenhuma obra-prima na filmografia de ambos.


Outro grande nome, Ang Lee, passou com média superior aos seus colegas. Aconteceu em Woodstock é um excelente filme, e consolida sua versatilidade como diretor que passeia por linguagens tão diversas como as de Razão e Sensibilidade, O Tigre e o Dragão, Desejo e Perigo e Brokeback Moutain.

Outros filmes altamente recomendáveis são: O Segredo Dos Seus Olhos, Five Minutes of Heaven, Nova York Eu Te Amo, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Distante Nós Vamos, Teatro de Guerra, Aquário, O Desinformante, The Burning Plain, Tokyo, A Margem do Lixo, The White Ribbon, As Praias de Agnes e (500) Dias Com Ela.

Acredito que boa parte deles entre em circuito nas próximas semanas. Vale conferir! Entretanto, há sempre o que nos desperta maior ou menor entusiasmo. Neste caso, o meu filme "pulga de cadeira" foi Eu, Ela e Minha Alma. Cópia sem vergonha do clássico do Michel Gondry, o adorável Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças.

Já o preferido é brasileiro, fruto de uma adaptação homônima do teatro, A Falta Que Nos Move. A história é simples. Trata-se de um encontro entre cinco amigos numa casa, onde bebem e conversam, enquanto preparam o jantar para uma sexta pessoa que ninguém sabe quem é, e a que horas vai chegar. Até aí nenhum prêmio de roteiro original. O pulo do gato fica no experimentalismo com que a diretora Christianne Jatahy retrata os limites entre a realidade e a ficção. Essa linguagem se traduz nas 13 horas ininterruptas em que o filme foi rodado, na questão dos atores serem também personagens, já que são chamados pelos próprios nomes, e na condução da direção, que se apoiou num roteiro pré-estabelecido, mas foi feita exclusivamente por mensagens de celular durante a filmagem.

O espectador é levado a refletir sobre o que é real ou encenação, em que momento os atores estão sendo eles mesmos, afinal seria possível viver um personagem ao longo de treze horas? Durante o período (que às vezes soa bem atemporal) em que eles aprontam o tal jantar, vêm à tona dores humanas, carência, amor, cumplicidade, rupturas, ausências... é quando num dado momento, percebemos que o convidado nunca vai chegar.

Imperdível filme, do tipo que instiga pela metalinguagem, e faz pensar que quando somos confrontados com a ausência de algo, cada qual reage de uma forma. Uns valorizam, outros tornam-se melancólicos ou amargos, encontram substitutivos, resignam-se ou mudam o estado das coisas... o fato é que sempre vai existir uma falta que nos move, o que diverge, é para onde.


Lembrando que tem repescagem de alguns filmes do festival a partir dessa sexta-feira até o dia 15 de outubro, somente no Espaço de Cinema 1, 2 e 3.
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Informações sobre os filmes e horários do repeteco no site do festival.
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Para quem perdeu, eis uma boa oportunidade. Para mim, já deu. Até o ano que vem!
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"Toda filosofia esconde também uma filosofia. Toda opinião é também um esconderijo, toda palavra também uma máscara."
Nietzsche.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Fazendo parte da história...

The Gods of Olympus, Giulio Romano, 1528..
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Brincaram comigo por conta do post anterior, aquela minha meta de assistir cinquenta filmes no Festival de Cinema do Rio (a propósito, ontem cheguei a marca de 24). Se a paixão pela sétima arte é enorme, eleve isso ao quadrado, e talvez cheguemos a uma equação justa do meu entusiasmo por esportes.

Um apreço que vai além dos vários anos dedicados à pratica da natação e o frustrado ímpeto de que isso se convertesse numa atividade profissional (o fato é que eu era bem medíocre e tinha pernas curtas). Tênis, basquete, saltos ornamentais, vôlei, ginástica artística, handebol, pentatlo moderno, esgrima, badminton, judô, ciclismo, remo, pólo aquático, hipismo... compreendo as regras de boa parte deles e os acompanho desde 1988, quando aos 10 anos, assisti minha primeira Olimpíada.

A história dos Jogos é bem mais antiga que isso. Foram criados pelos gregos há mais de 3 mil anos em forma de festivais desportivos que cultuavam os deuses do Olimpo, principalmente Zeus, Deus do céu e do trovão, rei de todos os deuses. Alguns aconteciam mensalmente, outros anualmente. Já os Jogos de Olímpia eram realizados de 4 em 4 anos, e aos que venciam as provas, cabia uma Coroa de Oliveira.

Com a conquista da Grécia pelos Romanos, os ideais que norteavam as competições se desvirtuaram. Os prêmios, a corrupção, a predileção por espetáculos violentos, arruinaram os ideais olímpicos. Em 392 a.c, o imperador Teodósio I, proibiu os Jogos a pretexto de serem manifestações pagãs.
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Ruínas do Templo de Zeus, hoje, sítio arqueológico tombado pela UNESCO
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Só em 1896 as competições foram retomadas em Atenas, por iniciativa do Barão de Coubertin. Os primeiros Jogos da Era Moderna continuariam a ser disputados quadrienalmente, com o objetivo maior de promover a amizade e a paz entre os povos. Conceitos do espírito olímpico que nem sempre foram respeitados, como quando os Jogos foram interrompidos em 1916 e no período de 1939 à 1945, devido a primeira e segunda Guerras Mundiais. Quando o ataque terrorista planejado por palestinos do grupo Setembro Negro vitimou 11 atletas israelenses, nas Olimpíadas de Munique ou no episódio em que Estados Unidos e a Antiga União Soviética, boicotaram os jogos de Moscou e Los Angeles, respectivamente..
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Jesse Owens, prova dos 200m rasos das Olimpíadas de Berlim, 1936.
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Adolf Hitler, defensor da supremacia ariana, viu Owens subir quatro vezes no lugar mais alto do pódio.
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Não obstante toda essa história que envolve uma civilização riquíssima, os exemplos e alegrias proporcionados pelo esporte; sediar os Jogos como são conhecidos hoje, significa geração de empregos, visibilidade estrondosa do país para o restante do mundo, aquecimento da indústria do turístico, dissiminação da prática esportiva, formação de novas gerações de atletas de alto nível, e acima de tudo, um bote salva-vidas. Um evento que além do gigantismo logístico, pode deixar um legado social e urbano inestimável para o Rio de Janeiro. Como entusiasta do esporte e carioca, espero que a vontade de transformação, a responsabilidade e emoção por sermos o país sede dos Jogos de 2016, sejam maiores que a vocação duvidosa de alguns em querer levar vantagem em tudo. No mais, fica a cargo da imaginação e de muito trabalho dos envolvidos na organização do evento, antever o que nos espera até lá. A única certeza é que daqui a sete anos, o mundo estará diferente, assim como você, eu... encontro marcado!

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Agenda: Festival de Cinema do Rio 2009


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Qualquer cinéfilo que se preza aguarda ansioso o Festival de Cinema do Rio.

Essa 11ª edição reúne 310 filmes de 60 países, divididos em 27 mostras. A seleção está homogênia, mas a quantidade de filmes diminuiu o número de sessões de fitas aguardadas, e que dificilmente serão exibidas no circuito convencional. Quem está sem passaporte vai cortar um dobrado. Só não entendi porque os romenos "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" e "À Leste de Bucareste" ficaram de fora, alguém sabe dizer?! A maratona de cinema, vai até o dia 08 de outubro.

Mais informações sobre todos os filmes, sinopses, locais de exibição e horários, no site do evento.
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Segue, a lista dos meus 50 filmes necessários, a meta é assistir a todos, depois digo se consegui. Bom festival!..
"MOSTRA DOX"
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Teatro de Guerra
Theater of War
País: EUA, 2008
Dir: John Walter
Com: Meryl Streep, Tony Kushner, Kevin Kline, Barbara Brecht-Schall


"MOSTRA EXPECTATIVA 2009"
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A Pequenina
La PivellinaPaís: Itália/Áustria, 2009
Dir: Tizza Covi, Rainer Frimmel
Com: Asia Crippa, Patrizia Gerardi
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Eu, Ela e Minha Alma
Cold SoulsPaís: EUA, 2008
Dir: Sophie Barthes
Com: Paul Giamatti, David Strathairn, Dina Korzum, Emily Watson

Séraphine
Séraphine
País: França/Bélgica, 2008
Dir: Martin Provost
Com: Yolande Moreau, Ulrich Tukur, Anne Bennent

O Amor Escondido
L'Amour Caché
País: Itália/Luxemburgo/Bélgica, 2007
Dir: Alessandro Capone
Com: Isabelle Huppert


"MOSTRA MUNDO GAY"
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Árvores com Figos
Fig TreesPaís: Canadá, 2009
Dir: John Greyson
Com: Van Abrahams, David Wall, Deborah Overes, Ezra Perlman

An Englishman In New York
An Englishman in New YorkPaís: Reino Unido, 2009
Dir: Richard Laxton
Com: John Hurt, Denis O’Hare, Jonathan Tucker

Morrer Como um Homen
Morrer Como um HomemPaís: Portugal, 2009
Dir: João Pedro Rodrigues
Com: Fernando Santos, Alexander David, Gonçalo Ferreira de Almeida


"MOSTRA IMAGENS DA TURQUIA"
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A Caixa de Pandora
Pandora‘nin Kutusu
País: Turquia, 2008
Dir: Yesim Ustaoglu
Com: Tsilla Chelton, Derya Alabora, Onur Ünsal, Övül Avkiran


"MOSTRA HOMENAGEM À ARTE"
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Dançando no Escuro
Dancer in the Dark
País: Dinamarca/França/Suécia, 2000
Dir: Lars von Trier
Com: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Jean-Marc Barr

Elogio ao Amor
Éloge de L’amour
País: Suíça/França, 2001
Dir: Jean-Luc Godard
Com: Bruno Putzulu, Cécile Camp, Jean Davy

Carmel
CarmelPaís: Israel/França, 2009
Dir: Amos Gitai
Com: Amitai Ashkenazi, Ben Eidel, Efratia Gitai.
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"MOSTRA LIMITES E FRONTEIRAS"
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Estado de Emergência
Living in Emergency: Stories from Doctors without Borders
País: EUA, 2008
Dir: Mark N. Hopkins

Teza
TezaPaís: Etiópia, 2008
Dir: Haile Gerima
Com: Abvetedla, Aaron Arefe, Takelech Beyene

O Fogo Sob a Neve
Fire Under the Snow
País: EUA, 2008
Dir: Makoto Sasa


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL - RETRATOS"
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Caro Francis
Caro Francis
País: Brasil, 2009
Dir: Nelson Hoineff


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL EM COMPETIÇÃO - LONGA FICÇÃO"
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Cabeça a Prémio
Cabeça a PrêmioPaís: Brasil, 2008
Dir: Marco Ricca
Com: Alice Braga, Daniel Hendler, Fulvio Stefanini, Otavio Muller, Eduardo Moscovis, Cassio Gabus Mendes, Ana Braga, Via Negromonte, Cesar Trancoso, Denise Weinberg


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL HORS-CONCOURS - LONGA METRAGEM"
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À Margem do Lixo
À Margem do LixoPaís: Brasil/Portugal, 2008
Dir: Evaldo Mocarzel


"MOSTRA PREMIÉRE BRASIL - NOVOS RUMOS"
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A Falta Que Nos Move
A Falta Que Nos MovePaís: Brasil, 2007
Dir: Christiane Jatahy
Com: Marina Vianna, Cristina Amadeo, Daniela Fortes, Pedro Brício, Kiko Mascarenhas


"MOSTRA BRASIL DO OUTRO"
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Sérgio, Um Brasileiro no Mundo
Sergio
País: EUA, 2009
Dir: Greg Barker
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"MOSTRA MIDNIGHT MOVIES"
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Big River Man
Big River Man
País: EUA, 2008
Dir: John Maringouin
Com: Martin Strel, Borut Strel, Matthew Mohlke
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American Boy: O Retrato de Steven Prince
American Boy: A Profile of Steven PrincePaís: EUA, 1978
Dir: Martin Scorsese


"MOSTRA ISABELLE HUPPERT"
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A Separação
La Séparation
País: França, 1994
Dir: Christian Vincent
Com: Isabelle Huppert, Daniel Auteuil, Jérôme Deschamps, Karin Viard

8 Mulheres
8 Femmes
País: França, 2002
Dir: François Ozon
Com: Isabelle Huppert, Catherine Deneuve, Emmanuelle Béart, Fanny Ardant


"MOSTRA MEIO AMBIENTE"
Petrólio Bruto
CrudePaís: EUA, 2009
Dir: Joe Berlinger
Com: Pablo Fajardo, Luis Yanza, Steven Donziger, Trudi Styler

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"MOSTRA PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL"Abraços Partidos
Los Abrazos Rotos
País: Espanha, 2009
Dir: Pedro Almodóvar
Com: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez

(500) Dias com Ela
(500) Days of Summer
País: EUA, 2009
Dir: Marc Webb
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Matthew Gray Gubler

The White Ribbon
Das weiße BandPaís: Alemanha, 2009
Dir: Michael Haneke
Com: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner

Bastardos Inglórios
Inglourious Basterds
País: EUA, 2008
Dir: Quentin Tarantino
Com: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Christoph Waltz, Michael Fassbender, Eli Roth, Daniel Brühl, Mike Myers, Julie Dreyfus

London River
London RiverPaís: França, 2008
Dir: Rachid Bouchareb
Com: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté, Francis Magee, Sami Boaujila

The Messenger
The Messenger
País: EUA, 2009
Dir: Oren Moverman
Com: Ben Foster, Woody Harrelson, Samantha Morton, Jena Malone

Five Minutes Of Heaven
Five Minutes of Heaven
País: EUA, 2009
Dir: Oliver Hirschbiegel
Com: Liam Neeson, James Nesbitt, Anamaria Marinca, Mark Davison

O Desinformante!
The Informant!País: EUA, 2009
Dir: Steven Soderbergh
Com: Matt Damon, Scott Bakula, Joel McHale, Melanie Lynskey

Che 2 - A Guerrilha
Che: Part TwoPaís: Espanha, 2008
Dir: Steven Soderbergh
Com: Benicio Del Toro, Carlos Barden, Demián Bichir

Julie & Julia
Julie & JuliaPaís: EUA, 2009
Dir: Nora Ephron
Com: Meryl Streep

Nova York, Eu Te Amo
New York, I Love YouPaís: França, 2009
Dir: Mira Nair, Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shekhar Kapur, Shunji Iwai, Joshua Marston, Natalie Portman, Brett Ratner, Wen Jiang, Randall Balsmeyer
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Tokyo!
Tokyo!País: França, 2008
Dir: Bong Joon Ho, Michel Gondry, Leos Carax
Com: Ayako Fujitani, Ryo Kase, Ayumi Ito, Denis Lavant, Jean-François Balmer, Renji Ishibashi, Teruyuki Kagawa, Yu Aoi, Naoto Takenaka

Aconteceu em Woodstock
Taking Woodstock
País: EUA, 2009
Dir: Ang Lee
Com: Demetri Martin, Imelda Staunton, Emile Hirsch, Liev Schreiber

35 Doses de Rum
35 Rhums
País: França, 2008
Dir: Claire Denis
Com: Alex Descas, Mati Diop, Grégoire Colin, Nicole Dogué

Mother
MadeoPaís: Coréia do Sul, 2009
Dir: Bong Joon-ho
Com: Kim Hye-ja, Won Bin

Aquário
Fish Tank
País: Reino Unido, 2009
Dir: Andrea Arnold
Com: Katie Jarvis, Michael Fassbender, Rebecca Griffiths, Kierston Wareing
The Burning Plain
The Burning PlainPaís: EUA, 2008
Dir: Guillermo Arriaga
Com: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence, Joaquim De Almeida

Coco Antes de Chanel
Coco Avant Chanel
País: França, 2009
Dir: Anne Fontaine
Com: Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Emmanuelle Devos, Marie Gillain
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Corações em Conflito
MammutPaís: Suécia, 2009
Dir: Lukas Moodysson
Com: Gael García Bernal, Michelle Williams, Marife Necesito, Thomas McCarthy


"MOSTRA PREMIÉRE LATINA"

O Segredo Dos Seus Olhos
El Secreto de Sus OjosPaís: Argentina/Espanha, 2009
Dir: Juan José Campanella
Com: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella, Pablo Rago, Javier Godino,

Chuva
LluviaPaís: Argentina, 2008
Dir: Paula Hérnandez
Com: Valeria Bertuccelli, Ernesto Alterio
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Luisa
Luisa
País: Argentina/Espanha, 2008
Dir: Gonzalo Calzada
Com: Leonor Manso, Jean Pierre Reguerraz, Marcelo Serre, Carmen Vallejo
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Para Quem Você Ligaria?
A Quien Llamarias?País: Argentina, 2009
Dir: Martin Viaggio
Com: Roberto Birindelli, Iván Ezquerré, Carla Pandolfi
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"MOSTRA JEANNE MOREAU".
Mais Tarde, Você Vai Entender...
Plus tard, tu comprendras...
País: França/Alemanha, 2008
Dir: Amos Gitaï
Com: Jeanne Moreau, Dominique Blanc, Hippolyte Girardot, Emmanuelle Devos
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"MOSTRA TESOUROS DA CINEMATECA"
A Hora da Estrela
A Hora da Estrela
País: Brasil, 1985
Dir: Suzana Amaral


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