domingo, 29 de março de 2009

Hoje tem Tom, Chico e Neruda...

Sem Você, composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
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Para dias que parecem ter 30 horas, música e poesia sempre foram-me excelentes companhias. Figuração perfeita para ruminações com sentido prático... de bônus, uma certa similitude de paz e uma certeza: Tenemos que cambiar!!
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"Muere lentamente... quien se transforma en esclavo del hábito, repitiendo todos los días los mismos trayectos, quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce. Muere lentamente... quien hace de la televisión su gurú. Muere lentamente... quien evita una pasión, quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las íes a un remolino de emociones, justamente las que rescatan el brillo de los ojos, sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos. Muere lentamente... quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los consejos sensatos. Muere lentamente... quien no viaja, quien no lee, quien no oye música, quien no encuentra gracia en sí mismo. Muere lentamente... quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar. Muere lentamente... quien pasa los días quejándose de su mala suerteo de la lluvia incesante. Muere lentamente... quien abandona un proyecto antes de iniciarlo, no pregunta de un asunto que desconoceo no responde cuando le indagan sobre algo que sabe. Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar. Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad."

Pablo Neruda 
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui..."

 Room in Brooklyn, Edward Hopper, 1932
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"Estarei só. Não por separada, não por evadida. Pela natureza de ser só. No entanto a multidão tem sua música, seu ritmo, seu calor, e deve ser uma felicidade, às vezes, ser na multidão o que o peixe é no oceano. Ah! mas quem sabe das solidões que haverá nessas águas enormes! .
..Se me chamares, responderei, mas serei solidão. Serei solidão, se me esqueceres ou lembrares. Qualquer coisa que sintas por mim, eu te retribuirei: como o eco. Mas é tu que vens e voltas: a tua solidão e a minha solidão."

Cecília Meireles.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Invisibilidades...

 Las Duas Fridas, Frida Kahlo, 1939


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"No vácuo de mim eu me despenco. Porque seria preciso também abdicar de mim mesmo para novamente reconstruir-me. Tornar a escolher os gestos, as palavras, em cada momento decidir qual dos meus eus assumir. Já esfacelei meu ser, já escolhi as porções que me são conveninentes esquecendo deliberado as outras. E são elas - serão elas? - que agora se movimentam revoltadas, pedindo passagem em gritos mudos, na ânsia de transcender limites, violentar fronteiras, arrebentando para a manhã de sol. O tremular da chama é um aceno convite para chegar à verdade última e íntima de cada coisa.

Não quero. Não posso restar nu, despojado de mim mesmo. Não posso recomeçar porque tudo soaria falso e inútil. As minhas verdades me bastam, mesmo sendo mentiras. Não é mais tempo de reconstruir. Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita...

Sôfrego, torno a anexar a mim esse monólogo rebelde, essa aceitação ingênua de quem não sabe que viver é, constantemente, construir, não derrubar. De quem não sabe que esse prolongado construir implica em erros, e saber viver implica em não valorizar esses erros, ou suavizá-los, distorcê-los ou mesmo eliminá-los para que o restante da construção não seja abalado. Basta uma pausa, um pensamento mais prolongado para que tudo caia por terra. Recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa única existência..."


Caio Fernando Abreu, in: O Inventário do Ir-remediável.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Ou toca, ou não toca..."

 Sea Viewed from the Heights of Dieppe, Eugene Delacroix, 1852
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"… não é enquanto está ‘no meio’ de meu mundo que o outro me olha, mas é enquanto ele vem em direção ao mundo e a mim com toda sua transcendência, é enquanto ele não está separado de mim por distância alguma, por objeto algum do mundo, nem real, nem ideal, por nenhum corpo do mundo, mas pela sua única natureza de outrem."
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Jean Paul Sartre, in: O Ser e o Nada.

sábado, 13 de setembro de 2008

Intrinsecamente.

Manuscrito de A Hora da Estrela, 1977, acervo IMS
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"E uma desilusão. Mas desilusão de quê? Se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."
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A Paixão Segundo G.H.




A Hora da Estrela, exposição Clarice Lispector
Centro Cultural Banco do Brasil
19 de agosto à 28 de Setembro de 2008
Terça à Domingo das 10 às 21hs.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

I Am Because We Are.

Documentário "I Am Because We Are", direção de Madonna, 2008
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Algumas realidades por, mais brutas, coexistem pacificamente com o tempo independente do quanto possam mortificar o espírito.
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Não obstante o pesar e indignação que causam, ainda falta o sentido maior e viável de que mudar o estado das coisas consiste basicamente em deixar de olhar para o próprio umbigo...
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Assistam o documentário.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Idas e vindas.

Spring at Barbizon, Jean-François Millet, 1868-1873
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"Para me refazer e te refazer volto a meu estado de jardim e sombra, fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado. Em redor da sombra faz calor de suor abundante. Estou viva. Mas sinto que ainda não alcancei os meus limites, fronteiras com o quê? Sem fronteiras, a aventura da liberdade perigosa. Mas arrisco, vivo arriscando. Estou cheia de acácias balançando amarelas, e eu que mal e mal comecei a minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza..."
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Clarice Lispector, in: Água Viva.

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

"Esquisse d'une théorie des émotions..."

The Martyrdom of St Matthew, Caravaggio, 1599-1600
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Em suas missivas, Dostoiévski divide o homem em ordinário e extraordinário. Alguns de meus pensamentos a respeito estão sendo fomentados pelo noticiário atual.

Ok, por formação minhas conceitualizações vão além... entretanto, me incomoda a linha tênue entre o racional e a bestialidade.

O pensamento racionalista nos impele a pôr em prática o que nos foi ensinado, subvencionado ou mesmo categorizado. Disso advêm nosso senso crítico e moral. Quando ocorre um desvio dessas didáticas ou mesmo a inadequação dessas leituras (questão de ordem patológica), resvalamos no ordinário, nas atitudes que geram ojeriza e incredulidade.

Não é simplista portanto, pensar que é ela – a moralidade (embasada sob os auspícios da religião, quer seja pela educação a que nos dispensaram) – o frágil limite a qual estamos expostos.

"Se Deus não existisse, tudo seria permitido"... sem limites de valores ou ordem que legitimem a nossa conduta sobre o que é certo e errado, ética, respeito ao direito alheio mesmo sendo ele o de coexistir; o homem estaria à deriva porque não encontraria em si, nem fora dele, a que agarrar-se. 
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"

Sleeping Head, Lucian Freud, 1980
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"Parte considerável de mim
Quer ser a parte que perdi
Parte de mim uma estrada
Invisível por onde ando
Parte considerável de mim
Procura incessante outro caminho
Parte quer achar o ninho
Resoluta parte do destino
E quer apagar a solidão
Parte considerável de mim
Quer chorar e sorrir
Parte de mim, uma parte que não fui
Parte espera há longos anos
Há tantos anos quantos sonhos
Parte de tantas parte um fio
Que me une e me impulsiona
A esta parte indissolúvel
Indescritível, indestrutível
De todas as partes que se foram
Partes ficaram e se aglutinam
Se amontoam e se refazem
Nesta parte a que eu mesmo
Não sabia pertencer
Nesta metamorfose
Sabe-se lá que parte acordará amanhã
E vai querer repartir meu destino
Espero pacientemente em parte...
Sem repartir as horas
Sem apagar os sonhos
Sem despedir ilusões
Sem cometer o afobo de partir
Sem a parte que acordará em mim."
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Carlos Gildemar Pontes.
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quinta-feira, 27 de março de 2008

Abstraction...

 Pie Fight Study 2, Adrian Ghenie, 2008
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Vagamente observou que isso contrariava sua tese individualista:

Cada pessoa é um mundo, cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve; só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobrenada e que não é o vital; o "mau de muitos" é consolo, mas não é solução.
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Clarice Lispector, in: A Bela e a Fera.
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quarta-feira, 12 de março de 2008

Ser ou não ser...

 Golconda, René Magritte, 1953
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"Isso é dificilmente possível. Penso que haverá uma reação contra esse acordo de dissociação. O homem não dura para sempre. Sua anulação. Haverá uma reação e eu a vejo se instalando. Sabe, quando penso em meus pacientes, eles todos procuram sua existência, e afirmar sua existência contra a completa atomização para o nada ou para a falta de significado."


Palavras de Carl Jung em entrevista remota, quando indagado sobre a necessidade das pessoas se comportarem de forma comum, impulsionadas pelo mundo que se torna mais eficiente tecnicamente.

Esperava-se que fosse possível, o mais alto desenvolvimento humano submergir na sua própria individualidade em um tipo de consciência coletiva.


Décadas passaram e o processo preconizado por ele não poderia ser mais contraditório. Experimentamos um estado de pseudo verdades universais, mas a que passo de coerência?

Existe um quê de automatização dessa consciência dissolvida em conceitos difusos, intolerâncias, mornidão, em um quase processo de involução.

Ao ponto que encontrar o significado da sua existência continua sendo a maior indagação e necessidade, o ser humano caminha abstraído pela facilidade do hermetismo.

Afinal, pensar pode te deixar à beira de um abismo. Arriscar consiste em dores ocasionais. Mudar tem a ver com altruísmo e desapego. Humanização requer desmistificação.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"Dependerá de nós chegarmos dificultosamente a ser o que realmente somos."

 Haia Pinkhasovna Lispector, Claudia Andujar, 1961
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É insólito ficar sem escrever mesmo que os afazeres cerceiem o tempo. Mesmo que a inspiração vagueie ou que a preguiça me tome.

Diz-se: "Tenho que falar, pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer."

Assumindo que me é incomoda a divisão, inervante a ideia do todo que me sorri e as nuvens densas que pairam; aceno vigorosamente com as mãos como forma de demovê-las, já que parecem tão esparsas... Momentaneamente se atinge uma luminosidade coerente, para no momento seguinte, não. Talvez seja mesmo impossível abrandar a alma, converter os sentidos, convergir reflexão em clareza.

O ato de refletir tem por premissa a adequação de ideias. Pois o que dizer, se tal ação expandi caminhos desconhecidos. Como seguir a trajetória sem medo, sem bússola que te auxilie o retorno?!

É como buscar respostas e ao mesmo tempo não querer tê-las. A simplicidade é tão etérea que de simples não tem nada.

Voltando a escrever, sem que exista uma obrigatoriedade de entendimento... bem-vindo!!
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